Mario Bros entrou em êxtase #USDBRL #SP500

 


Resumo:

O Banco do Japão (BOJ) alterou sua política de juros, saindo de -0,1% para uma nova faixa entre 0% e 0,1%. Essa mudança representa um marco, visto que agora U$ 1,0 milhão pode render entre U$ 0 e U$ 1.000/ano, em contraste com U$ 50.000 nos EUA. Esta medida, além de representar uma tentativa de combater a inflação, sinaliza um afastamento de práticas de juros negativos duradouras, refletindo a pressão e a necessidade de mudança no país.

A decisão do BOJ de abandonar o controle da curva de rendimentos e a compra de fundos negociados em bolsa marca uma ousadia frente aos desafios econômicos, potencialmente encerrando a era do "afrouxamento quantitativo" adotada desde a crise financeira de 2008. Este movimento é visto como um esforço para revitalizar a economia japonesa, com impactos significativos esperados no mercado de ações e na valorização do iene, apesar de a curto prazo parecer ter "não muito" efeito, com quedas surpreendentes tanto nos rendimentos de 10 anos quanto no valor do iene.

A manutenção de "condições financeiras acomodatícias por enquanto" pelo BOJ, mesmo com as menores taxas de política do mundo, sugere uma abordagem cautelosa, mantendo a porta aberta para futuros ajustes. Este cenário mantém viva a estratégia de carry trade, onde investidores apostam na continuidade de baixas taxas japonesas, num contexto global de incertezas econômicas.

Na análise técnica, o dólar rompeu o limite de R$ 5,0180, iniciando um trade com o fechamento a R$ 5,03. Há objetivos em R$ 5,1755 e R$ 5,3184/R$ 5,3398, com stop-loss em R$ 5,00, sugerindo cautela ante a possibilidade de uma alta mais sustentada.

Para o S&P 500, a análise técnica indica sinais de fadiga no mercado, com cotações mais lateralizadas e nenhum sinal claro de reversão em curso. O objetivo atual é alcançar entre 5.330 e 5.360, apesar da expectativa de continuação da tendência de alta, mesmo diante do cansaço do mercado.

 

No post de ontem — "O Último dos Moicanos" —, relatei que o Banco Central do Japão (BOJ) estava prestes a anunciar o abandono de uma política de juros negativos que perdurava por décadas. E foi exatamente o que aconteceu na manhã de hoje — noite, no Japão. O BOJ estabeleceu que os juros estariam numa nova faixa entre 0% e 0,1%, abandonando a política anterior de -0,1%. Não estou brincando, eles tiveram a coragem de anunciar essa tão esperada mudança. Para que o leitor tenha dimensão do que isso representa, por exemplo, U$ 1,0 milhão rende agora entre U$ 0 e U$ 1.000/ano, que, se aplicado nos EUA, renderia U$ 50.000.

Tenho a nítida impressão de que existe uma enorme resistência por parte dos membros do Comitê, que nasceram num país onde não se paga juros ao poupador, em mudar esse status quo. Mas a pressão era tão grande, pois a inflação apareceu por lá também, que resolveram anunciar um "cala boca". John Authers relata quais foram os impactos nos mercados.

 

Grandes Notícias no Japão

E no final não sobrou ninguém. O Banco do Japão realmente decidiu mover sua taxa de política para acima de zero, e assim não há mais bancos centrais com taxas negativas. Seguindo seu primeiro aumento em 17 anos, o mundo bizarro no qual os mandachuvas monetários pagavam para você tomar emprestado deles acabou. A chegada das taxas zero, duas décadas atrás, foi recebida com descrença e horror. O Japão finalmente pulou fora.

Além de elevar as taxas do anterior -0,1%, o BOJ está abandonando o controle da curva de rendimentos, que envolvia intervenção para garantir que o rendimento dos títulos do governo japonês de 10 anos não pudesse exceder 1% — outro movimento visto como incrivelmente ousado ou completamente desesperado quando adotado no início de 2016. Também está desistindo de comprar fundos negociados em bolsa, uma aventura histórica em intervenção direta no mercado de ações. Não parou completamente suas intervenções no mercado de JGB.




No curso da história, isso é um evento importante, e veio mais cedo do que a maioria estava esperando até mesmo alguns dias atrás. O Japão deu ao mundo a expressão "afrouxamento quantitativo" — um eufemismo para comprar títulos para pressionar os rendimentos para baixo — que seria adotado por todos os grandes bancos centrais após a implosão financeira global em 2008. "Virar japonês" passou a significar entrar em uma depressão deflacionária. Muitos acreditam que o modelo monetário do BOJ prejudicou a economia mundial. Daqui para frente, comprar títulos de 10 anos e taxas diárias negativas podem novamente ser impensáveis. Para o Japão, isso deve aumentar o sentimento de que o longo Congelamento Profundo acabou. O Nikkei 225 está de volta acima da máxima que estabeleceu em 1989. Aumentos salariais são os mais elevados desde 1991. O Japão está fora do buraco em que caiu quando sua bolha épica de preços de ativos finalmente estourou quase duas gerações atrás.




Agora, quanto ao que significa no curto prazo, a resposta parece ser "não muito." É verdade que o BOJ abandonou sua longa prática de surpreender o mercado e sinalizou o que estava por vir de forma muito mais explícita do que os bancos centrais ocidentais fariam. Isso amorteceu a reação imediata do mercado. Mas é surpreendente que os rendimentos de 10 anos, agora livres para ir acima de 1,0%, tenham na verdade caído. O iene também caiu. E isso veio com as histórias do Nikkei antecipando a mudança.




Há também um senso de fria realidade. O BOJ ainda tem as taxas de política mais baixas do mundo e diz que "condições financeiras acomodatícias serão mantidas por enquanto." Mesmo antes da coletiva de imprensa do governador Kazuo Ueda, a frase "uma e pronto" estava no ar. O gap entre os rendimentos japoneses e os Tesouros dos EUA permanece mais amplo do que na maior parte das últimas duas décadas.



Se você já estava apostando que as taxas japonesas permaneceriam baixas (através do carry trade), é seguro continuar. A política de anunciar movimentos monetários com antecedência até torna menos provável ser pego de surpresa.

Ainda pode ser um erro subestimar a importância de um movimento que havia crescido como esperar que Charlie Brown chutasse a bola de futebol. Agora aconteceu. Outros aumentos serão mais fáceis, e se a inflação japonesa se firmar mais, eles ocorrerão. Mesmo os eventos financeiros mais importantes podem inicialmente provocar uma reação enganosa; os mercados de ações dos EUA terminaram a semana da falência do Lehman Brothers mais altos do que começaram.

Mais importante ainda, as taxas nominais negativas foram uma abominação. Todos, não apenas os japoneses, devem estar gratos por terem acabado.

Nos comentários do post de ontem, a Gavekal estava apostando alto que o movimento do BOJ faria o iene se valorizar fortemente, o que vai ao encontro de sua ideia de que a China se fortalecerá. Acredito que os traders não veem dessa forma e continuam com as operações de carry trade, onde a moeda a ser vendida é a japonesa, variando o que comprar de acordo com o gosto do freguês. Afinal, pagar migalhas agora não atrapalha o resultado esperado, que ainda é elevado.

Tudo pode mudar no futuro, e o BOJ pode se tornar mais agressivo na definição dos juros, mas sem dúvida o nível de dívida do governo é tão elevado que existe um receio nesse sentido. Mas, se não mudar e permanecer esse juro que mais parece uma esmola, nada deve se alterar nas operações de renda fixa e câmbio nesse país. No entender do Mosca, o grande risco seria uma queda dos títulos não porque os juros subiram, mas porque o mercado ficaria receoso com a solvência desses papéis, nessa situação o Japão entraria num ciclo vicioso com queda da moeda e alta da inflação, como ocorre nos países subdesenvolvidos.

Mas para quem tinha que pagar para investir e agora recebe alguma coisa, deixou o Mario Bros em êxtase!

Antes dos comentários sobre o S&P 500, queria comentar sobre a posição de dólar que se iniciou ontem, conforme mencionei no post — "o-último-dos-moicanos"...Depois de ter passado a semana próximo do rompimento destacado acima, hoje pela manhã o dólar está testando o limite de R$ 5,0180 colocado pelo Mosca para iniciar um trade. Tudo indica que irá ocorrer, o mais interessante é que não aconteceu nada de importante para tanto..." Com o dólar fechando ontem a R$ 5,03, o trade deu início.

- David, finalmente rompeu, vamos que vamos!

Meu amigo, vá devagar, muito devagar. Não é líquido e certo que o movimento de alta de mais longo prazo esteja em curso, razão pela qual vou trabalhar com stop-loss curtos. No gráfico a seguir, existem dois objetivos: o primeiro em R$ 5,1755, que será fundamental que o dólar ultrapasse; em seguida, R$ 5,3184 / R$ 5,3398, se chegar aí, a tese de alta fica mais forte. Quanto ao stop-loss, vou fixar em R$ 5,00.




No post — "vai-baixar-ou-não" —, fiz os seguintes comentários sobre o S&P 500: "...No caso do S&P 500, estamos próximos do stop-loss, mas ainda existe uma chance de atingir o objetivo destacado abaixo de 5.260"...




Venho insistindo que a bolsa está dando sinais de fadiga, e isso pode ser notado no gráfico, onde as cotações estão mais "lateralizadas". Por enquanto, não existe nenhum sinal de que a reversão esteja em curso, e o mercado pode continuar subindo mesmo estando cansado. A seguir, deixei o gráfico com as várias segmentações de tal forma que o leitor possa entender a estratégia adotada — a linha amarela corresponde ao movimento final esperado. O objetivo agora estaria por volta de 5.330 / 5.360.




Amanhã, tanto o Fed quanto o BCB se reúnem para definir sua política monetária. No caso do primeiro, não se espera nenhum corte, até aí tudo bem, o mercado já trabalha com isso. Mas o que gostaria de escutar — concluir, é que vem corte logo, e o que não gostaria é de que não tem ideia de quando isso possa ocorrer. Em relação ao segundo, é tido como certo um corte de 50 pontos, o que é incerto e se continua nessa toada ou vai dar uma freada por conta de indícios de que uma atividade mais forte pode comprometer a estabilidade da inflação nos níveis atuais.

O SP500 fechou a 5.178, com alta de 0,56%; o USDBRL a R$ 5,0264, sem alteração; o EURUSD a 1,0863, sem variação; e o ouro a U$ 2.158, sem alteração.

Fique ligado!

Comentários