Inflação: A Revanche

27 de janeiro de 2016

Um oásis no deserto

Como acontece mensalmente, hoje participei da reunião de macroeconomia na Rosenberg, com a casa cheia. O cenário internacional tomou boa parte das discussões, na tentativa de esclarecer a elevada correlação entre as bolsas de valores e o petróleo, que do ponto de vista acadêmico não faz sentido. Várias hipóteses foram levantadas sem que houvesse alguma conclusão.

A maior polêmica surgiu com uma pergunta, cuja resposta vale alguns bilhões de dólares: "Alguém trabalha com a possibilidade dos USA entrar em recessão - o que se denomina de double dip? Parece que todos não acreditam nesta hipótese, porém sem muita convicção. O que sim foi convicto, é que caso ocorra, não seria nada bom.

Quando o assunto foi a economia brasileira, apresentou-se mais do mesmo, uma continua deterioração, sem muitas perspectivas de uma virada. Alguns acreditam que no 2º semestre possa melhorar um pouco, mas é só isso. Porém existe um setor que está indo muito bem, o externo.

Ontem publicou-se o déficit em transações correntes para o ano de 2015, e o mesmo recou para 3,3% do PIB. O déficit saiu de US$ 104,3 bilhões em 2014, para fechar 2015 em US$ 58,9 bilhões, uma queda significativa de 43%. Além desse resultado inesperado pelos economistas, as subcontas merecem destaque.


Começamos pela balança comercial que atingiu um superávit de US$ 17,7 bilhões. É verdade que graças a queda expressiva das importações. Por outro lado as exportações estão se estabilizando, em bases anuais. Esperasse para 2016 um superavit entre US$ 30 - 40 bilhões.

Na conta de serviços houve uma queda de U$ 48 bilhões em 2014 para US$ 37 bilhões em 2015. Com reduções em todos os subitens: transportes, aluguel e viagens internacionais.

Na conta de rendas uma redução de US$ 10 bilhões, quando comparada a de 2014. O resultado ao final de 2015 somou US$ 42,4 bilhões.

Do lado do financiamento, houve redução do investimento direto que passou de US$ 96,9 bilhões em 2014 para US$ 75,1 bilhões em 2015. Mesmo com uma queda de 22%, à de se considerar o cenário extremamente adverso para os países emergentes, aliado a grave crise política em que vivemos. Mesmo assim, este saldo é suficiente para financiar o déficit atual com folga.

As reservas internacionais encontram-se estáveis ao redor de US$ 370 bilhões. A dívida externa total brasileira de longo prazo atingiu US$ 227 bilhões, o que poderia ser liquidada integralmente pelas reservas e ainda sobrar um "troco"! Hahaha...

Não fosse a situação política em que vivemos, seguramente a taxa de câmbio estaria mais baixa que os atuais R$ 4,05. Um modelo desenvolvido pela Rosenberg que separa os fatores externos dos internos, aponta para um câmbio de R$ 3,50, mas poderia ser mais baixo ainda dependendo da forma que o BC atuasse em relação aos swaps cambiais. Mas tudo isso são hipóteses irreais, e teremos que conviver com o custo "Dilma".

A repercussão destes resultados na imprensa foi pequena, acabou perdida dentro do noticiário mais corriqueiro de brigas entre o PT e PSDB/PMDB, lava jato e outras mais.

As histórias que se contam dos desertos, é que ao ficar fatigado pelas altas temperaturas, as pessoas se iludem com miragens. Entretanto, as contas cambiais brasileiras são reais, existe água! Talvez poucos países emergentes possuam uma situação externa, tão confortável como a nossa. O que estraga no nosso caso é o deserto, pois até a areia anda sumindo! Hahaha...

No post acabou-a-moleza, expus quais eram os motivos que me levavam a propor um trade de compra do índice Bovespa: ...1) Uma formação de "livro texto" de um duplo zig zag, segundo a teoria de Elliott Wave; 2) Todas as vezes em que a bolsa tocou nas linhas paralelas indicadas no gráfico houve uma reversão; 3) Este é um nível de retração onde existe uma boa probabilidade de reversão....Porém, enfatizei também os riscos envolvidos: ...Tudo isso são boas evidências, mas somente reações no sentido contrário poderão dar uma confirmação mais segura, e essas não existem até o momento....


Nosso nível de entrada foi 38.000 e estabeleci um stoploss a 36.000. Nos dias subsequentes ao trade, algumas quedas menores aconteceram, sendo que na última quarta-feira, atingiu a mínima de 37.040. Hoje o mercado está subindo 2,5% e pode ser uma boa notícia. Agora é necessário que esta ultrapasse os 39.500. Se isso acontecer, provavelmente vou alterar o stop.


Não quero que vocês fiquem "excited", não existe nenhuma garantia que de repente não volte a cair. Como anotei no gráfico, somente acima de 43.000, posso afirmar que algo melhor está acontecendo.

O SP500 fechou a 1.882, com queda de 1,09%; o USDBRL a R$ 4,12062, com alta de 1,88%; o EURUSD a 1,891, com alta de 0,33%; o ouro a US$ 1.124, com alta de 0,27%.
Fique ligado!

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