Inflação: A Revanche

30 de julho de 2015

FED:"Some"

Um advérbio não deixa claro qual é a medida esperada por quem o define. Um pouco, pode ser uma quantidade diferente para cada pessoa. Por exemplo, ontem eu assisti o jogo Atlético Mineiro 3 x 1 São Paulo. Para minha surpresa o jogo foi excelente com muitas chances de gol. Acontece que o São Paulo quase fez vários gols, bolas na trave, chutes cara a cara, e etc... Por outro lado, o carrasco da noite foi o argentino Lucas Pratto, não errou uma, fez os três gols das bolas que estavam em seus pés. Então do que adianta dizer que o São Paulo não empatou por pouco? Nada!

Como o esperado, as duas reuniões que aconteceram aqui e nos USA tiveram suas decisões de acordo com o previsto. Vamos começar com o BCB que decidiu subir a taxa de juros para 14,25% a.a. Dois fatos merecem destaque, primeiro que o ciclo de alta terminou e daqui para frente é só torcer para a inflação cair, o que está se tornando cada vez mais difícil por causa da alta do dólar, e segundo pelo puxão de orelhas que o diretor de assuntos externos, Tony Volpon, levou. Ele não participou da  votação, embora não tenha feito muita diferença. O motivo foi que ele antecipou na semana passada, que votaria a favor da alta nesta reunião. Pisou na bola! Embora sua capacidade técnica vem sendo muito elogiada pelo mercado.

Já no Hemisfério Norte, o mercado procurou dissecar o comunicado em torno de alguma pista e o que ficou foi somente especulações de quando o FED vai finalmente subir os juros. As dúvidas são as mesmas, o mercado de trabalho e a inflação. Para não ficarem repetitivos incluíram que basta "some inmprovement"  no mercado de trabalho, e estarem convencidos que a inflação está no curso da meta traçada de 2% a.a., para que, os juros finalmente sejam elevados. A interpretação do mercado é que nada mudou e que, ou é em setembro ou em dezembro. O interessante é que no meio deste período existe uma reunião em outubro, por que ninguém coloca esta data como provável? A razão mais evidente é que nessa reunião não existira secção de perguntas e respostas, mas Yellen disse no passado que poderia fazer uma exceção caso fosse necessário. Assim, não descartem esta data.

Analisando-se os juros embutidos nos contratos futuros a probabilidade manteve-se em 40% para o mês de setembro, conforme gráfico abaixo.
O mês de julho está terminado e agosto é tido como um mês ruim para as bolsas de valores, afinal todos saem de férias, inclusive o pessoal do FED, que não são de ferro! Os investidores ficarão de olho nos próximos dados de emprego, a serem publicados na próxima semana e início de setembro.

Agora qual é o "some" que o FED considera suficiente, só eles sabem. Mas como no caso do jogo de futebol, se a taxa de desemprego estiver abaixo de 5%, ou custo unitário de mão de obra subir mais que o esperado, vão ter que agir, mesmo que a inflação não dê sinalizações positivas, O "Lucas Employment" será implacável! Hahahaha....

No post o-ouro-derreteu, comentei sobre a situação delicada em que o metal se encontra: ...não preciso dizer que os dados de momentum são horríveis, não indicando nenhum alento para arriscar uma compra, apenas o preço de US$ 1.050 mencionado ...Uma atitude mais arriscada, seria tentar uma compra com o stop nesse patamar, mas não vou fazer, prefiro aguardar mais algum tempo.... Nada aconteceu de importante, porém pouco a pouco, o ouro se aproxima dos US$ 1.050.

Enquanto as commodities estiverem sob pressão de uma forma mais generalizada, dificilmente o ouro pode ter forças para buscar uma recuperação. Os comentários vistos nos últimos dias são todos muito negativos, com previsões de US$ 900, US$ 700 e até US$ 350. Nós aqui do Mosca vamos ficar observando e caso haja o rompimento dos US$ 1.050, podemos até propor trades de venda, mas por enquanto tudo indica que já existem muitos vendidos, e qualquer frustração pode detonar uma onda de compras.

Quando o Mosca começou a circular o ouro encontrava-se na casa dos US$ 1.900 e a prata em US$ 50 , eu até os chamei na época de pop stars. A nossa orientação geral era de venda, intercalado por momentos de compra, porém o sentido geral era de venda. Com a aproximação dos targets considerados como pontos de reversão, a cautela prevaleceu e arriscamos algumas compras, mas sempre preocupados que o "buraco poderia ser mais embaixo". Este momento pode estar chegando, vai depender de como o metal se comporta, e por enquanto a reação é ruim. Vou respeitar o mercado.

A vantagem da análise técnica, como venho frisando insistentemente, é que, num determinado preço, ela vai te indicar que você estava errado. A partir daí, é necessário fazer uma reavaliação geral. Talvez essa seja a situação do ouro, mas até que os seus níveis mínimos sejam atingidos fico com minhas idéias. Não busco acertar o "bumbum" da mosca, a mosca em si já está bom! Hahaha....

O SP500 fechou a 2.108, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3705, com alta de 1,22%; o EURUSD a 1,0931, com baixa de 0,48%; e o ouro a US$ 1.087, com baixa de 0,83%.
Fique ligado!

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