Liquidação de tokens #OURO #GOLD #EURUSD
Nos últimos dias
a inteligência artificial recebeu a notícia que muita gente na área de
tecnologia sabia que viria, mas que ninguém queria que chegasse tão cedo: a
guerra de preços nos tokens começou de verdade, e não esperou nem a Black
Friday. Bancos de investimento que vinham modelando a abertura de capital da
Anthropic e da OpenAI estão revisando essas contas agora, e a razão é simples:
o valor dessas empresas foi calculado supondo que elas cobrariam um preço que
já não é mais garantido.
O problema começa
numa pergunta que parece técnica, mas não é: quanto custa, de fato, usar um
destes modelos? A resposta não está no preço por token, porque cada modelo
consome uma quantidade diferente de tokens para chegar ao mesmo resultado. Um
estudo do JP Morgan tentou corrigir essa distorção comparando não o preço do
token isolado, mas o custo de executar a mesma tarefa até o fim. E quando se
olha por esse ângulo, a conta muda inteiramente a favor dos concorrentes mais
baratos.
O caso que mais
chamou atenção foi o do modelo chinês Kimi K3, da Moonshot AI, hoje o maior
modelo de peso aberto já lançado, com 2,8 trilhões de parâmetros contra 1,5
trilhão do modelo mais avançado da Anthropic. O preço cobrado por ele é uma
fração do que cobram os modelos americanos de ponta, e se o desempenho for
mesmo comparável ao que a empresa promete, a diferença de custo é enorme. Não é
exagero dizer que os modelos chineses já respondem por algo entre 30% e 60% das
consultas nas plataformas que agregam diferentes fornecedores de inteligência
artificial, e o intervalo de qualidade que ainda separa esses modelos dos
americanos está praticamente fechado.
Índice de inteligência artificial (qualidade) vs. custo por tarefa
executada — fonte: Artificial Analysis / J.P. Morgan Asset Management, julho de
2026.
E aqui vai o ponto que eu acho que poucos comentaristas notaram: essa pressão não vem só da China. Empresas americanas também estão jogando no mesmo jogo. A Meta lançou seu próprio modelo de baixo custo, assim como a empresa de inteligência artificial ligada à SpaceX, e uma companhia chamada Thinking Machines lançou um modelo de peso aberto que já está sendo usado por gestores sofisticados para treinar sistemas próprios a um custo muito menor do que licenciar os modelos fechados das grandes plataformas. Um fundo que testou essa abordagem conseguiu treinar, com seus próprios dados, um sistema que superou os modelos mais caros da Anthropic e da OpenAI numa tarefa específica de filtragem de notícias, gastando uma fração do custo.
O curioso é que, enquanto o preço do token desaba, a demanda pela infraestrutura que sustenta tudo isso não dá sinal de arrefecer. A Alphabet, dona do Google, superou as expectativas de resultado do segundo trimestre, mas suas ações caíram forte depois do anúncio, na mesma teleconferência, de que pretende aumentar ainda mais o investimento em capacidade computacional. O mercado, pela primeira vez em muito tempo, começou a fazer a pergunta óbvia: se o preço do produto final está caindo tão rápido, quem vai pagar a conta de todo esse investimento em infraestrutura que segue crescendo sem parar?
Do lado chinês, a
resposta parece ser o próprio governo. Um grupo de fundos ligados ao Estado
entrou comprando ações de tecnologia em bloco, e o setor de tecnologia do
principal índice chinês subiu 9% num único dia, a maior alta desde que a
liderança do país fez, em 2024, uma declaração de que faria "o que fosse
necessário" para sustentar a economia. A leitura mais interessante que eu
vi sobre esse episódio veio de um analista da Gavekal, que notou uma ironia e
tanto: a China, sob sanções americanas de semicondutores, foi forçada a jogar
com disciplina de capital, buscando soluções mais baratas e eficientes porque
não podia simplesmente jogar dinheiro no problema. Os Estados Unidos, ao
contrário, estão gastando capital do jeito que se esperaria da China antiga. E,
pelo visto até agora, o modelo disciplinado está funcionando muito bem.
Ações de tecnologia chinesas (CSI-300) e sul-coreanas (Kospi) nas
últimas sete semanas — fonte: Bloomberg Opinion.
Há ainda um
paralelo que me parece o mais revelador de todos, levantado por um estrategista
técnico do JP Morgan: no início dos anos 2000, as empresas de equipamento de
telecomunicações continuaram subindo na bolsa mesmo depois que as operadoras de
serviço de telecomunicações, que eram as clientes finais, começaram a perder
força. O padrão se repete agora: os fabricantes de semicondutores seguem
subindo com força, enquanto as grandes plataformas de tecnologia, que são as
clientes finais de toda essa cadeia, já mostram o fluxo de caixa livre
despencando diante do peso do investimento em inteligência artificial. Quando o
vagão da frente começa a capengar e o último vagão do trem continua acelerando,
a história do mercado já ensinou várias vezes como esse capítulo termina.
Paralelo 1999-2000: equipamento de telecom subiu mesmo com serviços de
telecom em queda — fonte: J.P. Morgan Asset Management.
Hoje: semicondutores seguem subindo enquanto o fluxo de caixa livre
das grandes plataformas despenca — fonte: J.P. Morgan Asset Management.
Eu não sei ainda
dizer se estamos vendo o início de uma correção de expectativas ou apenas um
ajuste natural de um mercado em que a concorrência finalmente apareceu. Mas uma
coisa me parece certa: a narrativa de que os modelos de inteligência artificial
mais caros teriam sempre a vantagem competitiva por qualidade está sendo posta
à prova, e as avaliações de mercado que foram construídas sobre essa premissa
vão precisar se ajustar. A liquidação nos tokens já começou. E, como toda
liquidação, ela não pergunta se o dono da loja estava preparado para ela.
Análise Técnica
No post “Nem tudo
é um Panamá” fiz os seguintes comentários sobre o ouro:
“O ouro está no
caminho de novas baixas, ficando mais provável o objetivo ao redor de US$ 3.600
(...) Na minha contagem, estamos numa onda IV azul.”
Surgiu uma dúvida
por conta dos últimos movimentos. A questão é se a onda 5 azul terminou e, por
consequência, toda a sequência de baixa, ou se a onda 4 azul está em andamento.
Tracei no gráfico abaixo as condicionantes a serem seguidas:
- Acima de US$
4.200 – observar se 5 ondas são formadas e preparar para comprar na retração.
- Abaixo de US$
3.945 – onda 5 azul em andamento.
No meio desse
intervalo, nem pensar em fazer alguma coisa!
Em relação ao
euro, comentei:
“Observando o
gráfico de forma visual, a única coisa que consigo dizer é que, desde o início
de 2026, ele está com uma tendência de baixa, mesmo assim alternando com alguns
suspiros. Muito pouco para se aventurar em alguma posição.”
Existe uma
pequena coincidência entre o gráfico do euro e do ouro, mas o primeiro não deu
sinal de alta; pelo contrário, observado numa janela de duas horas, é uma total
bagunça de idas e vindas sem que se observe nenhuma tendência mais clara.
Continuo com as salvaguardas de € 1,15 como um sinal para se observar a
conclusão de 5 ondas, ou abaixo de € 1,1324, onde a opção de queda ganha
tração.
O S&P 500
fechou a 7.408, com queda de 1,21%; o USDBRL a R$ 5,0997, com alta de 0,63%; o EURUSD
a € 1,1378, com queda de 0,29%; e o ouro a U$ 4.094, com queda de 1,95%.
Fique ligado!
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