Inflação: A Revanche

21 de julho de 2016

Padrão Internacional

Ontem eu comentei sobre a nova equipe do Banco Central sob o comando de Ilan Goldfajn. O comunicado disponibilizado no final da tarde, não deixa dúvidas do que venho frisando, agora o padrão do nosso BC, em termos de política monetária é de primeiro mundo.

De uma maneira geral o conteúdo nesse novo modelo foi de agrado geral do mercado. Contendo informações mais detalhadas sobre os motivos que sustentam sua decisão, se contrapõe ao modelo antigo, onde de uma forma lacônica, apenas informava qual seria o novo nível de juros e quantos dos membros foram favoráveis a essa decisão.

Quanto ao resultado observado no post de ontem BC-sob-nova-direção, também se confirmou: ...” neste momento quanto mais conservadoras forem suas decisões, maior a probabilidade de que tenha sucesso no futuro”... ...” acredito ser praticamente nula a chance de um movimento de queda da taxa na reunião de hoje, assim o importante será avaliar o comunicado e, mais precisamente, a ata a ser publicada na próxima semana”...

Enfatizando a resiliência dos produtos agrícolas; incertezas na aprovação de medidas pelo Congresso; e um período longo com inflação elevada, que podem reforçar mecanismos inerciais, praticamente colocou uma pá na expectativa de queda de juros no curto prazo. Alguns analistas apostam que isso possa acontecer na reunião de outubro, enquanto a Rosenberg & Associados espera esse movimento para janeiro do próximo ano.

Hoje foi publicado o IPCA-15 para o mês de julho, que ficou acima das expectativas do mercado em 0,54% no mês e 8,9% a.a. Embora seja um dado intermediário, uma vez que o mensal é publicado no início de agosto, as preocupações levantadas pelo COPOM são válidas.

Gostei! Esse primeiro gesto dessa equipe confirma a imagem que tenho do Ilan, de um profissional competente e extremamente bem preparado. Embora o Mosca tem uma imagem de “jurista” perante alguns leitores, a realidade é que os juros não podem cair por simples desejo, tem que estar baseados em fatos que assim o justifique, gerando em seguida credibilidade entre os agentes econômicos, que assim, pavimentam com solidez expectativas futuras de controle sobre a inflação.

Enquanto se discute o que irá acontecer com a Inglaterra depois do Brexit, os impactos do terrorismo pelo mundo e a grave situação política na Turquia, o mundo se esqueceu da China, cuja economia ainda não deu sinais de estabilização, um risco considerável para o equilíbrio frágil em que vivemos. Os gráficos a seguir mostram que esses receios são bastante pertinentes.


Desde o ano passado, o banco central Chinês vem buscando uma forma organizada, desvalorizar sua moeda. Depois de algumas tentativas desastrosas, como a ocorrida em agosto último, decidiu pelo método na “moita”, vagarosamente em degraus. Dessa forma, o yuan se desvalorizou 10% da mínima atingida no início de 2014. Embora não seja um indicador elevado para os padrões normais de câmbio, conseguiu estancar as elevadas perdas de reservas do segundo semestre de 2015.


Notadamente a cotação aproxima-se do nível destacado acima de 6,75 – 6,90. Nesse período crítico de 2008, enquanto o dólar oscilou muito, a moeda chinesa permaneceu estática totalmente ancorada no dólar. Do ponto de vista técnico esse é um intervalo importante e que, se rompido, poderão haver novas perdas de reservas. É bom ficar de olho!

No post road-map, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” Minha aposta é que o Bovespa ainda está completando sua correção que terminaria ao redor de 57.000, conforme apontado no gráfico. Somente acima desse nível poderemos afirmar que o nosso índice acionário irá buscar novas máximas”...


Depois de subir a bagatela de 50% desde janeiro deste ano, o Bovespa encontra-se agora próximo a um ponto muito importante, com uma visão de longo prazo. Tecnicamente, dos ativos que acompanho, é o que mostra o mais forte sintoma de alta, impecável. O Mosca teve a sorte de apontar e sugerir uma compra nas mínimas, mas saímos muito cedo. Essa conclusão sempre fica mais fácil ex-post.


Como sempre enfatizei aos leitores, o Bovespa é um ativo que pouco acompanho e talvez esse seja o motivo de sugerir poucos trades. Não dá para fazer tudo! Agora, só resta saber se o Bovespa vai seguir em frente e buscar níveis mais elevados e porque não, acima de 73.000, ou retorna ao movimento de baixa que perdura desde 2010. Vamos acompanhar as próximas semanas, mas tenho a impressão que não será fácil esse rompimento, Let´s the market speak!” 

O SP500 fechou a 2.165, com queda de 0,36%; o USDBRL a R$ 3,2710, com alta de 0,52%; o EURUSD a 1,1023, sem variação; e o ouro a U$ 1.330, com alta de 1,22%.
Fique ligado!

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