A choradeira continua #ouro #gold

 


Resumo:

A ascensão de ETFs no mercado financeiro americano, marcada por recordes no último ano, ressalta a crescente preferência por investimentos de baixo custo e gestão passiva. Enquanto isso, a performance estelar de ações ligadas à inteligência artificial e criptomoedas, particularmente a Super Micro Computer e a MicroStrategy, destaca a influência disruptiva da tecnologia no mercado. Estas empresas não apenas superaram expectativas com impressionantes valorizações de mercado mas também impulsionaram índices como o Russell 2000, refletindo a dinâmica volátil e a oportunidade de ganhos em setores específicos.

 A influência das tecnologias emergentes é evidenciada pelo robusto crescimento da Super Micro, impulsionada pela demanda por infraestrutura de IA, e pelo sucesso da MicroStrategy, cuja valorização é atrelada aos seus investimentos em bitcoin. Esta dinâmica sublinha um mercado em constante evolução, onde o sucesso muitas vezes depende da habilidade em navegar tendências tecnológicas e adaptar estratégias de investimento em tempo real.

 Por outro lado, o índice Russell 2000, abrigando gigantes tecnológicos, ilustra o desafio para gestores de fundos em superar benchmarks em um cenário onde ações de alta capitalização distorcem a performance do índice. Este ambiente reforça a ideia de que a especialização em nichos de mercado pode oferecer melhores oportunidades de superação de índices, desviando do convencional para explorar setores menos saturados.

 Na análise técnica do ouro, um rompimento decisivo das máximas históricas sinaliza um potencial de alta até U$ 2.712, sugerindo um momento de correção antes de atingir novos patamares. Este movimento reflete a contínua atratividade do ouro como ativo seguro, em meio a uma paisagem de investimentos em rápida mudança, destacando a importância de estar atento às nuances técnicas e fundamentais do mercado.

 

Hoje pela manhã, mais um analista jogou a toalha; desta vez foi Robert Armstrong, em seu site Unhedged, onde publicou um artigo cujo título já diz tudo: "A economia americana está normal de novo". Ele usa um argumento secundário, lembrando que no passado escreveu artigos afirmando que a economia, abalada pela pandemia, era confusa. “Desde os choques da pandemia, o ciclo tem sido tão inescrutável que algumas pessoas pensam que estamos no início dele, enquanto outras pensam que estamos no fim”,... “cabe-nos afirmar o oposto: a economia dos EUA tornou-se menos confusa, cresce aproximadamente um pouco acima do potencial, a inflação não voltou à meta, mas está próxima”. Capisce?

 Mas a choradeira vem dos gestores de ações independentes que não conseguem superar o índice ao qual se propõem, esquecendo que todas as estatísticas mostram que nunca conseguem ganhar de forma consistente ao longo do tempo. É verdade que, atualmente, com maior peso do S&P 500 em poucas ações, torna-se praticamente uma missão impossível.

Ontem, Jim O’Shaughnessy, fundador da gestora de mesmo nome e autor do best-seller “What Works on Wall Street”, disse em seu podcast que é praticamente impossível para qualquer um ultrapassar o índice devido ao argumento acima e que, na sua visão, os gestores deveriam se especializar em setores onde a quantidade de ações é menor e sua concentração também tende a ser menor – em todo caso, é bom não escolher o setor de tecnologia! Faz sentido sair do buchicho e ir para a “boutique”.

É verdade que o fluxo de recursos no mercado americano tem ido preferencialmente para os fundos indexados, denominados de ETF, com taxas de administração baixas e gestão passiva. No ano passado, não foi diferente, atingindo um recorde histórico, considerando sua participação em relação ao fluxo total para as ações.




Mas isso é apenas parte da história, pois o fluxo é diferente do estoque detido e, quando a métrica é essa, a choradeira não deveria justificar colocar a culpa nos fundos passivos. Na participação global dos detentores de ações americanas, a parcela referente aos veículos passivos corresponde a meros 20%, enquanto as pessoas físicas detêm aproximadamente 40%, e não dá para assumir que elas têm uma carteira igual ao do S&P 500; devem fazer suas apostas em um grupo de ações de sua preferência e nas proporções que desejam.




Mas, mesmo nos índices de pequenas e médias ações, como o Russell 2000, alguns outliers aparecem. Charley Grant relatou no Wall Street Journal: "Esse índice de pequenas capitalizações tem alguns ocupantes gigantes".

Quão forte é o entusiasmo dos investidores pela inteligência artificial e pelas criptomoedas? Duas ações ligadas a esses temas - Super Micro Computer (SMCI) e MicroStrategy (MSTR) - estão dando um impulso até mesmo ao sofrido Russell 2000.

 A Super Micro, fabricante de servidores mais conhecida por sua marca Supermicro, subiu 257% este ano, com o aumento da demanda por servidores que alimentam capacidades de IA generativa em data centers. Enquanto isso, a MicroStrategy avançou 154%, com a disparada do valor de seus ativos em criptomoedas. Esses retornos superaram as ações quentes, como as da Nvidia, que ganharam 80%.

 As "Micro" ações, que agora são as duas maiores no índice de ações de pequena capitalização, têm um valor de mercado combinado de US$ 87 bilhões, incluindo US$ 60 bilhões adicionados este ano. Juntas, elas representaram mais de um terço do retorno de 52% do Russell 2000 no primeiro trimestre, de acordo com dados da LSEG.

 A demanda por servidores da Supermicro cresceu juntamente com a busca pelas unidades de processamento gráfico da Nvidia, necessárias para alimentar programas de IA generativa, e as ações subiram, em parte, porque os analistas da Wall Street esperam que suas vendas aumentem. Prevê-se que a receita ultrapasse US$ 22 bilhões nos 12 meses que terminam em junho de 2026, mais que triplicando o total do ano anterior.

Por outro lado, a MicroStrategy tem um negócio de tecnologia legada, mas suas ações dispararam devido ao sucesso de sua aposta alavancada em bitcoin.

Sob a liderança do presidente executivo Michael Saylor, a empresa tem acessado os mercados de capitais para adquirir mais criptomoedas consistentemente desde 2020, conquistando no processo fãs em fóruns de investidores online, como o Reddit. Em março, a empresa detinha mais de 214.000 bitcoins, com um preço médio de compra de cerca de US$ 35.160. Os preços do bitcoin estão em torno de US$ 66.000, aproximadamente 55% acima este ano.

As ações devem continuar a subir se as criptomoedas mantiverem sua trajetória ascendente, e os analistas esperam que a receita aumente 18% nos três anos que terminam em 2026, para US$ 583 milhões.




**Comentário Pessoal:** O Russell 2000 parece nem existir nessa comparação. A Nvidia não é a única que subiu meteoricamente.

As ações de pequena capitalização precisavam de um impulso. Enquanto outros principais índices de ações registram repetidas máximas históricas, o Russell 2000 está 15% abaixo de seu recorde de novembro de 2021. Ele ficou para trás do Russell 3000, que inclui ações grandes, em um horizonte de um, três, cinco e dez anos.

Quase um quarto do índice consiste em ações financeiras, imobiliárias e de serviços públicos, que tiveram desempenho inferior. Taxas mais altas tornam as ações pagadoras de dividendos, como serviços públicos, menos atraentes e aumentam os custos de empréstimos para bancos e empresas imobiliárias.

Sobre as ações que subiram de forma estupenda: Super Micro e MicroStrategy, a primeira cresceu por sua competência em se posicionar como peça-chave no avanço da IA produzindo os servidores essenciais ao processamento massivo de dados; a segunda, por sorte, pois a razão que levou à compra alavancada de bitcoin não se materializou. A alta recente da criptomoeda não tem a ver com os argumentos passados de que "dinheiro é lixo", e sim com a autorização para a emissão de fundos ETF, que ganhou a adesão do público no curto prazo. Se a empresa não vender sua posição agora e se concentrar no seu propósito, coloca seus acionistas em risco, e ainda mais louco é quem tem ações da MicroStrategy, sabendo disso.

No post o-fed-foi-para-arquibancada, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “Entretanto, outra configuração sugerida indica que a alta final seria muito menor; neste caso, a alta deveria terminar entre U$ 2.197 / U$ 2.271, exatamente onde o mercado se encontra agora” ...

 



O ouro não deu atenção às previsões e continuou em sua trajetória ascendente, desafiando minha análise. Ocorreu um fato técnico relevante: o rompimento decisivo de máximas históricas, conforme destaco no gráfico a seguir, já contemplando uma nova análise. Neste novo cenário, o primeiro objetivo seria U$ 2.712, seguido por um recuo, para finalmente atingir U$ 2.883 / U$ 3.018.




- David, você tinha a visão correta há um bom tempo sobre a alta do ouro e acabou não aproveitando essa alta. O que aconteceu?

Aconteceu que talvez tenha me fixado em comprar "barato" o ouro e esperava por uma queda que nunca ocorreu – e, embora ainda possa acontecer, isso não me parece o mais provável. Com essa visão, e como estávamos em uma correção, acabei traçando uma estratégia que, parece, não funcionou.

Isso não é incomum e pode acontecer. O que eu não posso deixar de considerar é que o movimento de rompimento deveria ter sido o gatilho para a entrada, que está ao redor de U$ 2.200, não muito distante do nível atual. Devo entrar agora de qualquer maneira? Seria um pouco inconsequente e emocional.

A contagem anterior foi descartada? Ainda não. Esse rompimento pode ser um falso alarme, mas, se for o caso, duas coisas devem acontecer: primeiro, uma reversão quase imediata, retornando ao nível de U$ 2.100; segundo, não ultrapassar o nível de U$ 2.341,43 – nenhum centavo a mais.

Pretendo entrar em uma correção futura, pois, nesse novo cenário, ainda há um bom potencial de alta.

No post mencionado, eu comentei que o grande comprador de ouro era o governo chinês, por razões conhecidas. Isso vem ocorrendo, porém um relatório da Gavekal apontou que os chineses também estão sendo uma fonte de pressão nesse mercado. O argumento é que a população está perdendo o interesse no ramo imobiliário devido aos graves problemas e perdas recentes. O gráfico, que contém estimativas para cada segmento, põe em xeque um dos argumentos mencionados: "Sigo uma regra de que, quando o mundo está vendendo (ou comprando) contra um comprador (vendedor) singular, pode-se vender (comprar)". Com essa informação, não há um só comprador; há milhares, centenas de milhares, comprando!



O SP500 fechou a 5.156, com queda de 1,07%; o USDBRL a R$ 5,0526, com alta de 0,25%; o EURUSD a € 1,0834, sem variação; e o o ouro a U$ 2.282, com queda de 0,68%.

Fique ligado!

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