2018: Vestibular Político

22 de janeiro de 2018

Derrocada do dólar?


O estrategista de macroeconomia da Bloomberg, Mark Cudmore, deu uma entrevista explicando seus motivos para acreditar numa continuidade da fraqueza do dólar, no longo prazo. Mesmo com muitas evidencias que o mercado reconhece para um movimento contrário.

As taxas de juros de longo prazo terminaram a semana passada nos níveis mais elevados em anos, mas o dólar em contrapartida, caiu para o seu nível mais baixo desde o final dos últimos dias de 2014.

Cudmore começou por contrastar o ponto de vista de consenso em 2017, com a sua visão em direção a esse ano: No início do ano passado, os mercados foram dominados pela expectativa de que os EUA liderassem o crescimento, o que sugeriria uma alta da moeda americana.


Este ano, houve uma mudança: os EUA ainda devem ser uma das economias do G-10 de crescimento mais rápido. No entanto, o posicionamento no dólar direciona no outro sentido. Os bonds de 2 anos de prazo tiveram seus rendimentos elevados em cerca de 70 pontos base nos últimos quatro meses.

E então, de repente, o enorme rendimento real negativo que perdurou por muitos anos nos EUA tem se revertido. Assim, tanto o argumento das taxas quanto o argumento de crescimento são muito mais favoráveis ​​ao dólar este ano do que há 12 meses. E, no entanto, o tipo de posicionamento e sentimento mudaram maciçamente.

....” Agora devo dizer que isso me faz pensar que o dólar está vulnerável. Provavelmente uma alta sustentável pode durar várias semanas, ou vários meses. Mas penso, em geral, estruturalmente, em um prazo mais longo, e reitero minha expectativa de janeiro do ano passado, a de que o dólar está em uma tendência de queda de vários anos” ...

O pano de fundo é que o dólar ainda representa cerca de 63,5% das reservas globais. E, no entanto, a economia dos EUA é uma parcela da economia global que diminui lentamente. Atualmente, é cerca de 24,5%.

Agora, o dólar é a moeda de reserva do mundo. Sempre vai manter um prémio em termos de grandes mercados financeiros. Mas esse prémio vai diminuir cada vez mais. Então, o fato de que ainda é 63,5% das reservas parece muito elevado.

Enquanto as autoridades chinesas negavam as notícias de que reduziriam as compras do bonds americanos, vários bancos centrais europeus, incluindo o Bundesbank alemão, disseram que começarão a incluir reservas de yuan pela primeira vez. Para ampliar os balanços, disseram que substituiriam ativos denominados em dólares com ativos denominados em yuan.


Isso apoia a visão de longo prazo de Cudmore de que o nível das reservas denominadas em dólares, detidas pelos maiores bancos centrais é "muito grande”.

Sua visão é estrutural, o mundo ainda tem um viés no sentido do dólar, porém vai começar lentamente a cortar essa posição. Isso será um vento contra a moeda americana. Mas os próximos meses o mercado está muito posicionado contra o dólar, existindo uma chance de recuperação.

Perguntado sobre a possibilidade de que o impacto do aumento das taxas de juros sobre o dólar possa ser adiado, Cudmore crê que a realidade está mais próxima do inverso dessa visão.  Provavelmente Powell continuará o plano de seus predecessores de aumentar a taxa de juros pelo menos três vezes este ano.

A noção de que o dólar enfraqueceria durante os ciclos de alta de taxa de juros na verdade não é tão contraditória: quando a economia global está se expandindo rapidamente, os investidores em mercados desenvolvidos despejam dinheiro no mundo emergente, o que geralmente ocasiona a venda do dólar.

Cudmore diz que concorda que o grande mercado de queda de juros terminou. Mas, tendo dito isso, advertiu que não é “absolutamente altista nos juros”

Acredita que o ganho nos títulos de longo prazo americano de 30 anos terminou há um ano ou mais. Mas isso não significa que é necessário entrar num mercado de alta continuada dos juros. Provavelmente as taxas ficarão contidas num intervalo. Uma situação desinflacionaria existente por conta da tecnologia bem como da demográfica é subestimado pelo mercado.

Essa é uma visão bastante diferente do que o mercado está acostumado a pensar. Uma moeda que tem uma política monetária voltada a elevação de juros associada a um crescimento econômico saudável, é vista pelos operadores de câmbio como uma candidata a se valorizar. Em termos de cenário, é isso que vem acontecendo nos EUA, porém o dólar está se depreciando em relação a todas as moedas. Isso pode ser visto no gráfico a seguir do DXY – dólar Index.


Do ponto de vista técnico anotei no gráfico um nível crucial para as perspectivas futuras do dólar. Hoje o nível desse indicador se encontra em 90.5 e caso retroceda abaixo de 89.0, provavelmente o euro não irá mais buscar o nível que € 1.10 que eu comentei no post começando-pela-china. Em outras palavras, ou o dólar se recupera nas próximas semanas ou um “estrago” de longo prazo estará feito.

No post trump-surfando-onda-da-bolsa-de-valores, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” como se pode verificar, nesse trimestre, o SP500 abandou aquela reta e segue agora em direção aos 2.900. Essa é a referência feita no ano anterior. No caso de a correção começar a partir de 2.900, poderá durar anos, e deveria levar o índice para 2.500 ou 2.200” ...


Desde agosto do ano passado, a bolsa americana ganhou um ímpeto que se pode verificar no gráfico a seguir, caminhando para o Target estabelecido acima de 2.900.


Em mercados de alta, da forma como acontece agora com o SP500, a melhor estratégia é não se mexer na posição, e ir subindo o stoploss. Dessa forma, o mercado vai zerar sua posição quando uma retração maior acontecer, enquanto isso, as altas vão se sucedendo. A recomendação que fiz no post acima é mais do que útil ...” por isso, que não se pode aventurar na venda, não adianta ficar bravo porque está fora da festa e torcer para o índice cair. Minha sugestão, entre na festa e se divirta, mas fique perto da porta de saída” ...

Vou atualizar o stoloss da posição que mantemos para 2.750. Também acabei não atualizando o stoploss dos juros de 10 anos que passa para 2,5%.
O SP500 fechou a 2.832, com alta de 0,81%; o USDBRL a R$ 3,2016, com alta de 0,17%; o EURUSD a € 1,2258, com alta de 0,30%; e o ouro a U$ 1.334, com alta de 0,25%.


Fique ligado!

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