Inflação: A Revanche

26 de julho de 2016

Trump x Hillary


Nestes meses de férias do hemisfério norte, onde a maioria dos participantes de mercado deve estar de férias, somente os atos terroristas vêm chamando a atenção do público. Não passa nem um dia sem que um ataque aconteça em alguma parte do mundo. Ao receber a notícia de um padre que foi morto hoje na França, de imediato se associa como um ato terrorista, tamanho é o temor por esses grupos. Talvez haja um certo exagero em fatos cotidianos que já aconteciam anteriormente, mas não ganhavam o destaque de hoje em dia.

Outro assunto que está chamando a atenção é a eleição para Presidente dos USA, que deve acontecer dentro de alguns meses. Com os candidatos definidos pelos dois partidos majoritários, o clima tende a esquentar e muito. Os institutos de pesquisa apontam resultados quase que equiprováveis entre ambos, alguns dando vitória apertada para Hillary e outros para Trump.

Tive a oportunidade de discutir esse assunto com alguns americanos e todos eles não acreditam que Trump possa vencer. Eu pessoalmente já fiz algumas apostas contrárias, não porque eu tenha alguma simpatia por Trump, para falar a verdade nenhuma. Seu caráter é muito questionável, quando levou várias de suas empresas a bancarrota. O motivo de minhas apostas é o mesmo princípio do Mosca em seus trades, o bolso! Hahaha .... Além do mais, nos debates eu imagino que o Trump vai massacrar sua oponente. Veremos!

Já a renomada empresa de pesquisa econômica Gavekal, faz uma análise interessante dos possíveis impactos na bolsa americana e por consequência os ativos de risco. Eles argumentam que os BC’s ao redor do mundo têm o objetivo nos dias atuais de evitar uma grande queda das bolsas, dessa forma, tomam medidas a fim de evitar que isso aconteça, o que ficou conhecido na era Greesnpan como “The FED put”. Caso algo de ruim acontecesse, o FED tomaria medidas para que a bolsa estancasse a queda. É como se o FED  “desse” uma opção de venda de graça, incentivando os investidores a assumir risco.

Em seus modelos calculam que, dos valores intrínsecos na bolsa americana, 15% - 25% do índice representa essa garantia implícita dado pelo FED e assemelhados. Numa vitória de Hillary o modelo seria mantido, uma vez que, ela é a candidata para os que mais se beneficiaram desse modelo. Já no caso da vitória de Trump, como ele mesmo vem enfatizando em sua campanha, o fato de ser suficientemente abastado não o faz refém dos interesses dos “ricos”.

Segundo a Gavekal, os investidores e mesmo os BC’s estrangeiros deveriam ficar preocupados com suas posições em ações, pois Trump deve trabalhar para o desaparecimento dessa “put”. Ele vem expressando suporte para que o FED seja auditado, e assim poderá impor novas regras regulando a ligação entre o banco central e os mercados.

A partir do momento que as chances de Trump aumentam, os investidores poderiam ficar receosos em relação as suas posições induzindo a venda. Um círculo vicioso pode-se formar antes mesmo de sua posse, comprometendo o movimento de alta. Essa dinâmica pode levar a consequências sérias nos ativos de risco. Essa empresa sugere que se busque proteção para os portfólios de seus clientes com a compra de opções de venda, só que agora o prêmio tem que ser pago!

Se Trump for eleito Presidente dos USA, além de suas posições racistas e nacionalistas que vêm preocupando boa parte das pessoas, o mercado financeiro poderá ter sérios impactos com repercussões em outros países, afinal a orgia dos juros negativos empurrou novos investidores a bolsa em busca de algum retorno.

Sobre esse assunto de juros, o Deutsche Bank publicou uma série de dados sobre a composição da dívida pública americana. No gráfico a seguir, mostra a queda na compra de títulos do governo por parte dos bancos centrais estrangeiros.


Com uma visão de mais longo prazo, o gráfico a seguir que acumula os valores em base de 12 meses, percebe-se claramente a preferência dos estrangeiros por títulos com rendimentos mais elevados como: IG - Investment Grade; HY – High Yield; MBS – Mortgage Backed Securities, em detrimento dos títulos do governo. Isso indica que não existe fuga pela qualidade e sim por juros!


No post road-map, comentei que os juros americanos de 10 anos rumam para níveis mais baixos: ...” Se vários países desenvolvidos têm juros negativos por que não os USA? É o que diz o gráfico dos juros de 10 anos, a taxa deveria caminhar para algo em torno de 0,5% a.a”...

Depois de atingir a mínima de 1,32% a.a., logo após o anúncio do resultado do Brexit, vem se recuperando, encontra-se hoje em 1,56% a.a. Não é incomum que após o rompimento de um suporte o mercado retrone para testar novamente aquele preço, voltando a cair em seguida, esse efeito se denomina como “last kiss”.


Em algum momento os juros terão que subir, estão muito baixos sobre qualquer ótica, o problema é que não se sabe a partir de qual mínima. A grande questão é que a um tempo atrás, 100% das pessoas acreditavam que abaixo de zero era impossível, mas hoje em dia nem isso é mais verdadeiro.

O Mosca não tem a menor intenção de desafiar o mercado, pelo contrário, respeitamos mesmo quando vai contra nossa lógica ou crença. No caso específico dos juros, enquanto o nível de 1,75%  a.a.. não for ultrapassado, o mercado é para baixo e o patamar de 0,5% a.a. ainda é o mais provável.

- David, então por que você não aposta?


Opa, voltou de férias? Hahaha ... A resposta é que não tenho nenhuma indicação de curto prazo para entrar nesse trade, além do mais, esse mercado fica mais perigoso quanto mais se aproxima de níveis mais baixos. Agora que você voltou, recomendo acompanhar o blog para uma eventual sugestão.

O SP500 fechou a 2.169, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2762, com baixa de 0,30%; o EURUSD a 1,0986, sem variação; e o ouro a US$ 1.319, com alta de 0,30%.
Fique ligado!

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