Inflação: A Revanche

8 de dezembro de 2016

A ilógica Financeira


Acho que não restam dúvidas sobre a reação da mídia em relação à decisão do STF de manter Renam Calheiros na Presidência do Senado. A sua sorte é que faltam poucos dias para o recesso de final de ano e seu mandato termina em fevereiro. Mas, a imagem do Supremo ficou chamuscada e a recém-empossada Carmen Lúcia perdeu muitos pontos, pois predominou o espírito corporativista. Imagino que Sergio Moro também não ficou satisfeito e terá que trabalhar com esse cenário. Será que mandaram a massa da pizza para o forno?

Se eu perguntasse a um grupo de investidores qual deveria ser a volatilidade de um mercado quando o grau de incerteza é muito elevado, obteria 100% das respostas que subiria. Se eu continuasse nesse questionamento e dissesse que uma mudança considerada positiva deve acontecer em breve, a volatilidade, deve ser maior ou menor do que a atual? 100% das respostas diria maior. Pois bem, a situação de hoje aponta as duas respostas como erradas.

No gráfico abaixo, em vermelho, o grau de incerteza sobre a política econômica e em azul a volatilidade da bolsa medida pelo VIX.


É, parece que o troglodita está desafiando até a lógica financeira básica, incrível! Foi até escolhido como o Homem do ano pela revista Time! 

O índice de otimismo vem subindo como se pode observar abaixo, e a menos de 30 dias dos resultados finais das eleições, ninguém está mais saindo às ruas para protestar contra o Trump.


Ontem, como de costume, participei do Comitê de Investimentos da Rosenberg, e todos concordam que o EUA vai virar uma bagunça se o troglodita resolver dar palpites nas empresas. Mas um dos membros, e somente um, acredita que o que estamos vendo ainda é o candidato Trump e não o Presidente. Isso, na opinião dessa pessoa, vai mudar quando ele assumir o cargo em fevereiro. Eu particularmente não acredito, acho que não é “marketing” e sim o jeito dele. Por exemplo, no caso da China, o troglodita já deu uns cutucões ao ligar para o Presidente de Taiwan. Não sou um especialista de geopolítica, mas mexer com os chineses em coisas que consideram sérias é perigoso, pois já mostraram que não são de abrir mão; morrem, mas lutam pelo que acreditam.  

E como anda a previsão do PIB feita pelo FED de Atlanta? Como se pode verificar a seguir, muito próxima a previsão dos economistas da ordem de 2,5%.


 É importante que vocês observem que de uma maneira geral as economias estão se recuperando não só nos EUA. Os dados da Europa vieram melhores e última noite foi publicado a balança comercial chinesa, que apresentou resultados melhores tanto de exportações como importações.


Interessante também são os resultados por país, nas exportações: com EUA (+ 6,9%); Alemanha (+5,1%); Rússia (+26,1%); e Brasil (+36,9%). O resultado obtido com o Brasil pode ser um sinal que nossa economia estaria num processo de reversão. Já nas importações: Japão (+ 17,2%); Austrália (+13,7%) e Reino Unido (+37,6%). O saldo ainda ficou na casa dos US$ 44 bilhões.

Hoje vou comentar o SP500, e nos últimos dias aconteceu uma situação interessante. No post dólar-pede-passagem, fiz os seguintes comentários: ...” enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários abaixo continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas! ” .... O comentário acima, refere-se a uma observação anterior onde eu aguardava uma correção.


Depois disso, o índice ultrapassou o nível de 2.200: ...” Ontem o SP500 finalmente ultrapassou esse nível, com fechamento acima dessa marca, mas ainda não vou me aventurar numa compra” ... Para justificar meu receio, publiquei o gráfico abaixo, com o seguinte comentário: ...” As altas destes últimos dias mostram uma formação sem muita convicção, o que em análise técnica se define como divergente dos instrumentos de momentum. Em outras palavras, pode acontecer uma realização a qualquer momento, o que fatalmente nos tiraria do trade. Mas quero deixar claro que pode não acontecer e aí perdemos essa oportunidade” ...


Passados alguns dias, e considerando que ontem o mercado resolveu minha dúvida subindo expressivamente, acredito que o SP500 caminha agora para o nível de 2.350 -2.400, e isso pode acontecer de maneira rápida.


Inicialmente, uma análise dessa situação. Nitidamente eu fui influenciado por um sentimento de receio, ou medo, se quiser ser mais direto. Observei o gráfico e não quis agir usando as evidências técnicas. Para poder justificar, usei um argumento de defesa, alertando que poderia ser um false break e, se isso acontecesse, perderia ao ser estopado.

Estou comentando esse evento para mostrar que, mesmo usando análise técnica para minhas decisões, a parte emocional pode influir nas nossas decisões; não estamos imunes. Poderia analisar o que me teria feito violar a regra, mas que eu aprenderia? Nada, situações com essa acontecerão novamente. O mais importante é não ficar teimando para não assumir o erro. A única coisa que posso tirar desse evento é que mesmo na dúvida por outros fatores que não os técnicos, você deve seguir as regras. O stoploss existe exatamente para essas ocasiões quando não dão certo.

- David, chega de desculpas, o que fazer agora?
Um cálculo aproximado de risco retorno me leva a um ganho potencial de aproximadamente 5% - de 2.240 para 2.350, e uma perda no stoploss de aproximadamente 2% - de 2.240 para 2.200. Há de se considerar também um potencial ganho adicional caso o índice atinja 2.450 (9,3%). Não parece ruim, porém vou deixar em suas mãos, pois, como comentei ontem, vou estar ausente por um tempo.

Como todo americano tem parte de sua poupança em ações, imagino se esse cenário de bolsa se materializar quem vai ter coragem de criticar o troglodita. O pessoal mais rico, que era contra, vai achar ele um gênio, e que não é tão radical assim e etc .... Pois é, o bolso vai falar mais alto!

O SP500 fechou a 2.246, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,3738, com baixa de 0,26%; o EURUSD a 1,0612, com queda de 1,29%; o ouro a US$ 1.170, com queda de 0,24%.
Fique ligado!

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