85% de crescimento é pouco? #OURO #GOLD #EURUSD

 


A Nvidia apresentou ontem seu relatório do 1º trimestre e, como vem acontecendo ao longo de mais de uma dezena de trimestres consecutivos, bateu todas as estimativas dos analistas. É natural que uma empresa com valor de mercado de US$ 5,5 trilhões não consiga mais surpreender com crescimento explosivo — mas os números continuam impressionantes para qualquer companhia desse porte. A receita do trimestre atingiu US$ 81,6 bilhões, alta de 85% sobre o mesmo período do ano anterior, superando em 3,4% o consenso do FactSet. A projeção de vendas para o próximo trimestre também foi revisada para cima, para US$ 91 bilhões.

 


O mercado, porém, ficou indiferente. As ações recuaram cerca de 1% no after market. Se o múltiplo de lucros da Nvidia estivesse esticado como o de suas concorrentes mais recentes, um certo ceticismo seria compreensível. Mas não é o caso. O P/L projetado da empresa, calculado na base non-GAAP que o Wall Street usa como referência, está próximo da média histórica de três anos — e abaixo de qualquer rival direta no segmento de chips para IA.

 A tabela abaixo coloca os quatro principais nomes lado a lado, todos na mesma base de comparação:

 

Empresa

Ticker

P/L non-GAAP

Cresc. Receita

Valor de Mercado

Posicionamento em IA

NVIDIA

NVDA

~25x

~85% a/a

~US$ 5,4 tri

GPUs — dominância absoluta (>90% share)

Broadcom

AVGO

~27–34x

~28% a/a

~US$ 1,0 tri

ASICs customizados + networking

AMD

AMD

~45–58x

~34% a/a

~US$ 685 bi

GPUs (MI400) + CPUs EPYC

Intel

INTC

~100–117x

~15% a/a

~US$ 600 bi

Turnaround — foundry + CPUs servidor

P/L projetado non-GAAP NTM · consenso Wall Street · maio 2026

 

Os dados falam por si. A Nvidia é, paradoxalmente, a ação mais barata do grupo em múltiplo de lucros ajustados, apesar de crescer mais rápido e com margens brutas acima de 75% — território de empresa de software, não de fabricante de hardware. A AMD, que não tem sequer 5% do market share no segmento de aceleradores para IA, negocia a até 58 vezes os lucros projetados. A Intel, em plena recuperação, supera 100 vezes. Esse desconto da Nvidia frente às concorrentes é a anomalia que o WSJ destacou esta semana ao declarar que a companhia está sendo subvalorizada mesmo a US$ 5 trilhões.

 


O resultado também confirmou que o poder de precificação da Nvidia continua intacto. Margem bruta de 75% e margem líquida próxima de 56% são números que rivalizam com grandes empresas de software — enquanto a empresa é essencialmente fabricante de hardware. A companhia anunciou ainda um programa de recompra de ações de US$ 80 bilhões, um dos maiores compromissos de retorno de capital da história corporativa.

 


Jensen Huang usou a teleconferência de resultados para anunciar outra guinada estratégica relevante: a Nvidia pretende vender seus chips diretamente para empresas de médio e pequeno porte, reduzindo a dependência dos grandes hyperscalers — Microsoft, Google, Amazon e Meta — que até agora responderam pela maior parte da demanda. A ideia ecoa o que escrevi no início de maio: “Você vai comprar chips da Nvidia no supermercado.” A base de clientes se expande, e com ela a previsibilidade de receita. Huang também reafirmou que a plataforma Vera Rubin, próxima geração de processadores, deve começar a ser entregue no segundo semestre deste ano.

Minha leitura não é que o mercado se decepcionou com a Nvidia. O que está acontecendo é outra coisa: os investidores andam em busca de quem pode ter crescimento estelar nessa nova era da IA — as empresas que vão surfar a onda sem carregar o peso de já valer US$ 5 trilhões. Essa rotação é legítima. Mas existe um elemento que costumo voltar sempre que penso no tamanho do que está sendo construído: energia. Toda essa infraestrutura de IA, sejam os chips, os data centers, os robôs, os veículos autônomos, vai demandar volumes extraordinários de eletricidade. Os usuários também. Será que a commodity mais sem graça que existe vai se tornar a grande coqueluche da próxima fase?

 

Análise Técnica

No post “2026-um-data-center-no-espaço” fiz os seguintes comentários sobre o ouro:

 “Se eu estiver certo na formação deste triângulo, duas coisas vão acontecer: posso fazer um “paste copy” toda semana; e por um tempo vocês vão perder o interesse pelo metal. Mas é exatamente isso que essa formação induz — uma certa letargia”

 


O metal sofreu pressão na última semana por conta da alta dos juros comentado no post de ontem, o que ocasionou eu ter que empurrar a onda (B) vermelha mais para a direita. Nenhum problema por enquanto na opção do triângulo, mas vou ficar desconfiado se os preços adentrarem na região que denominei de “Atenção”.

 


No post acima fiz a seguinte observação:

“O leitor poderia se perguntar por que não aproveito as idas e vindas”. A razão é que só saberei que é um triângulo na última perna, onda E laranja, e teria que ser mais rápido para eventuais correções de rumo”.

Se tivesse comprado o trade já estaria no negativo.

 Em relação ao euro meus comentários foram:

 “Nenhuma definição de curto prazo — continua da mesma forma comentada acima. Resolvi publicar o gráfico com janela semanal; os objetivos estão dentro do retângulo azul, onde os primeiros, entre € 1,2349 e € 1,2522, são os mais prováveis”

 


O gráfico diário não deixa dúvida da indecisão do euro e da complexidade dessa correção. Durante aproximadamente um ano se encontra contido na região destacada no retângulo verde, tentou romper duas vezes para cima e duas para baixo sem que houvesse uma definição. Estou fora de mercados com essa configuração!

 


O S&P 500 fechou 7.445, com alta de 0,17%; o USDBRL a R$ 5,01600, sem alteração; o EURUSD a € 1,1621, sem alteração; e o ouro a u$ 4.541, sem alteração.

Fique ligado!

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