Inflação: A Revanche

19 de maio de 2015

O Banco Central se inspira no FED

Se você ficou animado com o título do post de hoje imaginando que o juros irão cair por aqui, pode tirar o cavalo da chuva! Hahahaha.... A relação que imaginei é para fatos que aconteceram no final dos anos 70 quando Paul Volker foi nomeado Presidente do FED. Para quem não conhece, vou fazer um breve relato. Tudo começou com o embargo de Petróleo declarado em 1973 pela OPEC aos países que eram aliados de Israel. Como consequência, o preço do petróleo dobrou no espaço de meses, ocasionando uma elevação dos índices de inflação e ao mesmo tempo uma recessão.

O FED ao verificar a queda de atividade, resolveu baixar os juros de 11% a.a para 9% a.a., com o objetivo de reativar a economia. Porém o efeito fez com que a inflação voltasse a subir, e os salários não conseguiram reajustar perdendo poder de compra. Assim, a atividade econômica não reagiu.

A autoridade monetária preocupada com uma inflação de dois dígitos em 1974, resolveu mudar sua política e elevar os juros para 14% a.a. Em seguida a inflação começou a retroceder, porém a um custo contracionista. A economia entrou novamente em recessão e a taxa de desemprego atingiu 9% em 1975.

Em 1979, a economia teve um outro choque de petróleo, causando uma elevação de mais de 100% num curto espaço de tempo. Foi quando entra em ação Paul Volker, que foi apontado para assumir o FED, pelo então Presidente Jimmy Carter, com um mandato de recolocar a inflação a níveis suportáveis, carta branca. Para implementar sua estratégia de combate a inflação, elevou a taxa de juros a 20% a.a., o maior nível histórico.

Até recentemente, estávamos acostumados com um BC que sofria pressões políticas. Na "outra" gestão da Presidente, não ficava claro quem estabelecia os juros, se era ela ou o COPOM, mas isso parece que mudou. No encontro entre economistas de instituições financeiras e consultorias com o diretor de Politica Monetária, Luiz Awazu Pereira ontem, ficou a percepção que os juros continuarão a subir.

Em conversa com pessoas que estiveram presentes, a sensação foi de apreensão, pois o mercado trabalhava com mais uma alta de 0,50% e uma outra terminal de 0,25%, levando a estonteantes 14% a.a. Acontece que isso talvez não seja suficiente na visão do BC, uma vez que estão fixados em levar a inflação para o centro da meta de 4,5%, muito distante dos níveis atuais de 8%. Outra preocupação do BC é o risco de contaminação dos preços administrados para os livres, situação comentada no post dreams.

Está mudança de postura deve ter sido mais um dos pedidos feitos a Presidente, por Joaquim Levy: "O BC vai ter carta branca para recolocar a inflação sob controle", e é como estão agindo.

Mesmo correndo o risco de ser criticado por vários leitores, gostei! Daqui em diante, vale a teoria econômica para definir os parâmetros de Política Monetária, e não os "achismos". Os juros estão altos, é indiscutível, mas a inflação também.

Eu resumiria com a seguinte frase: Os juros vão continuar subindo 0,50%, até segunda ordem. Entendam que a segunda ordem para interromper só vira, quando as expectativas de inflação derem mostras de queda e os índices de inflação tiverem um recuo consistente. Agora, a atividade econômica e o emprego, vão penar e muito!

Parece que Luiz Awazu e a equipe do BC, resolveu colocar seus conhecimentos econômicos em prática, e devem ter se inspirarado em Paul Volker, que viveu situação semelhante.

Euro, que papelão! depois de ter atingido o nível de 1,1465 na sexta-feira, levou um tombo! Agora pela manhã, está sendo negociado a 1,1136, uma queda nada desprezível de 3% em menos de dois de negociação. Partes da posição comprada foram liquidas a: 1/3 a 1,1245 ideia-fixa; 1/3 a 1,14 perigos-do-sucesso. Neste último post fiz os seguintes comentários: ...Vou liquidar mais 1/3 da posição a 1,14. Talvez eu esteja me precipitando e poderia aguardar o meu objetivo, porém o fato de ser tão noticiado, indica que muita gente já caiu fora. Mania de Contrarian! ...E agora, o que fazer?


O euro está muito próximo de nosso stop, assim, não vou fazer nada por enquanto. O que pode acontecer daqui em diante sugerem várias hipóteses e nenhuma delas está definida. O mais provável, é que o euro entrou numa correção mais extensa, mas existem outras alternativas possíveis, tenho que aguardar para que fique mais claro. Por enquanto, aguente firme, que na pior das hipóteses, não vamos ganhar nada neste último 1/3 da posição.

Outro que deu um alerta falso, foi o ouro que depois de testar US$ 1.225, voltou para os níveis US$ 1.207. Fica cancelado a sugestão de trade no metal fantasmas-rondam-Europa.

O SP500 fechou a 2.127, sem variação; o USDBRL a R$ 3,0391, com alta de 1,09%; o EURUSD a 1,1147, com queda de 1,73%; e o ouro a US$ 1.207, com queda de 1,47%.
Fique ligado!

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