Inflação: A Revanche

20 de julho de 2016

BCB: Sob nova direção


Desde que Ilan Goldfajn assumiu a Presidência do BCB, fez declarações dando algumas pistas de como pretende administrar a política monetária brasileira. Um item que fez questão de deixar claro, é que a meta de inflação existe para ser cumprida, e desvios só deveriam acontecer por situações temporárias. Tudo isso é muito diferente do que vinha sendo feito até agora, pois seu antigo Presidente, Alexandre Tombini, deixou-se influenciar por pressões políticas vindas do Planalto.


No gráfico acima, pode-se constatar que desde a sua implantação em 1999 até agora, a inflação raramente ficou na meta – linha laranja. Coincidentemente, ou não, esse foi o período em que o PT esteve à frente da nação. Mas foi a partir de 2014 que, vergonhosamente a inflação se descolou da meta.

Nos últimos meses a inflação vem dando sinais de arrefecimento e o último dado do IPCA foi de 8,84% a.a., ainda muito superior à meta estabelecida de 4,5% a.a.

Hoje se encerra a primeira reunião do COPOM com a nova equipe completa, e a maioria dos analistas espera que a taxa SELIC seja mantida em 14,25% a.a. O mercado deu a Goldfajn e Henrique Meireles o benefício da dúvida quando o assunto é inflação. Para que se tenha uma ideia, a inflação calculada entre os títulos prefixados e os pós fixados em IPCA, para daqui a dois anos, resulta numa queda expressiva, como mostra o gráfico a seguir.


Ilan tem uma larga experiência nos mercados financeiros e sabe bem que esse período de lua de mel, tem prazo definido. Se nos próximos meses os resultados não forem obtidos, o mercado poderá ter uma reação contrária a atual. Assim, neste momento quanto mais conservadoras forem suas decisões, maior a probabilidade de que tenha sucesso no futuro.

Dado o exposto acima, acredito ser praticamente nula a chance de um movimento de queda da taxa na reunião de hoje, assim o importante será avaliar o comunicado e, mais precisamente, a ata a ser publicada na próxima semana.

Já, de um ponto de vista global, os títulos dos mercados emergentes tiveram uma boa recuperação desde o início de 2016. Entretanto, ainda estão muito distantes, se comparados aos países desenvolvidos, onde diariamente as taxas atingem recordes de baixa - a alta dos preços dos títulos, significam queda dos juros implícitos nesses ativos.



Num mundo movido a busca de algum rendimento, e admitindo que não se vislumbra uma alta dos juros nos países desenvolvidos, é razoável supor que a valorização dos emergentes deva continuar. Somente no caso de uma crise externa ocasionada por fatores deflacionários, poderia manter e até aumentar este diferencial.

Hoje o comentário será sobre o SP500, afinal um trade aconteceu durante minha ausência. No post road-map, fiz os seguintes comentários: ...” O SP500 fechou hoje na máxima e a cada vez mais, a chance de rompimento do nível de 2.130 se eleva, desafiando todos os grandes investidores que estão apostando na queda. Caso haja o rompimento a alta vai ser expressiva, merece uma aposta se acontecer. Coloque um stop curto ao redor de 2.050”.... Este rompimento acabou acontecendo no dia 08/07.

 
O stoploss pode ser mantido no nível estabelecido acima de 2.050 e os targets estão anotados no gráfico acima, vamos nos atentar ao primeiro ao redor de 2.220. A bolsa americana encontrava-se “encaixotada”, a aproximadamente dois anos, entre 1.850 – 2.130. Daqui em diante é muito importante que continue subindo, pois sempre existe o risco de esta alta culminar num rompimento falso.

O barômetro de medição da volatilidade do mercado encontra-se em níveis historicamente baixos, vistos anteriormente quando a economia se encontrava em plena recuperação, durante 2004 – 2007, até que a crise imobiliária aconteceu e as bolsas voltaram a cair.


É verdade que o mundo hoje em dia é muito diferente de qualquer outro momento, não se viveu injeções de liquidez por diversos BC’s, taxas de crescimento minúsculas e juros negativos. Mas gráfico é gráfico, e não se importa com argumentos. Vamos em frente!

O SP500 fechou a 2.173, com alta de 0,43%; o USDBRL a R$ 3,2540, com alta de 0,16%; o EURUSD a 1,1013, sem variação e o ouro a US$ 1.314, com queda de 1,25%.

Fique ligado! 

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