Inflação: A Revanche

26 de janeiro de 2016

O gato continua no telhado

Estamos vivendo um ciclo vicioso entre três ativos de grande visibilidade internacional: petróleo, China (bolsa/fluxo de reservas) e bolsa americana. Dificilmente pode-se estabelecer qual a sequência entre eles. Entretanto, parece que esse último vem na esteira do petróleo, basta verificar no gráfico a seguir, como a correlação entre eles mudou recentemente.



Já no caso da bolsa chinesa e seu nível de reservas, não é claro quem comanda quem. 

Os investidores continuam preocupados com o futuro da economia chinesa, por mais que os analistas não acreditem em grandes quedas por lá. Esta não parece ser a visão de quem tem recursos investidos. O índice de bolsa Shangai CSI 300 vem caindo de longa data, e hoje a queda foi de 6,02%,  nível mais baixo nos últimos 13 meses.
Nota-se claramente, que depois da alta vertiginosa do 1º semestre de 2015, iniciou um período de baixa, perdendo aproximadamente 50% de seu valor, desde o pico atingido em junho daquele ano. 

Quanto a situação cambial, a política de intervir no câmbio a fim de evitar volatilidade, tem ocasionado um volume expressivo de perdas de reservas. As últimas estimativas apontam para uma queda significativa de US$ 1,0 trilhão em 2015.



No gráfico do Yuan, nota-se a razão pela qual, a diminuição de reservas tem sido tão expressiva. Enquanto as moedas dos emergentes passaram severos movimentos de desvalorização frente ao dólar, a moeda chinesa caiu só 7% nos últimos 12 meses.
Com este cenário mundial extremante conturbado e incerto, os investidores têm optado pela segurança, com fortes saídas observadas nos mercados emergentes.

A verdade é que o gato não subiu no telhado, ele continua lá. O pior é que está chamando outros para lhe fazer companhia!

No post esquizofrenia-financeira, fiz os seguintes comentários sobre o real: ...Ainda existe a possibilidade das quedas que visionei, porém será necessário que as cotações caiam abaixo de R$ 3,96 e relativamente rápido, caso contrário seremos stopados. Os dados de mais longo prazo projetam altas para o dólar, conforme o que postei no final do ano passado, no post real. ...Logo em seguida, na quinta-feira, após o anúncio que o COPOM estava mantendo os juros, fomos stopados. Desde então, houve um leve recuo, sem que tivesse acontecido um movimento mais expressivo.
As sextas-feiras tenho o costume de almoçar com alguns amigos que também são leitores do Mosca. Tenho ouvido, com uma certa frequência, que o blog fica muito em cima do muro, deveria me posicionar com mais clareza, do tipo: "vai subir ou vai cair?" Isso me fez refletir sobre o assunto, pois por mais que eu esteja tentando mostrar os caminhos possíveis que um determinado mercado possa seguir, e sempre tem dois, isso deve estar confundindo os leitores. Assim, se a maioria acha isso, o errado sou eu!

Por outro lado, não vou indicar trades que não considero vantajosos do ponto de vista de risco x retorno, não posso ter posições sempre. As estatísticas apontam para resultados negativos, neste tipo de atitude, afinal, somente 30% do tempo os mercados mostram movimentos numa direção e 70% estão em correção.

Somando tudo, vou buscar a partir de agora, sempre que possível, me posicionar naquilo que acredito, o que vai mudar é o grau de convicção, que indicará ou não um trade a ser executado. Vamos ver se assim, fica melhor para todos.

Em relação ao real, enquanto o nível de R$ 4,25 não for ultrapassado, acredito numa "mini" queda para um nível de R$ 3,85 - R$ 3,60. No gráfico frisei dois movimentos de alta, o primeiro aconteceu entre julho - setembro de 2015 e o atual, que se iniciou em dezembro. São bem diferentes, esse último parece mais "cansado". Para que o cenário que eu antevejo aconteça, será necessário que o dólar caia abaixo de R$ 3,96, aí as chances aumentam.  Em se concretizando, este é um movimento de curto prazo, em outras janelas de tempo, espero mais altas do dólar.

O SP500 estava a 1.896 (*), com alta de 1,03%; o USDBRL a R$ 4,0501, com baixa de 0,95%; o EURUSD a 1,0855, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.121, com alta de 1,27%.
Fique ligado!

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