Inflação: A Revanche

23 de julho de 2015

Desafiando a gravidade

Qualquer um de nós não teria a menor pretensão de desafiar a Lei da Gravidade formulada por Isaac Newton, afinal faz alguns séculos que está funcionando! Nos mercados já não é bem assim que funciona, se os investidores projetam uma determinada tendência para o futuro, um fluxo de recursos é canalizado naquela aposta. Com o advento dos mercados de derivativos, que nada mais é que, uma forma simplificada de elevar estas apostas através de crédito, os preços desses ativos poderão deslocar-se daquilo que os fundamentalistas chamam de preço "justo". É assim que uma bolha se forma, e quando vira praticamente um consenso, os preços orbitam no espaço.

Existe uma condição absolutamente necessária para que os preços neste novo patamar se concretizem, a previsão imaginada se realize, originando um fluxo real que altera o estoque desse ativo. Se isso não ocorrer, e o fluxo se mantiver como anteriormente, os preços terão que recuar, e quanto mais alavancado, maior a queda.

Que o 'dólar- dólar' está forte, até meu personal trainer já sabe, acredito que a escolha deste tema pelo Mosca para 2015 não podia ser melhor. E como eu coloquei no post 2015-será-um-ano-feliz?, duas forças estão em ação, quando o assunto é nossa moeda, o real: Primeiro se o 'dólar-dólar' está num movimento generalizado de alta; e segundo como vão as coisas por aqui. As aparências apontam para altas no dólar no exterior e um desastre político e econômico internamente, isso deveria ter consequências na cotação do dólar e perda maciça de reservas.

No início deste ano, analisei a possibilidade de o dólar estar numa mini-bolha dólar:mini-bolha? e fiz algumas hipóteses do que poderia acontecer com a posição de swap cambial que o BC está mantendo junto ao mercado. Frisei que, para a cotação do dólar continuar em alta, seria necessário que um fluxo de saída de dólares se materializasse. De lá para cá, o BC vem reduzindo a renovação dos contratos de swaps mensalmente, o que pode exercer uma pressão altista nas cotações do dólar, caso mantenha-se a mesma necessidade de hedge pelo mercado.

Todo mês aguardo ansiosamente o relatório do BC que contêm as contas cambiais, e ontem ocorreu sua publicação. Vou passar rapidamente nos principais números, uma vez que vocês já devem ter esses detalhes pelos jornais. As transações correntes apresentaram um déficit de US$ 2,5 bilhões, que representa uma forte redução quando comparado ao do mesmo mês do ano anterior de US$ 5,1 bilhões. O acumulado em 12 meses caiu para US$ 93,1 bilhões, equivalente a 4,36% do PIB.

A principal razão desta redução deve-se ao superávit comercial que registrou uma cifra de US$ 4,4 bilhões. É bem verdade que, este resultado positivo deve-se muito mais a queda das importações que pela elevação das exportações, por razões bastante óbvias. A conta de serviços e despesas líquidas permaneceram em patamares estáveis comparativamente ao ano anterior. O ingresso de investimentos diretos foi de U$ 5,4 bilhões e acumulam US$ 81,9 bilhões em 12 meses, responsável por 87% da necessidade de financiamento do déficit em transações correntes.

O hiato financeiro, diferença entre os déficits em transações correntes e a entrada líquida da conta financeira, foi negativo de US$ 2,0 bilhões, sendo que as reservas do BC aumentaram em US$ 1,6 bilhões e os bancos reduziram seus ativos no exterior em US$ 3,5 bilhões. O total de reservas encontra-se estagnado já a um bom tempo na casa dos US$ 372 bilhões.

Para quem está comprado em dólares estes resultados deveriam ser preocupantes, ou no mínimo intrigantes, uma pergunta deveria ser feita: Por que as reservas não estão caindo? Não vou buscar as respostas, pois é um exercício de hipóteses de difícil comprovação, mas o que importa é que existem hoje US$ 370 bilhões de reservas internacionais, uma em cima da outra!

Pode ser que, o 'dólar-dólar' continue subindo ainda mais, se realmente a economia nos USA começar a deslanchar, mas ainda faltam evidências mais concretas. Por enquanto é o FED que deixa parecer nas entre linhas, que vai começar a subir os juros. Quanto aqui dentro, os estrangeiros do fluxo real não estão vendo o cata clisma que os analistas e especuladores estão vendo, e caso continuem assim, de duas uma: ou o BC reduz ainda mais a colocação de swap para evitar uma queda do dólar, ou mais a frente as projeções que entramos num buraco negro se concretizam.

No primeiro caso, não se iludam, a cada vez que o BC diminui seu swap, é pior para os comprados e não o contrário como faz crer. Para que entendam o que quero dizer, no limite o BC vai chegar a zero e a partir daí, para "segurar" o câmbio teria que comprar, o que já está acontecendo de certa forma, como nesse mês. Já no segundo caso, aí as coisas são diferentes e o dólar poderá subir de uma forma mais real. Não se pode esquecer também que, a cotação não está mais em R$ 2,00, tudo tem preço!

Agora não esperem que, caso aconteça a primeira hipótese, o câmbio comece a cair a partir de agora, só porque o Mosca colocou estas dúvidas, pode demorar muito tempo. Portanto não contém com isso para operar, sigam as orientações técnicas. Aliás no momento o real está levando mais uma paulada hoje e se aproxima do limite superior que apontei no post ante ontem de R$ 3,32.

No post jogo-dos-pontos-FED, fiz os seguintes comentários sobre os títulos de 10 anos americanos: ...Para se ter uma convicção maior, que os juros deram meia-volta (queda), o nível de 2,10% tem que ser rompido, até lá o que está ocorrendo pode ser uma correção. Naturalmente, acima de 2,5% a alta readquire fôlego. Por estas razões, o mercado está exatamente no meio deste intervalo, e para apostar tipo "Cassino", prefiro ir ao próprio. Fique de olho!...Com o gráfico a seguir.


Como no caso do SP500 e de vários outros mercados, aqui também persiste a dúvida, como pode-se verificar a seguir.
Assim as recomendações acima continuam válidas, nada a fazer até que alguns daqueles pontos sejam atingidos. Outra hipótese para essas inações, pode ser pelo fato do excessivo calor, razão que o Mosca deu para a retração nas vendas. Um efeito derivado poderia estar acontecendo aos investidores que preferem ficar nas piscinas de suas casas, e deixar para atuar nos mercados depois das férias. Afinal, a vida é dura para eles! Hahahaha...

O SP500 fechou a 2.102, com queda de 0,57%; o USDBRL a R$ 3,2910 com alta de 2,11%; o EURUSD a 1,0991, com alta de 0,53%; e o ouro a US$ 1.89, com baixa de 0,36%.
Fique ligado!

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