Vitrine e fundo de quintal #USDBRL
Mas enquanto o espetáculo diplomático dominava as câmeras, os dados da economia chinesa voltaram a colocar o país diante de seu problema estrutural mais persistente. Os chineses foram bem-sucedidos nos últimos meses ao redirecionar suas exportações para fora dos Estados Unidos, e a balança comercial continuou a bater recorde após recorde. Ao mesmo tempo, aquilo que não conseguem reverter segue como um fantasma: a fraqueza do mercado interno e a falta de disposição da população para consumir.
Os números de abril deixaram pouco espaço para otimismo. O investimento fixo contraiu 1,6% nos primeiros quatro meses do ano. A produção industrial cresceu apenas 4,1% — o ritmo mais fraco em quase três anos. As vendas no varejo avançaram míseros 0,2%, o pior resultado desde dezembro de 2022, quando o país reabria após o período mais severo da pandemia. Nenhum analista consultado pelo mercado havia previsto uma leitura tão pessimista para os três indicadores simultaneamente.
Há um dado que merece atenção e oferece alguma esperança: os preços dos imóveis novos recuaram apenas 0,19% em abril ante março — a menor queda em um ano. É o terceiro mês consecutivo de desaceleração nas baixas. O setor imobiliário foi o grande destruidor de riqueza e confiança das famílias chinesas nos últimos anos, e qualquer sinal de estabilização é relevante. Analistas do Citigroup e do Bank of America começam a aventar que o fundo do poço pode estar próximo. Se confirmado, seria um alívio — ainda que parcial — para o consumo doméstico.
A economia chinesa opera, hoje, em duas velocidades: a parte exportadora, impulsionada por chips, inteligência artificial e produtos de energia limpa, avança com força. A parte doméstica, onde a confiança do consumidor importa, patina. As famílias chinesas liquidaram empréstimos líquidos em abril no maior volume desde pelo menos 2010 — um sinal claro de que preferem reduzir dívida a aumentar consumo.
O Politburo do Partido se reúne em julho para revisar as metas de crescimento. Esse é o próximo ponto de inflexão. Por ora, o consenso do mercado é que Pequim vai manter cautela — sem estímulos adicionais agressivos — mas com pressão crescente para agir. O crescimento de 5% do primeiro trimestre ainda dá cobertura política para esperar mais um mês. Mas o relógio está correndo.
Análise Técnica
No post “Nunca diga nunca” fiz os seguintes comentários sobre o dólar:
“O mercado nitidamente desacelerou; as cotações do dólar estão “escorregando” lentamente, deixando dúvida se estaríamos nos posicionando para uma alta ou se a queda continuaria.”
Postei o cenário alternativo por insistência do meu amigo, que se encontra abaixo.
Muito bem, é possível contar 5 ondas de alta desde a mínima de R$ 4,90 — um ponto positivo. A retração de curto prazo deveria ser contida entre R$ 4,97 e R$ 4,93 e, em seguida, ultrapassar R$ 5,1236. Esse é o caminho da alta — não sei se vou me envolver num call de compra; acompanhem o Mosca.
Por outro lado, se romper abaixo de R$ 4,90, fica eliminada essa possibilidade.
O S&P 500 fechou a 7.403, sem variação; o USDBRL a R$ 5,0131, com queda de 1,35%; o EURUSD a € 1,1659, com alta de 0,29%; e o ouro a U$ 4.563, com alta de 0,51%.
Fique ligado!
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