Warsh tinha que achar alguma coisa #OURO #GOLD #EURUSD
Kevin Warsh, em sua estreia como presidente do Federal Reserve, ficou rigidamente no primeiro estágio. Cada pergunta dos jornalistas na coletiva de imprensa era respondida com uma variação da mesma frase: vai criar cinco Forças Tarefa para cuidar disso. Monetary policy frameworks, communications, regulatory scope, balance-sheet operations, data and modernization. Cinco forças tarefa. A frase virou a resposta universal para questões que mereciam substância. Ed Yardeni registrou com ironia que Warsh usou a expressão exata quatro vezes durante a sessão de perguntas — toda vez que um repórter tentava pressioná-lo sobre algum ponto concreto, ele recorria ao seu escudo de cinco painéis.
Sinceramente, não gostei. Não pela nova forma de conduzir o Fed — isso, com o tempo, pode se provar produtivo. O que me incomodou foi o tom professoral, uma certa arrogância ao tratar as perguntas dos jornalistas como se fossem impertinências, respondidas com um «copiar e colar» institucional que não diz nada. Já vimos forças tarefa fracassarem de forma espetacular. A recente aventura de Elon Musk no governo americano, que acreditava poder demitir metade dos servidores públicos em tempo recorde — como fez ao assumir o antigo Twitter, que me recuso a chamar de X —, é o exemplo mais fresco.
O mercado, por sua vez, parece ter se encantado com uma frase de Warsh: disse que a inflação está elevada há muito tempo e que vai consertar isso. Wall Street entendeu a mensagem como inequivocamente contracionista. Os futuros dos Fed Funds, que antes da reunião precificavam cerca de 21 pontos-base em altas para 2026, fecharam o dia precificando 34 pontos-base — quase um aumento completo. As projeções medianas do próprio comitê para a taxa ao final de 2026 subiram de 3,4% para 3,8%, e o título de dois anos americano saltou para 4,20%, o nível mais alto desde fevereiro de 2025. O índice de rendimentos reais das Notas Protegidas contra Inflação de dez anos subiu ao patamar mais elevado desde maio do ano passado.
A leitura de Robin Brooks é mais cética. Para ele, o mercado precificou um Fed mais contracionista com base em quase nenhuma informação nova — já que a reunião não forneceu qualquer orientação futura sobre a trajetória de juros. O dólar subiu com força contra as moedas do G10, mas a alta foi bem menor contra moedas emergentes, o que Brooks interpreta como sinal de que o mercado não abandonou sua preferência estrutural pela queda do dólar. Toda a movimentação contracionista, na ausência de dados novos que a justifiquem, tende a se desfazer quando as próximas leituras de inflação chegarem.
John Authers, do Bloomberg, registrou o paradoxo com precisão: Warsh eliminou a orientação futura da declaração, mas seus 18 colegas usaram o antigo instrumento do Dot Plot para sinalizar que esperam elevar juros antes de cortá-los. A média projetada para o final deste ano subiu de 3,24% para 3,83%. O próprio Warsh se recusou a submeter um ponto pessoal — o que soa a quem acompanha o Fed como o início de uma campanha para eliminar o próprio mecanismo. Enquanto isso, o comunicado encurtou de 341 para 130 palavras e a única frase de orientação que sobrou foi: «Este Comitê vai entregar estabilidade de preços.» Curto e grosso, sem rodeios.
Sobre o tom geral, Yardeni capturou bem a surpresa do mercado ao descrever Warsh como um falcão disfarçado de pomba. Antes da reunião, havia ampla expectativa de que ele sinalizaria abertamente para uma postura mais branda — afinal, ele é reconhecido por acreditar que a inteligência artificial está impulsionando a produtividade e comprimindo a inflação. Em vez disso, martelou a mensagem ortodoxa: inflação é escolha de política monetária, e ele vai escolher derrubá-la.
Para o colunista Jonathan Levin, Warsh passou no teste mais importante desta primeira aparição: demonstrou ao mercado que não está ali para ser um títere do presidente que o nomeou. Trump, ao ser perguntado sobre a decisão de manter os juros inalterados entre 3,5% e 3,75%, respondeu com um lacônico «tudo bem» e chamou Warsh de «um cara muito bom». É compreensível — por ora — que o presidente não tenha motivo para reclamar.
A análise do post no X de Christophe Barraud sintetizou bem o que efetivamente mudou: a ruptura não foi nas taxas, mas na comunicação. O Fed deixou de ser uma instituição que guia as mãos do mercado a cada reunião. Warsh quer um banco central menos previsível, menos dependente das expectativas do mercado para funcionar. Isso significa que investidores e mercados precisarão reaprender a conviver com surpresas — como a desta semana.
Posso estar enganado ao julgar uma pessoa com apenas uma aparição. Warsh pode ter estado nervoso e vestido uma carapaça de proteção. Prefiro mandantes diretos: Volcker foi ao ponto sem cerimônia, Greenspan era transparente com linguagem sofisticada, Powell foi simples e comprometido. Warsh ainda precisa provar em qual categoria se encaixa. Por ora, está na fase um: precisava achar alguma coisa — e achou cinco forças tarefa.
Análise Técnica
No post “Bem-vindo ao inferno” fiz os seguintes comentários sobre o ouro:
"Alterei a forma de correção explícita acima; ao invés de zig zag estou adotando uma correção complexa do tipo W – X – Y conforme exposto abaixo. Em termos de objetivo não se altera muito, ficando em US$ 3.699 / US$ 3.637 / US$ 3.580"
A estrutura da correção que se configurou no ouro deixa aberto diversas interpretações e requer que as projeções e níveis sejam levadas como tentativas sem muita convicção. Refiz o primeiro objetivo para essa queda para US$ 4.032 / US$ 3.943 — mesmo esse pode ser inferior, ou seja, não sou comprador se chegar aí. Por outro lado, é possível que a onda IV azul tenha terminado conforme indicado com o símbolo vermelho; nesse caso, a primeira indicação seria ultrapassar o nível de US$ 4.381.
— A David, entendi, pode tudo!
Parabéns, está ficando bom embora não perca seu ar provocativo — nesse caso pode literalmente tudo!
Em relação ao euro comentei:
"A moeda única experimentou uma pequena queda não violando o nível de € 1,14. Uma observação mais pormenorizada aponta 5 ondas de menor grau, mas isso é muito pouco para qualquer conclusão"
A moeda única ameaçou subir e estava indo tudo bem até a reunião do Fed e, principalmente, depois da aparição de Warsh — amplamente comentado acima — onde o mercado interpretou que o novo presidente do Fed não vai baixar os juros e, através da comentário do comitê, pode até aumentá-los, levando a moeda única próximo ao nível de € 1,14.
O mercado ainda está posicionado vislumbrando uma queda do dólar, como mencionado no texto pela opinião do "carequinha" Robin Brooks, que é um dólar "bearish" total. Voltando à avaliação técnica, consigo imaginar hipóteses de alta e de baixa — e antes que meu amigo venha de novo: pode tudo!
O S&P 500 fechou a 7.500, com alta de 1,09%; o USDBRL a R$ 5,1854, com alta de 1,14%; o EURUSD a € 1,1462, com queda de 0,34%; e o ouro U$ 4.271, com queda de U$ 0,95%.
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