LeBron Inc. #NVDA #OURO #GOLD #EURUSD
Antes de entrar no tema de hoje, um parêntese sobre a Nvidia, cujos números saíram nesta semana. A sequência de reações foi curiosa: os resultados vieram, como sempre, acima do esperado — e mesmo assim as ações caíram no pós-mercado, a negociação eletrônica que ocorre depois do fechamento do pregão. Fiquei pensando: o que mais o mercado queria? Uma analista da Bloomberg resumiu bem o impasse: não dá para exigir mais crescimento quando os chips já estão "esgotados", ou seja, não sobra o que vender.
A resposta veio na teleconferência, quando o diretor financeiro anunciou previsão de alta de 70% nas vendas no próximo ano, com uma pequena compressão de margem. Uau — isso depois de a receita já ter subido quase 1.400% nos últimos cinco anos. Nunca uma empresa desse tamanho cresceu tanto, por tanto tempo. Para quem torce contra a inteligência artificial, foi um banho de água fria; resta na torcida para que algo dê errado no caminho.
Voltando ao assunto de hoje.
Em 2018, quando LeBron James assinou com o Los Angeles Lakers por US$ 154 milhões, esse não foi o maior negócio que ele fechou naquele ano. Meses antes de vestir a camisa roxa e dourada, uma empresa controlada por ele já havia tomado emprestado quase US$ 300 milhões de duas seguradoras de vida do Meio-Oeste americano, assessoradas por um braço da Guggenheim Partners. São títulos com vencimento só em 2049, que nunca tinham sido reportados publicamente até agora — e que foram estruturados para dar dinheiro imediato a LeBron, lastreados no fluxo futuro de tudo o que ele ganha fora das quadras, a começar pelo contrato vitalício com a Nike.
Pare um segundo nesse número. Quem, pessoa física, teria crédito para tomar US$ 300 milhões emprestados? E mais: fora do universo das gigantes de capital aberto, que empresa teria acesso a um empréstimo dessa magnitude, estruturado sob medida, com prazo de três décadas? Há uma geração, essa pergunta nem fazia sentido. Hoje faz, porque o mercado esportivo ganhou uma dimensão impensável até pouco tempo atrás.
O caso resume bem uma lógica de engenharia financeira já bastante familiar — só que, dessa vez, aplicada a uma pessoa física em vez de uma empresa, um shopping center ou um data center. LeBron tem fluxo de caixa grande e razoavelmente previsível; basta colocar esse fluxo dentro de uma estrutura e emitir dívida com direito prioritário sobre ele. Ele transforma o futuro em US$ 300 milhões à vista, e quem comprou o papel recebe de volta o principal com juros ao longo de 30 anos. Nada de exótico na engenharia — o exótico é o lastro.
A pergunta que interessa, então, é quem deveria comprar um papel desses. É prazo longuíssimo, é ilíquido, a situação é complexa e as finanças pessoais de LeBron não são públicas — não existe mercado secundário para "títulos LeBron". Banco comum não quer: é financiado por depósito, e travar dinheiro por 30 anos num ativo ilíquido não é o uso mais seguro desse capital. Fundo mútuo também não serve, porque o cotista pode pedir resgate a qualquer momento. O comprador ideal é quem tem capital de longuíssimo prazo e travado por natureza — fundos de pensão e, cada vez mais, seguradoras de vida e anuidade, que precisam pagar benefícios previsíveis ao longo de décadas e, por isso mesmo, topam abrir mão de liquidez em troca de retorno maior. É esse, aliás, o pano de fundo do crescimento do crédito privado: juros baixos depois de 2008 corroeram a capacidade das seguradoras de bater seus compromissos só com títulos públicos de alta qualidade, e elas passaram a precisar de ativos alternativos — mais esquisitos, mais ilíquidos, mas com prêmio maior — para fechar a conta.
E não é força de expressão dizer que o esporte virou uma classe de ativos à parte. A Arctos Sports Partners, fundo dedicado só a participações minoritárias em times, já acumula cerca de US$ 7 bilhões sob gestão entre seus dois fundos, com posições em franquias como Golden State Warriors, Boston Red Sox e Paris Saint-Germain — e está, inclusive, em negociação para ser incorporada pela KKR. A Ares Management levantou US$ 3,7 bilhões só para um fundo de esporte, mídia e entretenimento. Segundo um levantamento do JPMorgan, cerca de 20% das famílias bilionárias atendidas pelo banco já têm participação majoritária em algum time — contra 6% havia apenas três anos. E o próprio Mark Walter, personagem central do caso LeBron/Guggenheim, foi quem pagou US$ 10 bilhões pelo Lakers pouco mais de um ano atrás, superando de longe o recorde anterior de US$ 6,1 bilhões, do Boston Celtics.
A explicação que ouvi outro dia, num podcast sobre esse mercado, resume bem o que mudou: a mídia social deixou de ser vitrine em volta do evento esportivo e passou a fazer parte dele. Isso empurra o retorno de times e jogadores para um patamar diferente daquele em que o valor de um atleta vinha quase só do que ele fazia dentro de campo. LeBron não é só o astro maior do basquete internacional — é uma marca com audiência própria, monetizável fora da quadra, o que explica por que dá para lastrear US$ 300 milhões nesse fluxo.
Tem ainda um detalhe curioso no caso específico: LeBron é "descolado", todo mundo quer estar associado a ele — em teoria, isso deveria baixar o custo do empréstimo, já que tem gente disposta a pagar para dizer "o LeBron me deve dinheiro". Só que quem compra dívida ilíquida de 30 anos não é fã, é fundo de pensão, e fundo de pensão não tira proveito nenhum de ser "descolado". A menos que exista, em algum ponto da cadeia, alguém — uma pessoa, não uma seguradora — negociando esse empréstimo em nome de terceiros e se divertindo bem mais nessa mesa do que estruturando um pool de recebíveis de financiamento de automóvel.
Toda vez que esbarro nesses números — sobretudo no futebol, que acompanho mais de perto — me pego pensando quanto valeria Pelé hoje. Não tenho resposta, e desconfio que ninguém tem. Como costumo repetir, não basta ter competência: é preciso ter sorte e estar no momento certo. Estamos numa era em que o jogador virou empresa — foi por isso, aliás, que batizei este texto de LeBron Inc.
Análise Técnica
No post "o-recheio-do-bolo", fiz os seguintes comentários sobre o ouro:
"O ouro está prestes a completar cinco ondas, que se pode observar numa janela de duas horas. Usando essa métrica, abre-se um objetivo adicional em US$ 4.550, ou o que apontei acima"
Terminado esse movimento, já temos uma pré-condição para esperar uma correção e sugerir um trade de compra; se é indicador de novas máximas ou não, só mais à frente saberemos.
"A moeda única também se animou ontem e deu um salto suficiente para que se possa contar cinco ondas em azul no gráfico. Pelos cálculos, ainda faltaria uma pequena alta para completar cinco ondas no gráfico de duas horas, atingindo € 1,1741 — friso que não é necessário"
Amanhã não haverá publicação do Mosca, voltando normalmente na segunda-feira.
Fique ligado!
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