Inflação: A Revanche

7 de maio de 2015

Ideia Fixa

O panelaço desta semana, quando o PT fazia sua campanha eleitoral pela televisão, é uma amostra de como parte da população brasileira ainda está insatisfeita. Imagino que quem participou sabia que em nada alteraria o seu desejo de uma mudança, mas mesmo assim, queriam deixar registrado que estão atentos. O mesmo se observa no mundo empresarial, onde os dados econômicos espelham o grau de retração que vivemos no momento, e os empresários estão céticos.

Mas os estrangeiros parecem não compartilhar com a mesma percepção local, de que entramos numa espiral descendente. Basta verificar o fluxo de recursos para a Bolsa brasileira, bem como os dados cambiais, que comento a seguir. Será que eles estão enxergando coisas que nós não estamos? Pode ser, no passado situações semelhantes ocorreram, e em várias delas, suas visões estavam corretas. É como se eles olhassem a floresta de cima, enquanto nós, de dentro dela.

Após o Feriado do dia do trabalho, o BCB anunciou que estaria reduzindo em 80%, o volume de renovação dos swaps vencendo no mês de junho. O impacto nas cotações do real foi imediato, o dólar subiu quase 2% naquele dia. O que o mercado desprezou, foi a justificativa dada pela Autoridade Monetária, que essa redução era consequência de um fluxo de dólares positivo.

Ontem foram publicados os dados cambiais de abril, e o valor registrado de entradas foi de US$ 13,1 bilhões, um volume não visto desde de julho de 2011. Naturalmente a forte entrada aconteceu na via financeira, onde observa-se uma redução nas saídas. Já na via comercial, que contribuiu com US$ 3,1 bilhões positivos, foi o aumento no fluxo de exportações, provavelmente através de antecipação de contratos de câmbio.

Outro dado que também chama a atenção, refere-se a posição de câmbio dos Bancos, onde nota-se uma expressiva redução da posição vendida. No final de 2014 essa cifra era de aproximadamente US$ 30 bilhões e recentemente ao redor de US$ 10 bilhões. Vale destacar que, é através desse mecanismo que os Bancos podem fornecer liquidez ao mercado cambial, ao comprar os swaps do BC e vender dólares no mercado à vista. Resumindo, com essa queda, parte desses swaps foram parar nas mãos de outros participantes, uma vez que houve redução na necessidade de dólares, no mercado á vista.


No post dólar-mini-bolha, fiz um apanhado de porque os contratos de swaps poderiam apresentar um risco para os investidores que estariam apostando numa alta sem limites do dólar. Esses investidores foram levados a essa posição por todos os problemas que vocês já estão cansados de saber. Acontece que um elemento importante dessa estratégia, está mudando de opinião, que são os estrangeiros, os que dão ou tiram os dólares! 

Pela minha experiência, o pessoal que faz hedge, aguarda o vencimento de suas operações, e embora não deva se influenciar pelas cotações do dólar, o fator emocional conta. Assim, se no vencimento recebem reais pelo ajuste do contrato, têm uma sensação que ganharam, e vice-versa, ao terem que pagar, ficam com sensação de perda. É errado, mas é assim que boa parte reage.

Para avaliar a situação desse grupo, o gráfico abaixo apresenta uma estimativa de quem está "ganhando" e quem está "perdendo". Para simplificar o raciocínio, utilizei o CDI e atualizei as taxas de câmbio diárias, até hoje, dia a dia. A linha verde, corresponde a cotação de hoje ao redor de R$ 3,00, assim quem estiver acima terá que pagar no vencimento e abaixo receber.

Como fica evidente, a grande maioria está no positivo, somente os swaps feitos a partir de fevereiro deste ano, estão no vermelho.

No post que originou o tema de 2015 2015-será-um-ano-feliz?, desenvolvi minha ideia sobre as duas principais forças que atuariam nas cotações do real: O "dólar - dólar" e a "Dilma". Publiquei também, uma tabela para orientar qual deve ser a melhor estratégia, em função de as expectativas.

Fixe-se no cenário positivo para a variável "Dilma", eu sei que é difícil, mas faça um esforço! Hahaha ... Se o dólar continuar subindo no exterior, é provável que afetará a cotação do real, mas nesse caso, é muito mais eficiente, ao invés de fazer o hedge do real em dólares, fazer usando uma cesta de moedas de países emergentes. Agora, se o dólar retroceder, o que vem acontecendo ultimamente, a recomendação é para comprar reais, ou não fazer hedge.

Numa secção de terapia, eu indaguei minha analista como poderia saber se, deveria acreditar ou não na minha intuição. Sua reposta foi esclarecedora: ..."Observe a realidade, se essa confirmar o que imaginava acredite. Caso contrário foi um sonho"... Talvez essa seja uma boa reflexão para quem está comprado em dólares. 
 
Estamos comprados no euro, e na última atualização fundo-tarja-preta, fiz os seguintes comentários: ...sugiro a compra do euro no nível atual a 1,1080 com stop a 1,0800, o objetivo é ao redor de 1,14... posteriormente atualizei o stop para 1,1080. Hoje pela manhã o euro negociou a 1,1391, praticamente no nível que havia citado. O que fazer agora?

Durante o dia, a moeda única retrocedeu mais de 1%, e encontra-se agora, ao nível de 1,1245. Já era minha intenção estabelecer o nível de 1,15 para liquidarmos esta posição. Ao observar o gráfico, fiquei num dilema: Liquidar agora e realizar um lucro de 1,5%; ou esperar que a cotação volte a subir e atinja o patamar desejado realizando um lucro de 3,8%?  O que eu posso adiantar é que, do ponto de vista técnico, a possibilidade do euro recuar, é possível, embora ficaria mais "correto" a 1,15.

Como já cometi um erro deste tipo, de realizar antes do tempo, fico na dúvida se não deveria ir "para as cabeças". Mas esse evento não tem nada a ver com o outro, assim apresento o cardápio abaixo:

1) Liquidar tudo, embolsando 1,5% e aguardar a publicação amanhã da taxa de desemprego nos USA, tranquilo?
2) Liquidar uma parte e ficar com o restante no risco?
3) Não fazer nada, e arriscar sair da operação sem nada no bolso ou com um lucro de 3,8%?

Vou ficar com a opção 2, mas não vou revelar minha porcentagem, deixo para o final.

- Hahahaha ...., quem falou que vou acreditar?
Poxa, pensei que tinha mais credibilidade! Você vai ter que acreditar. Posso te adiantar que é menor que 50%, a parte a ser liquidada. Vou escrever num papelzinho e depois de te mostro! Hahahaha ....

O SP500 fechou a 2.088, com alta de 0,38%; o USDBRL a R$ 3,0245, com queda de 0,25%; o EURUSD a 1,1265, com queda de 0,76%; e o ouro a US$ 1.184, com queda de 0,60%.
Fique ligado!

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