Inflação: A Revanche

21 de julho de 2015

FED: "Cheers!"

Enquanto no hemisfério norte registram-se recordes de temperaturas, consequência do superaquecimento, no ar condicionado em Washington a turma do FED se prepara para o grande evento destes últimos anos. Já não escondendo de ninguém, todos os membros, incluindo seu Presidente Janet Yellen, já deixaram claro que setembro é a data. Na próxima semana se realizará a última reunião antes da data "acertada" para essa ação., Eu não acredito que será surpresa anunciada nada de diferente, pois caso contrário, aí sim as temperaturas iriam explodir! Hahahaha....

Para fazer um paralelo, este momento será como a abertura de um vinho envelhecido, que neste caso, completa sete anos. No caso do vinho, depois de um gole aqui e acolá, os entendidos dão seus vereditos, sobre o aroma, gosto, textura e etc... Como não sou um "expert" no assunto, me limito a beber e avaliar de uma forma direta, gostei ou não gostei. Acredito também que esta será a reação do mercado, quando o "Juros Lafite" for aberto.

Um detalhe importante, que diferencia este caso do vinho, os primeiros foram cultivados em todos os países desenvolvidos do planeta, com várias "uvas" de suas regiões: Yen, Euro, Franco Suíço, Libra, Coroa Norueguesa, Coroa Sueca, e etc... Um legítimo blend! Hahahaha ...

Mas como será seu gosto? E o mais importante, outras garrafas serão abertas no futuro, ou esta safra foi um desastre?

Vocês devem lembrar que publiquei algumas vezes a comparação entre as previsões do novo guru do PIB americano, o FED de Atlanta, com as do mercado. A seguir as últimas informações disponíveis sobre esse dado econômico para o 2º trimestre.
Parece que desta vez o mercado tinha uma previsão melhor, indicando que neste quesito as coisas vão bem.

Porém, tem algo de estranho acontecendo nos mercados de commodities, um indicador denominado de Continuous_Commodity_Index, que representa o resultado da evolução dos preços de 17 commodities, vem caindo consistentemente.

O gráfico diz tudo, o índice encontra-se nos menores níveis desde de 2009. Tudo cai, ouro, paládio, petróleo, milho, soja, açúcar. É conhecido que estas matérias-primas são bastante voláteis, por exemplo, se uma delas sobe muito de preço, é esperado que sejam atraídos novos investimentos para a elevação de sua produção e que no futuro os preços voltem a recuar. Mas quando o movimento é generalizado, a explicação não é mais específica, é um problema macro. Sob esta ótica, e sem entrar nos motivos da queda, a consequência é inequívoca, este movimento tem efeitos deflacionários.

Acredito que estas discrepâncias não serão suficientes para demover o FED de fazer seu movimento, até para avaliarem qual é o seu impacto. Porém, como já mencionei acima, a grande discussão deverá acontecer mais a frente, depois de umas três garrafas abertas, colocando os juros em 0,75% a.a. lá para dezembro deste ano. Eu realmente espero que o "juros Lafite" não esteja Bouchonné! Não tem outra uva para substituir.

O real encontra-se numa região indefinida, ou uma nova queda abaixo de R$ 2,90 pode acontecer em breve, ou está no caminho de novas altas. Eu sei que previsões assim não são muito úteis para vocês, mas entre eu dar uma de "achista" ou respeitar o mercado, prefiro está última. Let's the market speak, e quando ele se decidir com mais clareza, aí sim nos posicionamos, na dúvida fico fora, dinheiro não é capim!

Vamos ver como anda a comparação entre o real e os nossos pares emergentes. Se alguém tinha alguma dúvida que o movimento de alta do dólar é global, principalmente contra as moedas emergentes, basta observar a figura abaixo com as linhas traçadas em verde.


Agora o interessante é que o real vem performando melhor que este grupo de moedas desde de março, basta acompanhar as linhas em vermelho. Sabem qual o motivo? JUROS! Pois com tudo de horrível que vem acontecendo por aqui, seria de se esperar que o real estivesse caindo pelas tabelas.

Vou relembrar a tabela que publiquei no final do ano passado com o tema para 2015 do Mosca 2015-será-um-ano-feliz?

Agora nos encontramos ou na situação da primeira, ou segunda linha, onde o 'dólar - dólar" se não está em alta, está numa correção. Talvez você seja levado a concluir que a linha dois é a obvia, porém recomendo que leia o post, pois embora figurativamente associe a situação brasileira ao nome de nosso Presidente, não é exatamente isso, e sim, como estão as coisas por aqui.

- David, os ares do exterior fizeram literalmente mal a seus olhos?
Não vou aqui dar uma de otimista só para não ser pessimista, o que aliás é a imagem que às vezes tenho com quem me conhece. Porém, desde que o "salvador da pátria" iniciou sua missão quase que impossível, não vi ele abrir mão de nenhuma de suas convicções, e se deixar levar por pressões que não são pequenas. Enquanto ele estiver lá, há esperanças mais para frente, se sair, aí sim pode degringolar.

Agora não sou eu que digo isso, é o mercado. Quem está apostando só no efeito "Dilma", de acordo com minha definição, não está embolsando nada, muito melhor seria vender, o dólar australiano, o canadense e assemelhados. Eu recebo diariamente um relatório de uma consultoria, que lançou alguns meses atrás o livro o fim do Brasil, com projeções para o real, desprovidas de qualquer análise técnica ou fundamental, puro achismo. Eles se vangloriam de ter acertado na cotação do real, mas esquecem de computar os juros. Prefiro o meu sistema que mede os resultados em $$$, não em palpites!

No post de ontem o-ouro-derreteu, comentei o resultado do trade de real que, de certa forma, confirma o que disse acima, pois mesmo vendendo dólares a R$ 3,15 e recomprando a R$ 3,20, ganhamos um "troco". Mas como fica de agora em diante, veja a seguir.
Como já mencionei o jogo está indefinido, do ponto de vista de momentum o dólar é para cima. Por outro lado, do ponto de vista de Elliott Wave, parece faltar uma queda para completar o movimento. Resumindo isso em números, acima de R$ 3,32 a alta ganha força, o que destaquei com a linha vermelha. Já para a queda do dólar se concretizar, antevejo três pontos, primeiro ao redor de R$ 3,12, depois o famigerado R$ 3,05 e finalmente os R$ 2,90. Enquanto ficar dentro deste intervalo é crédito de juros para o real e prejuízo para o dólar. e são juros de macho, e não nos níveis que o FED pretende comemorar.

O SP500 fechou a 2.119, com queda de 0,43%; o USDBRL a R$ 3,1700, com queda de 0,86%; o EURUSD a 1,0935, com alta de 1,02%; e o ouro a US$ 1.100, com alta de 0,31%.
Fique ligado!

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