Inflação: A Revanche

27 de maio de 2015

O FED pode nos complicar?

O assunto mais discutido nos últimos tempos, é quando o FED vai iniciar o ciclo de normalização de suas taxas de juros. Este prazo tem se estendido em função da frustração pela fraqueza dos dados publicados nos últimos meses. Mas parece que em algum momento, esta angústia vai terminar.

Fico pensando se a atividade econômica, daqui em diante, não suportar esta ação para subir os juros, como o mercado reagiria. Acredito que muito mal, afinal os juros não estariam subindo pelo que eu denomino de mal motivo. E se é assim, todo o estímulo feito nestes últimos anos não foram suficientes, ou melhor, não funcionaram. Vamos deixar isso de lado por enquanto, chega de ideias ruins pela manhã.

Partindo do pressuposto que nos próximos 6 a 9 meses, o FED dará esse passo inicial, o que isto poderia nos afetar?

Ontem foram publicados os dados cambiais brasileiros, e, lembro a vocês, que sua publicação sofreu mudanças, conforme expus no post new-look. A série histórica disponibilizada pelo BC até agora é bem limitada, dificultando a análise, bem como a elaboração de gráficos.

O déficit do mês de abril foi de US$ 6,9 bilhões, registrando um boa redução em relação ao do ano anterior de US$ 9,2 bilhões. O acumulado nos últimos 12 meses ficou com um saldo negativo de US$ 100,2 bilhões, equivalentes a 4,53% do PIB. Dos três grupos principais: conta de serviços; despesas líquidas de rendas (nova denominação da antiga "rendas"); e balança comercial, destaca-se a redução da primeira, principalmente pela diminuição nas viagens internacionais dos brasileiros, em seguida, as despesas de lucros e dividendos com uma redução de US$ 4,1 bilhões no ano anterior, contra US$ 2,4 bilhões em abril último.

Para financiar este déficit, destaca-se o ingresso líquido de U$ 5,8 bilhões em investimento direto, que acumula em 12 meses US$ 86,1 bilhões. Certamente a fonte mais importante de cobertura das contas cambiais, representando 86% do total. Outra fonte importante de financiamento foi o investimento em carteira, que apresentou ingresso expressivo de US$ 6,6 bilhões, sendo US$ 3,2 bilhões em ações, US$ 2,8 bilhões em títulos de renda fixa e US$ 1,0 bilhão em fundos de investimento.

No resumo, o hiato financeiro, diferença entre o déficit em transações correntes (excluindo os recursos reinvestidos no país) e a entrada líquida da conta financeira, apresentou um resultado positivo de US$ 8,2 bilhões, distribuído entre aumento de reservas e créditos na conta de Bancos brasileiros no exterior. Com isso, as reservas internacionais encontram-se em US$ 373 bilhões, com uma elevação de US$ 1,9 bilhão no mês.

Você pode se perguntar: Existe a crise cambial que muitos analistas e investidores protagonizam? Nenhuma, mas não se pode perder de vista que vivemos com um elevado déficit há muito tempo. Desde de 2014, o déficit deu um salto aproximado de US$ 40 bilhões, num curto espaço de um ano, e desde então, manteve-se nesse novo patamar. No post desequilíbrio-estável, criei um nome fantasia para essa anomalia, usando um trocadilho do fenômeno de física, conhecido como equilíbrio instável. E é a situação em que se encontram as nossas contas cambiais, que possuem um déficit expressivo, mas que vem sendo financiado sem problemas.

Isso nos remete ao título de hoje, que suscitou a seguinte dúvida: Quando o FED começar a subir os juros, nossas contas cambiais poderão ser afetadas, ocasionando uma queda de nossas reservas? Algum impacto deverá ter, pois o mercado está muito preocupado com o que  acontecerá com os ativos, de uma maneira geral.

Vou me permitir uma pequena simulação de um cenário. Vamos imaginar que no período de 2 anos, a taxa dos FED vá para 3,5% a.a. Nessa situação, das duas principais fontes de financiamento de nosso déficit, o que isso poderá impactar? O mais importante em termos de valores são os investimentos diretos, será que haveria uma queda expressiva? Não acredito, por dois motivos, primeiro porque estes investimentos têm vindo para o país com taxas de retornos esperadas, bastante elevadas, dado nosso nível de taxas internas, e segundo que são investimentos estratégicos, onde as empresas ou investidores vislumbram o tamanho do mercado brasileiro. Já os investimentos em títulos poderá ser afetado, mas 14% a.a., ou quem sabe 15% a.a., é muito juros. Será que a ganância não vai se sobressair?

O grande problema, na minha visão, vem da balança comercial, pois como já venho dizendo há muito tempo, 85% das exportações dependem do preço das commodities. Desta forma, se a situação acima acontecer, nós só poderemos crescer se o preços das commodities subirem, uma vez que crescimento implica em aumento das importações. Agora, ilude-se quem acreditar que um câmbio mais depreciado resolve o problema da balança comercial. Não resolve, não temos o que exportar além das commodities. O resto é torcida e pequenas melhoras de curto prazo, nada alentador!

Na segunda-feira eu fiz uma análise do real e a minha sugestão de trade foi executada a R$ 3,15. Também deixei claro que o stop correto é a R$ 3,32 ... Entretanto, fique alerta para implementar a estratégia proposta acima e cientes que o stop correto é a R$ 3,32, mas eu ficaria com o definido acima... Hoje fiz uma análise mais detalhada e corremos o risco de sermos stopados e em seguida, o mercado virar mais adiante. Para evitar isso, sugiro alterar o stop para um dos seguintes níveis: 1) "pão duro" = R$ 3,25; ou 2) "correto" = R$ 3,32. O primeiro poderá implicar uma perda de 3,2% e o segundo 5,4%, fica a critério do seu bolso e da sua crença. Eu vou ficar com o segundo.

Já faz algum tempo que eu não comparo o real aos seus pares mais correlatos, para sabermos se a alta do dólar está ocorrendo por causa do "dólar - dólar" ou "Dilma". Veja a seguir.

Não custa repetir que as linhas em preto correspondem a flutuação da moeda em relação ao dólar, assim, uma alta corresponde ao dólar subindo, e vice-versa. A linha em vermelho é a oscilação dessa moeda em relação ao real, se subir significa melhora do real se cair, piora do real 

Como pode-se notar, desde a queda de março do real, vis-à-vis estes pares de moedas, desde então, a oscilação está contida num intervalo menor, sem uma tendência clara, nem para um lado, nem para o outro. Desta forma, podemos concluir que a alta do dólar por aqui, não tem nada a ver com o "resfriado" do Ministro Joaquim Levy. Coitado, está em recuperação diária de tanta pressão! Hahaha  ...

O SP500 fechou a 2.123, com alta de 0,92%; o USDBRL a R$ 3,1394, com queda de 0,43%; o EURUSD a 1,0903, com alta de 0,28%; e o ouro a U$ 1.187, sem variação.
Fique ligado!

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