Inflação: A Revanche

19 de janeiro de 2016

Acabou a moleza

Para quem estava acostumado a investir seus recursos em ativos de risco, como se eles não tivessem risco, este período terminou. Daqui em diante é melhor acostumar-se com a volatilidade nos moldes do passado. Com tantos anos, com oceanos de liquidez propiciados pelos maiores Bancos Centrais do planeta, tudo parecia céu de brigadeiro. Mas não é uma mudança neste último fato que visiono para estes novos tempos, ao contrário, alguns deles como o BCE e O BOJ ainda continuam injetando recursos, mas é sobre os grandes desafios que a economia chinesa deverá encontrar nos próximos anos.

A importância da China, não é necessário mais frisar, pois sendo a 2º maior economia do mundo, como não poderia ser dessa forma? Acontece que esta marca memorável foi conseguida através de políticas intervencionistas, que criaram distorções e forte desequilíbrios  macroeconômicos. Essas ações, é de amplo conhecimento público que poderia ser resumida da seguinte forma:

1) Taxa cambial atrelada à cotação do dólar americano - depois de uma desvalorização de 50% implementada em 1994, ficou durante uma década nestes níveis, somente após 2008 uma flexibilidade controlada foi permitida;

2) Política comercial voltada à exportação de produtos - Mantendo um câmbio depreciado, mão de obra em abundância e barata, atraiu companhias multinacionais a se instalarem no país;

3) Elevados níveis de poupança interna - A China vem acumulando reservas cujo volume atualmente encontra-se em mais de US$ 3,0 trilhões. Isso facilitou o financiamento do déficit dos países desenvolvidos, principalmente os USA, deprimindo os juros dos títulos de longo prazo;

4) Elevados níveis de investimento interno - Vários projetos de infra estrutura demandaram volumes crescentes de commodities, impulsionando a exportação dos países produtores, onde o Brasil se encaixou;

5) Baixos níveis de consumo interno - Com uma população que migrou dos campos para os grandes centros, com uma renda per capta em níveis baixos, a falta de um sistema de saúde adequado, bem como, sem um  plano de previdência, faz com que a população mantenha elevados níveis de poupança.

Acontece que esta situação é insustentável e o governo chinês iniciou um processo de desregular sua economia, buscando liberar o câmbio e modificar a participação da parcela de investimentos e consumo. Isso parece mais fácil falar que fazer! Como cita o analista do Banco Goldaman Sachs, num extenso relatório: ..." Nós esperamos que a China seja uma fonte de volatilidade significativa nos mercados financeiros bem como, nas economias dependentes de commodities, por vários anos. A China possui um grande dilema e tem poucas alternativas atrativas. Enfrenta a difícil tarefa de rebalancear sua economia no sentido do consumo propiciando um crescimento mais sustentável, e ao mesmo tempo evitar ajustes que possam desestabilizar sua economia"... ..."Se as reformas forem implementadas muito rapidamente, o país pode enfrentar uma rápida desaceleração. Se por outro lado, for muito lenta e não completa, o país enfrentará uma elevação insustentável na relação dívida sobre o PIB, podendo levar a uma instabilidade política"...Sua recomendação é de reduzir as posições em mercados emergentes!

Se você estava acostumado a desfrutar seus ganhos com tranquilidade em viagens, principalmente para o exterior, daqui em diante tudo ficará mais difícil. Primeiro que suas carteiras de investimentos serão ajustadas para baixo, mesmo que tenha só títulos de renda fixa. Comprar papéis do Banco do Brasil achando que é igual ao Rabobank, não é! Segundo a alta do dólar veio para ficar. Alguns leitores ao me encontrar perguntam quando o dólar vai cair. Eu sei que eles têm na cabeça, não uma queda eventual a R$ 3,70 - R$ 3,50, e sim o saudoso R$ 2,00. Esqueçam! Assim, viajar para o exterior só tem duas alternativas, ou não se calcula os gastos com o equivalente em reais, ou como disse um amigo ..."estou gastando os dólares velhos"!... Hahaha... Tudo ficou muito caro.

Como vocês leram nos jornais de hoje, foi divulgado o PIB da China que ficou em 6,8% a.a. Este número tranquilizou os mercados pela manhã, afinal, embora um pouquinho mais baixo que o esperado, que país poderia ficar triste com esse número? Alguns analistas questionam este dado, como já apresentei em vários posts publicados. Quem está certo? Só o governo que coleta os dados poderia responder se existe ou não manipulação, ou melhor, uma "pedalada"! Hahaha...

No post mosca-se-aproximando, alertei para um nível muito importante que a bolsa brasileira se aproximava: ...Ao verificar pela manhã os mercados, notei que o intervalo acima foi rompido e o Ibovespa encontra-se agora em 41.700 pontos, caminhando para o nível que irá sugerir uma compra... E finalmente o Ibovespa chegou lá, ultrapassando o nível de 39.000, uma vez que a mínima foi de 37.937. 

Ontem eu recebi de um leitor o seguinte Whatsapp
Leitor: David onde é o fundo do poço?
Resposta: Vale uma nota esta resposta.
Leitor: Desce do muro!!! Rs

Se eu fosse um analista com menos experiência, tenderia a induzir esse leitor a comprar o que tem e o que não tem na bolsa brasileira, afinal chegou o target que eu aguardava há muito tempo. Mas já sou "macaco velho" e aprendi, perdendo dinheiro, que tentar pegar uma faca quando está caindo pode machucar muito.

Eu sei que eu ficaria bonito na foto se por sorte acertasse o bum-bum da mosca, até seria compelido a mudar o nome do blog para Acertar no bum-bum da mosca! Hahaha... Fora esse troféu para o ego, que diferença faria no bolso ao comprar um pouco mais caro, mas com com mais evidências? Mínima. É por esta razão que não fiz a recomendação, veja o porquê a seguir.


Eu anotei acima os três bons motivos que sugerem uma compra nos níveis atuais: 1) Uma formação de "livro texto" de um duplo zig zag, segundo a teoria de Elliott Wave; 2) Todas as vezes em que a bolsa tocou nas linhas paralelas indicadas no gráfico houve uma reversão; 3) Este é um nível de retração onde existe uma boa probabilidade de reversão.

Tudo isso são boas evidências, mas somente reações no sentido contrário poderão dar uma confirmação mais segura, e essas não existem até o momento. Por exemplo, caso a bolsa continue caindo, não tem nenhum problema para a tese de alta, desde que o nível de 29.400 não seja rompido. Mas quem está disposto a comprar agora e arriscar mais 30% de queda? Eu não! 

- David, vai afinar?
Entendi, vamos ao botton line, sugiro que vocês arrisquem um pouco (a critério de cada um), nos níveis atuais 38.000 com um stop a 36.000, uma perda de 5% , e vamos acompanhando. 
  
O SP500 fechou a 1,881, sem variação; o USDBRL a R$ 4,0619, com alta de 0,19%; o EURUSD a 1,0912, com alta de 0,20%; e o ouro a US$ 1.086, com queda de 0,20%.
Fique ligado!

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