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O mercado continua errado #USDBRL

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  Desde o ano 2000 acompanho com atenção especial o mercado de moedas internacionais. Foi naquele ano que o dólar iniciou um ciclo de forte desvalorização que se estendeu pelos anos seguintes — e do qual me beneficiei de maneira expressiva. O euro, por exemplo, saiu de € 0,85 e chegou à máxima histórica de € 1,60, uma valorização de quase 100%. Naquele período, as manchetes não poupavam palavras: a moeda americana estava condenada. Havia quem decretasse seu fim com a segurança de quem conhece o futuro. Aprendi, porém, uma lição que poucos investidores de longo prazo conseguem internalizar: o movimento das moedas de países estabilizados é cíclico. Diferente das bolsas de valores, que podem subir indefinidamente enquanto os lucros das empresas crescerem, as moedas oscilam dentro de regimes que se alternam ao longo do tempo. E o dólar, apesar de todas as crises, profecias e narrativas de colapso, continua sendo a moeda de troca do mundo. Todas as tentativas de liquidá-lo falharam. ...

Unicórnio virou banal #nasdaq100 #NVDA

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Minha esposa, junto com suas filhas, tem uma empresa que vende produtos femininos (bolsas, óculos) pela internet: a Eclé . Certo dia, num almoço, ela fez o seguinte comentário: "daqui a algum tempo a Eclé vai virar um unicórnio". À primeira vista, fiquei surpreso — acompanho de perto a evolução do negócio e sabia que faturar o suficiente para atingir uma avaliação de R$ 1 bilhão, partindo de vendas em torno de R$ 100 mil por mês, seria um salto monumental. Entrei nos detalhes: perguntei como seria possível chegar a esse valor. Aí entendi que o desejo dela se referia a vendas de R$ 1 milhão por mês — o que já seria um excelente resultado —, mas, mesmo assim, para alcançar uma avaliação de R$ 1 bilhão aplicando um múltiplo conservador de cinco vezes o faturamento anual, seria necessário faturar R$ 200 milhões por ano. Sugeri um estágio intermediário: um mini unicórnio, com avaliação de R$ 100 milhões. Ela comprou a ideia. Essa conversa de mesa me veio à cabeça ao ler as aná...

Fed: sob nova direção #OURO #GOLD #EURUSD

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  A sabatina de Kevin Warsh no Senado americano rendeu mais espetáculo do que substância — e talvez fosse exatamente isso o que se esperava. Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central mais poderoso do mundo, chegou ao Capitólio munido de críticas ao modelo atual e de visões que, em outro contexto, poderiam ser consideradas ambiciosas. Já mencionei esse roteiro familiar em outros artigos. Todo novo executivo — não importa o setor — passa por quatro fases: a primeira, cheia de ideias e energia, quando tudo parece transformável; a segunda, frustrante, quando a realidade do dia a dia impõe seus limites; e só na terceira, se tanto, as ideias encontram o terreno para germinar; na quarta fase fica-se de saco cheio buscando um novo desafio. Warsh parece ainda bem instalado na primeira fase. O ponto de partida já é revelador: sua indicação esbarra em obstáculo concreto antes mesmo de ele se sentar na cadeira. O senador Thom Tillis declarou que não votará pela confirmação enqu...

A ilusão do crescimento #IBOVESPA

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Crescimento é uma das palavras mais sedutoras no vocabulário dos mercados financeiros. Analistas o perseguem, executivos o prometem e investidores pagam prêmios generosos por ele. O problema é que a maioria das pessoas que fala de crescimento nunca se deu ao trabalho de fazer a pergunta certa: crescimento para quê, e por quanto tempo? Um estudo recente da Morgan Stanley, de autoria de Michael Mauboussin e Dan Callahan, jogou luz sobre um dado que deveria constranger qualquer investidor entusiasta: de todas as empresas listadas nas bolsas americanas entre 1926 e 2025 — mais de 29 mil ao todo —, apenas 0,7% foram responsáveis por mais de 75% de toda a riqueza gerada no mercado acionário no período. Pouco mais de 200 empresas carregando nas costas a prosperidade de gerações inteiras de investidores. Uma outra publicação que aponta no mesmo sentido, mostra que nesse período apenas 10 empresas geraram aproximadamente 30% da criação de riqueza. Notem que dessas empresas a grande maioria ...

Procurando a porta de saída #S&P 500 #Bitcoin

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  Hoje é feriado no Brasil, mas os mercados internacionais operam normalmente — e como uma parcela expressiva dos meus leitores está nos Estados Unidos, algo que me surpreendeu ao verificar recentemente, pois esse grupo representa atualmente 48% do total, superando os leitores brasileiros com 30%, decidi publicar um post mais enxuto, porém sem abrir mão da substância. Há algum tempo não comento sobre o bitcoin. Desde outubro do ano passado ele ficou à margem das minhas análises, mas não passou despercebido o otimismo exagerado que circula nas redes sociais entre seus adeptos mais fervorosos — um entusiasmo que não encontra respaldo na realidade recente. Um artigo da Bloomberg ilustra bem esse descompasso: o bitcoin perdeu todos os argumentos que sustentavam sua narrativa original. No evento geopolítico de maior tensão recente — o conflito entre Irã e os Estados Unidos — o ativo performou de forma pífia, incapaz de exercer qualquer papel de reserva de valor ou proteção sistêmica. ...

Monopólio do emprego #USDBRL

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Raramente, em uma economia que cresce, se debateu tanto sobre o mercado de trabalho quanto agora. A chegada da inteligência artificial ao cotidiano profissional acelerou uma angústia que já existia antes — e que, acredito, muita gente ainda subestima. A questão não é apenas tecnológica. É estrutural. E a Bloomberg, em uma matéria recente, parece ter posto o dedo exatamente na ferida. O raciocínio que me ocorreu ao ler o artigo foi quase imediato: se nos mercados financeiros assistimos, há anos, a uma concentração sem precedentes — com poucas empresas respondendo pela maior parcela da capitalização de mercado —, por que seria diferente com os empregos? A lógica é a mesma. Quando o poder econômico se concentra, o poder de contratação também se concentra. E quando são poucos os empregadores que de fato disputam trabalhadores, quem perde é o trabalhador. Esse fenômeno tem nome técnico — monopsônio —, cunhado pela economista Joan Robinson nos anos 1930 para descrever mercados em que há ...