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Resumo:

Neste período singular do mercado financeiro, distorções notáveis surgem, especialmente no acionário, onde "As Sete Magníficas" refletem uma concentração atípica em ações com disparidades em P/L. Uma análise da Gavekal revela um déjà vu de ralis tecnológicos nos EUA, provocando preocupações de sobrevalorização, ao passo que o mercado europeu, apesar de parecer uma alternativa mais barata e diversificada, desilude por sua concentração em setores da "velha economia". Curiosamente, o desconto de -36% nas ações europeias em março, comparado aos seus pares americanos, destaca uma discrepância significativa, uma vez que, historicamente, a média é de -21%.

Adentrando a esfera da Inteligência Artificial (IA), menos de 5% das empresas adotaram tal tecnologia, com aquelas que implementaram reportando aumentos de produtividade entre 25% e 50%. A aposta do mercado acionário nessa inovação tem impulsionado empresas como Nvidia e Super Micro Computer, embora surjam questionamentos sobre quais serão as próximas obsoletas. A segmentação de investimentos baseada na adoção da IA sugere uma nova dinâmica de mercado, onde empresas envolvidas com IA são valorizadas, enquanto outras permanecem à margem.

Além disso, o ouro, atualmente uma commodity de destaque, e o ETF GDX, que agrega principais mineradoras, apresentam uma desconexão pós-abril de 2022, apesar da lógica sugerir que a valorização do metal beneficiaria tais empresas. Este fenômeno levanta questionamentos sobre o desinteresse do mercado de ações nessas mineradoras, apesar da alta do ouro.

Finalmente, na análise técnica, a projeção para o dólar sugere uma ascensão tortuosa, com possíveis novas quedas adiante. A meticulosa observação desses movimentos sublinha a importância de manter uma perspectiva cautelosa no mercado, sem sugerir posições no momento.

 

Não me recordo, nos meus mais de 40 anos de atuação no mercado financeiro, de um período com tantas distorções, principalmente no mercado acionário. Se você é um seguidor desse mercado, já deve ter se deparado com alguma delas. Talvez o que mais chame a atenção seja o número de artigos destacando como algumas ações ficaram muito caras e outras estariam baratas. As " Sete Magnificas " evidenciam a concentração em poucas ações, onde o pano de fundo é a diferença em P/L.

Neste final de semana, ao ler mais um desses artigos na Gavekal, surgiu-me uma ideia do porquê. Antes de começar a desenvolver essa ideia, vejamos parte desse artigo que compara as ações americanas e as europeias. É um padrão tão familiar que parece um caso de déjà vu:

1. Um rali liderado pela tecnologia nos EUA leva os investidores globais a se preocuparem com a sobrevalorização e concentração excessiva no mercado de ações dos EUA.

2. Ao procurarem alternativas às ações dos EUA no exterior, os investidores rapidamente percebem que o mercado de ações europeu parece mais barato e diversificado do que seu equivalente nos EUA.

3. A decepção se instala quando os investidores percebem que a subvalorização do mercado de ações europeu não vem das empresas globais de bens de luxo, farmacêuticas ou de bens de consumo básico que desejam comprar. Em vez disso, a subvalorização relativa da Europa vem de setores da velha economia, como bancos, energia e automóveis, que no passado muitas vezes se mostraram armadilhas de valor.

Hoje, parecemos estar na segunda fase desse processo. Após o rali liderado pela IA nos EUA, o desconto no mercado de ações europeu em relação aos EUA está atraindo cada vez mais a atenção. E, pelos padrões históricos recentes, o desconto de hoje parece excepcional. Em março, enquanto a relação preço/lucro para os próximos 12 meses para o índice MSCI EUA estava em 21,4, a relação para o MSCI Europa era apenas 13,7. Isso indicava que as ações europeias estavam sendo negociadas com um desconto de -36% em relação aos seus pares dos EUA. Isso se compara com um desconto médio nos últimos 10 anos de -21%.



Vou parar por aqui, como o gráfico acima mostra, a diferença sobre esse critério é enorme e vem acontecendo desde 2018. O artigo faz um trabalho bem-feito destrinchando por categoria os índices, concluindo o que eu já tinha concluído no post "argumentos ilusórios": que esses índices não são comparáveis por terem ações de segmentos com pesos muito diferentes.

Peço ao leitor que acompanhe meu raciocínio, pois se trata de uma junção de fatores que, a princípio, não são tão evidentes. Na semana passada, mostrei duas informações importantes: primeiro, ainda pouquíssimas empresas adotaram a IA – menos de 5%, na pesquisa feita pela GS; segundo quem já implantou informou um aumento de produtividade entre 25% e 50%.

No post "mecânica dos fluidos aplicada", destaquei a importância do fluxo no estoque de um ativo e como isso impacta no seu preço. E, embora tenha usado para a situação que a China vive no momento, o conceito vai se aplicar a minha ideia.

O Mosca só produz esse post diariamente e, embora pareça uma peça simples, posso dizer que o trabalho de pesquisa e análise é extenso. Comecei a usar o ChatGPT há um mês e a forma de usar evoluiu de forma incrível. Entendo como informar o que eu quero, e ele aprendeu a me conhecer melhor. Recentemente, começou a fazer minhas figuras diárias — e nem acho ser o melhor software para isso. Mesmo assim, tem ganhado minha preferência em relação às figuras existentes na internet – e olha que eu adoro os cartoons da Hedgeye. Posso dizer que está sobrando tempo do meu dia com um post de melhor qualidade. Meu parceiro, Alberto Dwek, , revisa o post diariamente, além de trocarmos ideias sobre vários assuntos econômicos. Ele tem me informado que o número de correções diminuiu significativamente. Concluindo: aumentei a eficiência do Mosca, algo dentro dos números apontados acima.

Como eu conectei essas ideias? O mercado acionário está apostando fortemente nessa tecnologia, e as empresas mais óbvias que se beneficiarem, como Nvidia, Super Micro Computer e outras que não conheço, ganharam a atenção. Importante ressaltar que a alta no preço dessas ações tem uma boa correspondência em seus lucros; não é só "oba-oba".

Mas serão somente essas? Será que existirão outras que ficarão obsoletas, como os casos na história da Xerox, Kodak e tantas outras? Como ninguém consegue responder com clareza a essas perguntas, acredito que o mercado fez a seguinte segmentação figurativa: colocou uma catraca em seus investimentos da seguinte forma: quem está dentro da IA passa para a lista – essa lista contém as grandes, como Microsoft, Amazon, Meta e Apple (esta está um pouco duvidosa, mas também está incluída); quem tem dúvida, fica na sala de espera; e, por último, as que têm pouca chance, ficam no pátio – seriam os Bancos? Real Estate?

Com essa ideia em mente, em conjunto com a mecânica dos fluidos, explica por que as ações de tecnologia envolvidas em IA estão tão caras e as outras tão baratas. E se minha ideia estiver correta, deverá haver uma acomodação desses preços no futuro, quando mais empresas passarem pela catraca. Mas as que não passarem vão continuar baratas ou deixarão de existir. Agora, você escolhe onde quer estar: comprar as caras, ficar de olho na sala de espera ou acreditar que as baratas vão se valorizar algum dia? Isso, lógico, se acreditar na IA – eu acredito, e muito!

Vou publicar esporadicamente as distorções que me chamam a atenção para que observem essa ideia do Mosca. Começarei pela commodity que está em voga atualmente: o ouro. No post "a choradeira continua", elenquei os motivos para a alta nos preços. Existe um ETF que agrega as principais mineradoras, cujo ticker é GDX. Seria mais do que lógico que, com a alta do metal, essas empresas se beneficiassem. Vejam a seguir um gráfico que compara o ouro com esse ETF. Nota-se que existia uma correlação até abril de 2022, e depois houve um descolamento. Poderá recuperar no futuro. Pode. Mas por que o mercado de ações não está interessado nessas ações?



No post "o-mapa-da-mina", fiz os seguintes comentários sobre o dólar: "Tudo indica que o dólar deverá atingir os níveis de R$ 5,1274 ou um pouco mais acima, R$ 5,1755, de forma tortuosa. Ultrapassar esses níveis é possível, mas por enquanto nenhum ímpeto se observa na alta, o que pode abrir a possibilidade de novas quedas mais adiante. Fica o nível apontado em R$ 5,22 como um ponto a observar, caso ocorra"...



Passada mais uma semana, o mercado vem se desenrolando da maneira que eu esperava: subindo de forma lenta e tortuosa. Mantenho os objetivos acima. Nem a briga entre o Xandão e o Musk criou algum frisson. Importante destacar que, nesse movimento, qualquer mudança pode ser repentina; não sugiro nenhuma posição.




O SP500 fechou a 5.202, sem variação; o USDBRL a R$ 5,0290, com queda de 0,72%; o EURUSD a € 1,0856, com alta de 0,19%; e o ouro a U$ 2.338, com alta de 0,37%.

Fique ligado!

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