2018: Vestibular Político

21 de novembro de 2017

" Back to the school"


A professora Yellen já deve estar limpando suas gavetas. No final de fevereiro próximo termina seu mandato, e nesta data será substituída por Jerome Powell. Ela teria como continuar fazendo parte do Board mas decidiu por terminar seu mandato. Pelo seu histórico e bem provável que retorne a vida acadêmica além de faturar uma boa nota dando palestras.

Acho sua decisão sábia, primeiro não se sabe como será o FED comandado por alguém sem experiência em política monetária, além de Powell não possuir um título de doutor em economia, o que a grande maioria dos membros tem. Como serão as discussões técnicas, “Acho isso, acho aquilo”? Nós veremos, ela assistira.

A Bloomberg publicou uma matéria com alguns pontos que permitem uma avaliação de seu mandato. Vejamos alguns elementos:

·         Mercado de Trabalho
A taxa de desemprego se encontra próxima do nível mais baixo dos últimos 17 anos, e ainda abaixo da estimativa do FED de pleno emprego – essa é uma taxa onde se assume que todo mundo que busca por um emprego consegue e as empresas tem um incentivo de elevar os salários, haja visto que, a demanda aumenta.


·         Inflação

Tão bem-sucedida quanto a Yellen & Companhia tem sido no quesito para mais contratação de funcionários, a política do FED ainda não gerou a tão desejada estabilidade de preços. Durante o mandato de Yellen como presidente, o indicador de inflação preferido do banco central permaneceu incisivamente abaixo do objetivo de 2 %.


·         Crescimento

A velocidade da economia tem sido mais moderada na expansão atual, que começou sob a presidência do FED por Ben S. Bernanke e continuou em 2014 com a nomeação de Yellen. O PIB aumentou um pouco mais do que 2% a.a. em média, mais fraco do que 2,8% a.a. na expansão anterior, e na maior parte dos anos 2000. Em relação aos anos 80 o crescimento atual caiu pela metade.


·         Produtividade

A capacidade de a economia crescer mais rapidamente e elevar os padrões de vida dos americanos no processo, está sendo restringida pela baixa produtividade. Enquanto alguns economistas afirmam que a produtividade não está sendo medida corretamente, outra explicação possível é que os avanços tecnológicos não proporcionam uma grande explosão que fizeram há décadas. Outros afirmam que o investimento empresarial em equipamentos foi moderado.


·         Evolução da bolsa de valores

Talvez um dos maiores beneficiários da política monetária do FED tenham sido os investidores. O mercado de ações está no meio de uma alta que dura quase uma década. O SP500 subiu cerca de 15% este ano. Também começou a causar preocupação entre os formuladores de políticas do FED sobre elevadas vulnerabilidades associadas as avaliações de ativos. Outro ativo que ajudou na elevação do patrimônio das pessoas físicas foi a alta nos preços dos imóveis, que representam mais de 50% dos seus bens.


·         Concentração de riqueza

Para detentores diretos e indiretos de ações, o avanço elevou o patrimônio líquido doméstico a um recorde. Essa é a boa notícia. A má notícia é que a riqueza gerada pelo aumento dos preços das ações está concentrada entre os americanos com maior renda.


Qual a nota final da Yellen? Bem, depende que faz o julgamento.

Mercado: Nota 10 – Todos os ativos subiram de preços propiciando ganhos elevados.
Economistas: Nota 4 – É muito criticada pela quantidade de erros em previsões, bem como, por não ter conseguido fazer a economia crescer mesmo com juros reais negativos.
Ricos: Nota 10 – Ficaram muito mais ricos.
Classe média: Nota 3 – De que adianta desemprego baixo, juros baixos se os salários não sobem.
Mosca: Nota 6,75 – Ter mantido a estabilidade evitando uma deflação foi uma grande conquista. A nota foi decrescida pelo baixo crescimento e pelos juros muito baixos.

- David, por que uma nota quebrada?
Para você achar que fiz grandes cálculos. Não fiz! Hahaha ...

No post a-europa-esta-de-vento-em-popa, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” no gráfico abaixo apontei duas possibilidades onde no caso (A), que tem minha preferência, espero mais uma alta. Caso eu esteja correto, o dólar poderia atingir o nível de R$ 3,43/3,45 ... ...” já o caso (B) indica que a queda estaria em curso rumo a níveis inferiores a R$ 3,03, atingido em fevereiro de 2017” .... No momento o dólar se encontra próximo a R$ 3,26.


Agora parece que uma decisão se encontra mais próxima, e os dois cenários apontados acima podem ser vistos a seguir.


Caso a alterativa (A) vingue parece que um triangulo estaria se formando, e nesses casos a maior probabilidade (67%) é que rompa para cima. No caso (B) uma primeira violação do nível de R$ 3,23 já daria uma boa indicação que o dólar deve cair, porém essa confirmação só acontece no nível de R$ 3,20.

- David, isso tudo não ajuda em nada!

Ajuda sim, ajuda a não operar quando não se tem uma direção mais provável. Depois define um nível onde a hipótese se comprova ou não. Por exemplo, você poderia ser levado a arriscar uma venda, pois “tudo indica” que vai cair. Poderia até aceitar essa hipótese mas teria dificuldade em colocar o stoploss. Uma primeira análise apontaria para R$ 3,3350, uma perda potencial de 2,3%. O problema é que os outros indicadores apontam para neutralidade. O que tudo isso significa é que se assemelharia a uma aposta de Cassino. Cassino por Cassino, prefiro o original! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.599, com alta de 0,65%; o USDBRL a R$ 3,2572, sem alteração; o EURUSD a € 1,1732, com queda de 0,52%; e o ouro a U$ 1.280, com queda de 1,08%.

Fique ligado!

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