2018: Vestibular Político

12 de dezembro de 2017

Euro: Caminho incerto


No post do final de ano critiquei à política monetária adotada pelo ECB, por causa do extenso período que se encontra com juros negativos, além da maciça injeção de liquidez. Neste ano que se encerra, o Continente Europeu caminha para sair da estagnação. A única exceção é a Alemanha que muito pouco sofreu do ponto de vista econômico, porém, politicamente foi pressionada a aceitar as condições impostas pelo banco central europeu, pois claramente não desejava entrar no experimento adotado de política monetária.

Do ponto de vista político foi um ano bastante agitado, primeiro o choque do Brexit, algo que não era esperado pela maioria do mercado, depois a eleição bem-sucedida na França que elegeu um desconhecido sem viés radical. Já na Espanha, os Catalães realizaram um plebiscito para se separar da Espanha. Como disse Tony Blair no evento do JP Morgan, “ não esperem que a situação na Europa tenha se normalizado, ainda continua muito dividida com posições radicais de ambos os lados”.

Com tudo isso acontecendo, um fundamentalista esperaria queda da moeda única, afinal aparentemente tudo indicava nesse sentido. Mas não foi o que aconteceu, o euro subiu 14%! O Mosca havia alertado no final de 2016 para essa possibilidade ...” A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante” .... Considero esse call corajoso naquele momento, se vocês lembrarem o mercado inteiro acreditava numa alta do dólar.

Porém houve uma falha de curto prazo, pois eu acreditava que ainda restava uma última queda, que levaria o euro a paridade, o que acabou não acontecendo. Veja a figura a seguir.


Embora meu objetivo fosse a paridade, como analista técnico sou obrigado a fornecer outros objetivos, caso o ativo em análise continua em sua trajetória. Essa é a razão para os pontos em rosa.

Depois de ser stopado numa posição vendida no início do ano, comecei a desconfiar que o objetivo da paridade não seria alcançado, assim, busquei me posicionar com intenção de alta.

No curto prazo, o post desemprego-com-em-tempo-de-guerra, apresento os possíveis cenários para o euro. Estamos com uma posição comprada cujo o stoploss está bem próximo de ser executado. Porém, mesmo que isso aconteça, ainda espero uma nova alta superando a máxima atingida esse ano de 1,2080. O gráfico abaixo apresenta essas possibilidades que podem acontecer depois de que até € 1,17, ou € 1,15, ou € 1,13.


E o que poderá acontecer com o euro em 2018? O Mosca trabalha com uma alta de pelo menos € 1,28. Entretanto, daí em diante, paira uma grande dúvida. O gráfico a seguir aponta para um pivô nesse nível na parte superior do triângulo.


Em diversas ocasiões no passado, ao tentar romper essa linha, o mercado retrocedeu. Em algum momento esse triangulo será rompido, o que não sabemos se será desta vez (1). Em todo caso, se isso acontecer, o euro poderá atingir € 1,40 ou até acima disso, vai depender da forma como ocorre esse rompimento. Olhando pelo o lado fundamental, isso parece só ser possível se Mario Draghi for sumariamente despedido do ECB, onde um burocrata do Bundesbak alemão tomaria as rédeas.

Mas se a linha for respeitada e ao atingir a marca de € 1,28 o euro dá meia volta (2), o nível de € 1,10 parece que será revisitado. Depois disso, dá mesma forma que mencionei acima, o encontro com a linha do triângulo inferior é importante. O dilema do rompimento passaria a ser o mesmo. Como isso está distante, recomendo que os leitores acompanhem as publicações diárias.

- David, mas o que você acha mais provável acontecer no pivô?
Não tenho uma preferência no momento, vai depender da forma como o euro chega lá. Se for “direto, sem escalas” como estou apostando atualmente, as chances de romper se eleva. Se por outro lado, o euro chega até lá com “sobes e desces”, acredito que ficará mais difícil o rompimento.

Mas esse assunto não deve preocupar os leitores, por enquanto o euro é para cima, só dependendo de que ponto começa (ou já começou!), a alta.

- Então não considera sob nenhuma hipótese que o euro possa cair antes de atingir o nível de € 1,28?
Sempre existe essa hipótese. Eu diria que abaixo de € 1,13 essa possibilidade ganha força, e caso a moeda única rompe o triangulo inferior (~ € 1,05), o cenário que eu havia traçado para o ano em curso entra em voga. Mas por enquanto isso é só uma especulação. 

O SP500 fechou a 2.664, com alta de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,3064, sem variação; o EURUSD a € 1,1740, com alta de 0,24%; e o ouro a U$ 1.243, sem variação.


Fique ligado!

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