2018: Vestibular Político

27 de novembro de 2017

Euro: O acelerador da Alemanha


O projeto da moeda única levou em consideração uma situação totalmente irreal. A fim de obter equilíbrio macroeconômico, é condição necessária que a produtividade entre os países seja muito similar, caso contrário, um câmbio fixo atuará como uma força deflacionaria naqueles países menos capazes de se igualar.

Acontece que, num grupo onde existe uma país como a Alemanha, isso não é possível, como comentei diversas vezes aqui no Mosca. Os Alemães têm uma capacidade de trabalho, conhecimento e desenvolvimento muito superior aos seus vizinhos.

Nos anos de crise, principalmente ao redor de 2011, já se discutia abertamente a saída da Grécia, além de algum país do chamado Club Med – Itália, Espanha e Portugal. O presidente do ECB resolveu agir e embarcou na política adotada por seu par, o FED, inundando a Europa com liquidez. Isso já não bastasse, enveredou pelo caminho desconhecido de usar juros negativos para incentivar as economias. Desde esta data, a Europa lutava para não entrar em deflação. Como consequência, o euro sofreu uma queda de 25% em apenas 6 meses, no segundo semestre de 2014.

Nesse quesito o ECB teve um sucesso parcial, pois essa medida desesperada acarretou que, mesmo os títulos de países como a Itália cuja a situação é mais delicada que seus pares, fosse negociado com juros extremamente baixos e até negativos em alguns prazos de vencimento. Nem se comentar a Alemanha onde praticamente todo o espectro dos juros encontra se em território negativo.

Mas o mundo evolui e as condições de crescimento ficaram mais positivas impulsionando mesmo os países mais debilitados da Europa. Dados mais recentes continuam apontando neste sentido, a seguir os resultados recentes publicados pelo Markit relativos a França.

 
Se a situação melhorou sensivelmente para esses países o que dizer da Alemanha que quase não sofreu durante a crise e ao contrário foi extremante beneficiada coma queda dos juros e principalmente do euro. Os dados mais recentes apontam nessa direção como se pode verificar a seguir.



Em termos de mão de obra a pressão também já pode ser sentida. O comentário do Markit apresentado a seguir assinala nesta direção. Não se pode esquecer que enquanto alguns países ainda têm elevadas taxa de desemprego, na Alemanha, o mesmo indicador, indica pleno emprego.



Eu suspeito que longe da Alemanha, e se aproximando da visão europeia de Macron, o interesse próprio vai perceber que a Alemanha diverge ainda mais da Europa, uma vez que, a necessidade política dita uma linha dura alemã sobre novas exigências de austeridade e reforma sobre o resto da Europa.

Desde o início da estratégia adotada pelo ECB, o Bundesbank sempre foi contra, mas foi contido pela debilidade da situação europeia. Agora é diferente, seguramente haverá uma pressão desse banco central para que a farra de juros negativos seja revertida rapidamente. A lembrança da hiperinflação vivida nos anos 20, ainda faz parte da memória do povo alemão, que não admitiria passar por algo semelhante novamente. Isso os torna muito mais cautelosos que seus vizinhos.

A queda do euro, que teve efeitos positivos para países como a Espanha, Portugal e França, no caso da Alemanha agiu como um acelerador. O natural seria uma normalização da política monetária no velho Continente, mas o receio é que isso poderia abortar a melhora nos países mais fracos.

A verdade é que a adoção de câmbio fixo é ruim para todos “One size fits all! ”. Sou um grande crítico dessa política para o câmbio.

No post back-to-school, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” apontei duas possibilidades onde no caso (A), que tem minha preferência, espero mais uma alta. Caso eu esteja correto, o dólar poderia atingir o nível de R$ 3,43/3,45 ... ...” já o caso (B) indica que a queda estaria em curso rumo a níveis inferiores a R$ 3,03, atingido em fevereiro de 2017” .... ...” caso a alterativa (A) vingue parece que um triangulo estaria se formando, e nesses casos a maior probabilidade (67%) é que rompa para cima. No caso (B) uma primeira violação do nível de R$ 3,23 já daria uma boa indicação que o dólar deve cair, porém essa confirmação só acontece no nível de R$ 3,20” ...


Passado uma semana não foi definido qual o caminho o dólar seguirá, em todo caso, a alternativa destacada acima como triângulo foi descartada, elevando a chance para o caso (B), mas que só fica definitivo abaixo de R$ 3,20.


Não é por menos que o dólar esteja estacionado pelo terceiro dia nesse nível, afinal é um vai ou racha no curto prazo, do ponto de vista técnico. A não ser que o movimento se mostre mais complexo, acredito que nesta semana teremos a definição. Até lá, só observamos.

Está semana fui convidado para diversos eventos. A partir de amanhã até quinta feira, participo do “Brazil Opportunites Conferece” organizado pelo JP Morgan, na sexta-feira farei parte do painel organizado pelo escritório de advocacia Freitas e Leite sobre o “Futuro do Blockchain e Moedas criptografadas”. Assim, não sei se vou postar todos os dias, talvez de forma sucinta.

Os leitores serão recompensados, pois além de trazer novas perspectivas sobre o Brasil, elaborei um estudo mais detalhado sobre as cryptocurrencies e cheguei à algumas conclusões com bastante confiança. Se você quiser saber o que o Mosca acha do bitcoin, não perca o post da próxima semana. Não posso adiantar nada seria um “Inside Information”! Hahaha ....


O SP500 fechou a 2.602, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2272, com queda de 0,18%; o EURUSD a € 1,1896, com queda de 0,28%; e o ouro a U$ 1.294, com alta de 0,94%.

Fique ligado


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