Resiliente = China #OURO #GOLD #EURUSD

 


Antes de entrar no assunto central de hoje, um parêntese sobre a bolsa americana. Nesta semana tenho adotado postura técnica cautelosa, aguardando a superação de níveis-chave para confirmar a tendência de alta. Não estou sozinho nessa cautela — a maioria dos investidores se mostra perplexa diante da recuperação em curso, sem que o conflito geopolítico tenha se resolvido. Para dimensionar o que está acontecendo: a alta dos últimos dez dias está no percentil 99,7 de todas as variações equivalentes registradas desde 1950. Nos episódios históricos comparáveis, o retorno médio nos doze meses seguintes foi de 19%, com 17 ocorrências positivas e apenas 3 negativas.



Tudo indica que estamos rumando a novas máximas. Devo sugerir compra da bolsa americana assim que surgir uma oportunidade de correção adequada.

Se alguém precisa de um exemplo concreto de resiliência — a palavra que domina o vocabulário econômico desta temporada —, sugiro que olhe para a China. Nos últimos anos, já perdi a conta dos vetores que deveriam ter derrubado aquela economia: a crise do setor imobiliário, as tarifas impostas pelos Estados Unidos, a volatilidade do petróleo, as tensões com o Ocidente. Crescer 5% ao ano, dentro do padrão histórico, parecia uma piada diante de tantas pressões. E no entanto, o PIB do primeiro trimestre de 2026 saiu exatamente nesse número — confirmando, mais uma vez, a capacidade de absorção da segunda maior economia do mundo.



A leitura dos dados, porém, exige precisão. O crescimento não foi equilibrado. A produção industrial avançou 5,7% em março ante o mesmo período do ano anterior, acima do esperado, puxada especialmente por tecnologia: robôs industriais subiram 33% e circuitos integrados, 24%. As exportações dispararam 15% no primeiro trimestre. A manufatura respondeu por quase um terço do crescimento no período. Por outro lado, as vendas no varejo ficaram abaixo das expectativas — alta de apenas 1,7% em março, ante 2,8% nos dois primeiros meses do ano. Automóveis, móveis e eletrodomésticos lideraram as quedas, reflexo do arrefecimento dos subsídios governamentais para troca de produtos.



Um sinal mais animador veio do setor imobiliário. Os preços de imóveis novos em 70 cidades recuaram 0,21% em março, a menor queda em onze meses. Nos imóveis usados, a retração foi de 0,24%, o menor declínio em um ano. Pequeno, mas não desprezível: pela primeira vez em muito tempo, a trajetória é de desaceleração das perdas, não de aprofundamento. Xangai e Shenzhen têm sido as praças mais ativas, estimuladas pelo afrouxamento nas regras de compra para não residentes e pela redução do imposto sobre transações de imóveis com menos de dois anos. Analistas do Goldman Sachs projetam que essas duas cidades liderem a recuperação nacional, com fundo previsto para o final de 2026.



As fragilidades estruturais, porém, permanecem. O investimento privado recuou pelo primeiro trimestre fora do período pandêmico, enquanto o investimento em infraestrutura conduzido por empresas estatais avançou com vigor. A renda disponível das famílias cresceu apenas 2,6% em termos reais, o pior ritmo desde o quarto trimestre de 2022. O desemprego urbano subiu para 5,4% em março, o maior em um ano. O economista Carlos Casanova, da Union Bancaire Privée em Hong Kong, resumiu bem a situação: a fraqueza do setor privado alimenta o desemprego, que por sua vez pressiona o consumo — um ciclo que exigirá estímulos direcionados.



Há quem questione a confiabilidade dessas estatísticas. No passado, alguns analistas levantavam esse argumento com mais frequência. É verdade que, ultimamente, essa desconfiança explícita arrefeceu — em parte porque os números, por si mesmos, têm mostrado coerência interna suficiente para sustentar o debate técnico. Mas a dúvida nunca desaparece de todo, e cabe registrá-la.

Não vejo outra palavra que não resiliência para classificar o que a China vem demonstrando. E, com uma dose de humor que esta situação merece, me permito uma provocação: poderíamos convidar Xi Jinping a vir ao Brasil ensinar o segredo. Garanto que a primeira medida seria destituir o Congresso, o Judiciário e o Legislativo e começar do zero. Hahaha.

 

Análise Técnica

No post "o-Irã-vai-instalar-SemParar-em-Hormuz" fiz os seguintes comentários sobre o ouro:

"Estou adotando a configuração de um triângulo para o ouro, que em ondas 4 é bastante comum. Mesmo tendo uma visão mais altista à frente, não me aventuro a comprar, principalmente nos preços atuais. Posso até pagar mais caro depois, porém com uma evidência mais consistente."



Pouca ou nenhuma evolução ocorreu com o metal nesta semana; uma certa desvinculação se deu em relação à bolsa americana, com a qual mantinha correlação nos dias anteriores. O gráfico atualizado a seguir é quase uma cópia fiel da semana passada.



Há um ponto relevante para entender o comportamento recente do ouro. Robin Brooks levanta uma hipótese incômoda: o metal pode ter deixado, ao menos temporariamente, de cumprir seu papel clássico de proteção.

O dado é direto. Em pleno choque geopolítico, o ouro caiu cerca de 10%, enquanto o S&P 500 recuou muito menos. Em vez de proteger, passou a se comportar como ativo de risco.



A explicação está no fluxo. A alta recente foi impulsionada pela tese de “debasement”, que atraiu novos investidores — mais voláteis e menos comprometidos com o longo prazo. Quando veio o estresse, esse grupo saiu, amplificando a queda.

Outro ponto relevante é a mudança de comportamento. A correlação do ouro com ativos de risco aumentou de forma significativa, indicando um perfil mais pró-cíclico do que defensivo.



Não significa que o ouro perdeu sua função estrutural. Mas, neste momento, está “contaminado”. E quando isso acontece, o mercado deixa de tratá-lo como proteção — e passa a tratá-lo como risco.

Em relação ao euro, comentei anteriormente:

"Minha hipótese está no limite de tempo e de extensão: ou começa a cair em breve, ou terei que refazê-la. Estou desconfiado de que terei que revisá-la, pois, com o cessar-fogo em curso, o mercado parece acreditar que o dólar tende a cair e, por consequência, o euro a subir."



Como comentei acima, a hipótese de queda do euro ficou comprometida pela recuperação dos preços, o que me levou a rever a opção de queda para alta. Os objetivos passam a ser: € 1,2349 / € 1,2522 (+5%) ou, mais acima, ao redor de € 1,3250 (+12%). Estou de olho numa sugestão de compra, acompanhem o Mosca.



O S&P 500 fechou a 7.041, com alta de 0,26%; o USDBRL a R$ 4,9941, sem alteração; o EURUSD a € 1,1779, com queda de 0,17%; e o ouro a U$ 4.789, sem variação.

Fique ligado!

Comentários

  1. David, se você ainda está pensando em indicar compra de ações americanas, já perdeu o bonde. Elas já bateram o seu nível record histórico. A bolsa americana é um ótimo investimento de longo prazo. Mas querer acertar o timing de compra e venda é impossível. E mais uma vez, a alta deitou a todos os que tentaram, a ver navios

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  2. "Nos episódios históricos comparáveis, o retorno médio nos doze meses seguintes foi de 19%, com 17 ocorrências positivas e apenas 3 negativas".

    Acho que vale lembras que uma dessas 3 negativas, foi a GFC em 2008.

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  3. "resultado passado não é garantia de resultado futuro" o disclaimer é valido sempre. Você sabe que me guio pelos gráficos e eles indicam alta, não seria prudente entrar antes da confirmação,e por último, nunca é tarde para entrar num mercado de alta...

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