Inflação: A Revanche

13 de novembro de 2017

A Europa está de vento em popa


O Mosca vem repetidamente enfatizando as melhores condições que a Europa está apresentando ultimamente A reviravolta é impressionante para uma região que mergulhou da crise financeira global em sua própria turbulência da dívida soberana, desemprego recorde e um potencial cenário de deflação que ameaçou a própria sobrevivência da união monetária.

Embora para compensar a maior parte do terreno perdido nos anos sombrios, com uma produtividade ainda fraca, a recuperação mantém a esperança de que algumas cicatrizes comecem a curar. A Comissão Europeia, na semana passada, elevou sua previsão de crescimento de 2017 para 2,2%, de uma estimativa de 1,7% em maio.

Esse desempenho pode ser constatado pela melhor performance das ações que tem mais exposição a aera do euro, comparado ao índice geral de ações.


Em um relatório divulgado nesta segunda-feira, o Fundo Monetário Internacional disse que o crescimento em toda a região europeia - que inclui a área do euro, bem como as economias em desenvolvimento na Europa Central e Oriental - está tendo um efeito positivo sobre o resto do mundo. Também disse que essas perspectivas mais brilhantes representaram a maior parte da revisão ascendente para suas perspectivas globais em outubro.

Os dados a serem publicados nesta terça-feira deverão mostrar que a região ganhou mais impulso no terceiro trimestre, expandindo 0,6 %, o que é mais acelerado do que a tendência de longo prazo.

O ciclo virtuoso está sendo subscrito principalmente pelo BCE, que estancou a crise da dívida, implementando uma política monetária expansionista. Os lucros corporativos estão superando estimativas e a confiança dos consumidores é a mais alta desde 2001.

As perspectivas animadoras para a região do euro representam um forte contraste com as perspectivas para a Grã-Bretanha, onde as incertezas em torno do iminente divórcio da União Europeia estão postergando investimentos e enfraquecendo a libra. O spread – diferença de juros, entre títulos de governo de 10 anos e 2 anos, se reduziu para cerca de 80 pontos este ano na Grã-Bretanha, enquanto para os títulos alemães diminuiu para 110 pontos, indicando um maior nível de confiança na maior economia europeia.

Ainda assim, as recentes feridas são profundas na área do euro. O crescimento da produtividade está muito distante dos níveis registrados no início do milênio, 1/4 dos jovens não conseguem encontrar emprego e o desemprego na periferia da região ainda excede 10%. E mesmo em seu ritmo atual, o crescimento provavelmente ainda está atrasado em relação aos EUA.


O apoio à moeda única - embora em ascensão - ainda não atingiu o seu mais nível de 2007, enquanto os partidos políticos “ euro céticos” ganharam terreno. O partido ante euro tornou-se o terceiro maior na câmara alemã após as eleições de setembro. O movimento populista Five Star na Itália está se fortalecendo antes das eleições gerais do próximo ano.

Outros terremotos políticos, como a demanda da Catalunha para a independência da Espanha, têm o potencial de causar novas rupturas. Como o presidente do BCE, Mario Draghi, notou, os choques geopolíticos internacionais são uma fonte chave de risco.

Para isolar a economia, o BCE anunciou em outubro que continuará a comprar dívida pública e privada durante a maior parte do próximo ano e não aumentará as taxas de juros por muito tempo, garantindo uma política monetária expansiva.

Mas mesmo com essas possibilidades para a região o volume de estímulos oferecidos pelo BCE, tanto em termos de injeção de liquidez bem como na política de juros negativos, pode ser um problema mais adiante. Caso a economia europeia cresça de forma mais acelerada que a imaginada, o BCE poderia ser forçado a agir mais forte ocasionando um retrocesso indesejado.

No post goldilocks-e-agora, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” no gráfico acima apontei duas possibilidades onde no caso (A), que tem minha preferência, espero mais uma alta. Caso eu esteja correto, o dólar poderia atingir o nível de R$ 3,43/3,45, bastante próximo de R$ 3,50. Esse nível se rompido, coloca o dólar sob uma nova tendência de alta. Já o caso (B) indica que a queda estaria em curso rumo a níveis inferiores a R$ 3,03, atingido em fevereiro de 2017. Essa última hipótese ganha força com o dólar abaixo de R$ 3,20” ...


Até o momento nenhuma das duas hipóteses descritas acima podem ser descartadas embora a R$ 3,29, o dólar se encontra próximo a máxima atingida recentemente de R$ 3,33. Caso a alternativa (A) acabe acontecendo, o triangulo mostrado abaixo seria rompido. Mesmo assim, não necessariamente invalidaria a provável queda que se sucederia.


Eu ainda continuo com uma preferência pelo cenário que contempla ainda mais uma alta do dólar no curto prazo. No post acima ainda sugeri um trade para compra, aos leitores mais agressivos: ...” se você quiser fazer uma “apostinha” sugiro comprar dólares se as cotações atingirem R$ 3,26 com stoploss a R$ 3,20, para buscar R$ 3,43” .... Isso foi possível pois o dólar atingiu a mínima de R$ 3,2350 durante a última semana.

Notei em conversas, que a piora na nossa moeda está sendo mal interpretada. Esse tipo de interpretação não se limita aos leitores do Mosca, o próprio presidente Temer mencionou na semana passada que a não aprovação do projeto de Previdência que foi noticiada, teria afetado as cotações da bolsa e do dólar.

Naturalmente os motivos do presidente são políticos pois nem sei se acompanha esses mercados frequentemente. Os argumentos que os analistas e imprensa vem associando a má performance desses dois ativos, além da Previdência, é a possibilidade de Lula ganhar as eleições no próximo ano, haja visto que lidera as pesquisas de voto.

Para o Mosca o motivo dessa piora é externo. De uma maneira geral todos os ativos de mercados emergentes estão passando por essa correção. Agora, o fato dos ativos brasileiros se valorizarem mais que os seus pares emergentes neste ano, fez com que, agora na queda, o mesmo fenômeno aconteça com o sinal trocado.

Estou liquidando a posição vendida de euros a € 1,1660. O motivo é que se trata de um trade especulativo contra a tendência principal de alta, além de sua evolução nos últimos dias ter deixado a desejar. Prefiro esperar como observador.

O mSP500 fechou a 2.584, com alta de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,2793, sem variação; o EURUSD a € 1,1665, sem alteração; e o ouro a U$ 1.277, sem variação.


Fique ligado!

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