Fed: sob nova direção #OURO #GOLD #EURUSD
A sabatina de Kevin Warsh no Senado americano rendeu mais espetáculo do que substância — e talvez fosse exatamente isso o que se esperava. Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central mais poderoso do mundo, chegou ao Capitólio munido de críticas ao modelo atual e de visões que, em outro contexto, poderiam ser consideradas ambiciosas. Já mencionei esse roteiro familiar em outros artigos. Todo novo executivo — não importa o setor — passa por quatro fases: a primeira, cheia de ideias e energia, quando tudo parece transformável; a segunda, frustrante, quando a realidade do dia a dia impõe seus limites; e só na terceira, se tanto, as ideias encontram o terreno para germinar; na quarta fase fica-se de saco cheio buscando um novo desafio. Warsh parece ainda bem instalado na primeira fase.
O ponto de partida já é revelador: sua indicação esbarra em obstáculo
concreto antes mesmo de ele se sentar na cadeira. O senador Thom Tillis
declarou que não votará pela confirmação enquanto não for resolvida a ação
judicial contra o atual presidente Jerome Powell — relativa a gastos na reforma
da sede do Fed. Sem esse voto, o partido republicano não tem maioria. Warsh
pode discursar o quanto quiser; o que disse na terça-feira terá pouco efeito
sobre o que realmente importa agora. O problema não é o candidato, é a
política.
Isso, aliás, não é incomum. Nenhum candidato diz algo que mude os
rumos durante uma sabatina. Ben Bernanke foi confirmado em 2005 sem que se
mencionasse uma só vez palavras como afrouxamento quantitativo, balanço
patrimonial ou subprime — e seu mandato seria dominado exatamente por esses
temas durante a crise de 2008. O teatro das sabatinas serve a outros
propósitos: sinalizar ao mercado, tranquilizar aliados políticos, construir
narrativa. Warsh, operador experiente, sabe jogar esse jogo. Não à toa, em suas
cinco páginas de declaração preliminar não há uma única menção ao balanço
patrimonial ou a afrouxamento quantitativo.
A questão central levantada durante a sessão — se Warsh seria um
instrumento nas mãos de Trump para forçar cortes de juros — foi respondida da
única forma politicamente possível: com uma negativa educada. Mas o mercado não
se satisfaz com promessas em sabatinas. A resposta real virá quando ele
assumir, se assumir. Por ora, o que se sabe é que os 11 membros do comitê de
política monetária seguem coesos: nada deve ser feito até o final do ano,
posição que o mercado futuro de juros já reflete com clareza.
Sua visão de independência do banco central é cirúrgica — e
deliberadamente ambígua. Defende autonomia plena na condução da política
monetária, mas entende que o restante do mandato — supervisão bancária, uso de
recursos públicos, questões de finanças internacionais — está sujeito ao
escrutínio político. Em suas palavras: o Fed deve "manter-se em sua
faixa". A fórmula é elegante: independente o suficiente para acalmar os
mercados, flexível o suficiente para não irritar o presidente que o indicou. O
trecho que pretende proferir — de que o Fed esticou sua credibilidade "até
a beira, ou além, de suas responsabilidades legais" — é um diagnóstico que
parte do mercado reconhece como legítimo, mas que na boca de um indicado pelo
presidente em exercício soa inevitavelmente como munição política.
Os pontos mais substantivos de Warsh dizem respeito ao balanço
patrimonial. Ele é um crítico declarado do tamanho atual da carteira de títulos
acumulada ao longo da crise financeira global e da pandemia — e defende que ela
deveria ser reduzida. Na prática, isso significaria menos liquidez no mercado e
pressão altista sobre os rendimentos dos títulos do governo americano. Num
ambiente em que as taxas longas já estão elevadas e qualquer solavanco pode
reverberar globalmente, esse tema é uma faca de dois gumes.
No curto prazo, a realidade é que nada muda. A disputa judicial em
torno de Powell precisa ser resolvida; o calendário político é incerto; e mesmo
que Warsh seja confirmado, ele herdará uma instituição com seus próprios pesos
e contrapesos. O Fed opera por consenso, não por decreto. Há ainda outro fator
relevante: uma eventual escalada nos preços do petróleo — cenário não
descartável dado o ambiente geopolítico — eliminaria qualquer margem para
cortes de juros, independentemente de quem ocupe a presidência do banco
central. Warsh teria, nesse caso, uma saída conveniente para não se comprometer
com promessas que o mercado queira ouvir.
O que fica da sabatina é, acima de tudo, a confirmação de que a
transição no Fed será longa, ruidosa e cheia de variáveis fora do controle do
próprio candidato. Warsh pode ter as ideias certas — algumas delas, inclusive,
já deveriam ter sido implementadas há anos. Mas entre a visão e a execução, há
um abismo que só o tempo, e a segunda fase da curva de aprendizado, poderá
revelar. Por enquanto, o Fed segue com Powell na cadeira e com a política
monetária onde está. O mercado observa, e espera.
Análise Técnica
No post “resiliente=china”, fiz os seguintes comentários sobre o ouro:
“Pouca ou nenhuma evolução ocorreu com o metal nesta semana; uma certa desvinculação se deu em relação à bolsa americana, com a qual mantinha correlação nos dias anteriores. O gráfico atualizado a seguir é quase uma cópia fiel da semana passada.”
Observei, no curto prazo, a evolução dos preços dentro do retângulo destacado
abaixo, para se ter uma pista se a onda IV azul terminou na onda A laranja —
indiquei com o símbolo em azul, e não parece ser o caso.
Por último, refiz o desenho do triângulo expandido ao lado, em vermelho, lembrando que não pode ser descartado, embora seja raro. Note que a figura expressava um triângulo para queda de preços, e não para a alta, que seria o caso em questão (desculpe pela falha).
“a hipótese de queda do euro ficou comprometida pela recuperação dos preços, o que me levou a rever a opção de queda para alta. Os objetivos passam a ser: € 1,2349 / € 1,2522 (+5%) ou, mais acima, ao redor de € 1,3250 (+12%)”
A cotação atual está abaixo de € 1,17 e, para que a estratégia de alta seja confirmada, precisaria reagir de imediato. Caso € 1,1628 seja rompido, vai por água abaixo a minha hipótese.
Você tem razão nos cálculos, mas esse trade observado hoje seria como uma
aposta na roleta — chance pequena de cair no número. Essa é a razão pela qual
fico como observador. Isso não significa que não vou entrar de jeito nenhum; é
preciso que o mercado ajude a me convencer.
O
S&P 500 fechou a 7.108, com queda de 0,415; o USDBRL a R$ 5,02170, com alta
de 0,72%; o EURUSD a € 1,1686, com queda de 0,17%; e o ouro a U$ 4.694, com
queda de 0,97%.
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