Inflação: A Revanche

18 de janeiro de 2016

Esquizofrenia Financeira



Acompanhei os movimentos do mercado nestes últimos dias de uma forma mais geral. Vou me inteirar dos acontecimentos, que não foram poucos, durante esta semana. Se tivesse que resumir o stress destes últimos dias, elencaria dois itens: China e petróleo. Embora eles estejam de certa forma associados, acredito que o primeiro, é o que está causando mais preocupação entre os investidores - vide adiante gráfico.

O ano iniciou com a publicação de alguns dados da China que não agradaram o mercado. Embora não fosse nenhum desastre, a reação dos mercados tornou-se mais violenta que os fatos. Comentei inúmeras vezes que, as informações publicadas por esse país sempre são vistas com certa desconfiança, e em momentos como estes ficam amplificadas.

Nestas primeiras duas semanas de 2016 as bolsas ao redor do mundo sofreram quedas expressivas, assim como os juros nos USA. O petróleo atingiu níveis abaixo de US$ 30 somente vistos em 2003, bem como toda a cadeia de commodities metálicas. 

Vejamos alguns gráficos atuais. Os membros do FED em sua última reunião, estimam que ocorrerão quatro aumentos de juros neste ano. A ilustração a seguir, aponta a probabilidade que o mercado projeta. Notem que, pelo fechamento da última sexta-feira, a opção de mais nenhum aumento tem 34% de chance, enquanto os quatro imaginados pelo FED são praticamente descartados pelo mercado - 0,8%.   


Em relação aos preços das commodities, o gráfico a seguir do índice que mede uma cesta, mostra uma queda contínua, sem que haja nenhum movimento de reversão mais concreto.

É verdade que as apostas neste sentido encontram-se em níveis recordes, o que pode ser um elemento de alta, caso as economias não performem tão mal como o mercado projeta.


Porém não é isso que o FED de Atlanta projeta para o PIB americano no 4º trimestre, que encontra-se muito distante da expectativa dos economistas.
Evolution of Atlanta Fed GDPNow real GDP forecast
Na pesquisa realizada pela BAML sobre quais são as principais preocupações dos investidores, comparando a situação em janeiro vis-à-vis novembro, fica evidenciada minha colocação inicial.

Resumindo, o mercado está muito preocupado com um cenário deflacionário, enquanto os economistas e o FED apostam numa melhora da atividade no mundo, impulsionada pela economia americana.

Pessoas esquizofrênicas designam um conjunto de psicoses endógenas, cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e da realidade, e parece que é o que está acontecendo, figurativamente com o mercado. Da mesma forma que um esquizofrênico é imprevisível, cada publicação de dados na China provoca reações fortes do mercado. Mas não se pode desprezar essas preocupações, pois não está descartada a possibilidade de um cenário mais complicado no futuro. Somente o tempo dirá se o mercado está agindo esquizofrenicamente hoje, ou se são os economistas que estão dissociados da realidade.

O primeiro mercado que analisei este final de semana foi o real, afinal temos uma posição vendida em dólares. No post esquenta, fiz os seguintes comentários: ..."é razoável supor uma alta até os níveis de aproximadamente R$ 4,00, onde sugiro a seguinte estratégia de trade na venda de dólar: 1/3 a R$ 3,97, 1/3 a R$ 4,00 e 1/3 a R$ 4,03, com um stop em toda posição a R$ 4,10"... 
Desde então, pouca coisa mudou, as cotações ficaram contidas num intervalo muito restrito. Ainda existe a possibilidade das quedas que visionei, porém é necessário que as cotações caiam abaixo de R$ 3,96 e relativamente rápido, caso contrário seremos stopados. Os dados de mais longo prazo projetam altas para o dólar, conforme o que postei no final do ano passado no post real

Como hoje é feriado nos Estados Unidos, os mercados na Europa funcionam a meio vapor, o mesmo acontecendo por aqui.

O USDBRL fechou a R$ 4,0542, com alta de 0,14%; o EURUSD a 1,0890, com queda de 0,28%; e o ouro a U$ 1.088, sem variação.
Fique ligado!

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