Inflação: A Revanche

1 de dezembro de 2016

Fungando no cangote do BC


O banco central reduziu a taxa SELIC em 0,25% conforme a maioria dos analistas esperavam. Até aí, nenhuma novidade. Porém, o que deve ser visto com maior importância é o teor do comunicado.

Uma análise mais detalhada indica que a autoridade monetária está preocupada com o nível de atividade ... A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica pode ser mais demorada e gradual que a antecipada previamente” .... Enfatizou também que o cenário externo se encontra especialmente incerto, em função do processo de normalização das condições monetárias; leia-se alta de juros e incertezas quanto ao rumo de sua política monetária; leia-se Trump.

Em relação à inflação, a tabela a seguir elaborada pela Rosenberg mostra os principais indicadores que são levados em consideração na decisão do banco central. Eu destaquei as expectativas do IPCA para 2017 e 2018, tanto o cenário de referência do banco central, bem como do mercado. Notem que esse último ainda é superior ao primeiro, principalmente em 2018.


O mercado está apostando totalmente que as taxas de juros irão cair. Por exemplo, o que está embutido nos mercados futuros é uma taxa para o final de 2017 em 11,30%, sendo um corte de 245 pontos em relação à taxa recém-anunciada.

Uma frase deixou o mercado mais confortável, que um corte maior já poderia vir em janeiro: ...” o Copom destaca que o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar caso a recuperação da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada” .... Até aí, o pessoal ficou tranquilo que agora vai. Mas, eu chamo a atenção para a continuação desse parágrafo ...” Essa intensificação do processo de desinflação, depende do ambiente externo adequado” ...

- David, porque o BC não abaixa os juros e pronto. Eles não percebem que o país está parado?
Eu frisei várias vezes que a política monetária não é feita por desejos e sim através de modelos que indicam a expectativa futura da inflação. Para quem não conhece, o banco central possui um modelo que leva em consideração algumas variáveis e, assim, projeta a inflação com um determinado nível de confiança.

Seria como um termômetro: se o resultado aponta uma inflação superior à meta, é porque não pode baixar os juros e; caso contrário, se está abaixo, deve baixar os juros. Como na tabela acima, o juro apontado pelo mercado ainda está levemente superior aos 4,5% da meta. Assim, o sistema de metas de inflação sugere que não se deve baixar os juros e não tem que achar nada!

Declarações de alguns analistas que se o banco central não agir direito, vai provocar uma depressão; mostra o quanto se está vendido nos juros. Ou se tem método e disciplina ou voltamos ao que o banco central era no passado. Agora, não adianta fungar no cangote do banco central, pois essa equipe é extremamente técnica e deverá seguir suas crenças sem se deixar influenciar por reclamações ou desejos.

Antes de iniciar o meu comentário técnico, gostaria que o novo Presidente troglodita olhasse o gráfico abaixo e me explicasse como ele pretende aumentar o emprego na indústria. Se a produção cresceu e o número de empregos vem caindo por tantas décadas, é sinal que houve uma mudança estrutural. O setor ficou mais eficiente.


A figura a seguir mostra o que 60 segundo na internet significa. Deixo as conclusões a cada um de vocês, mas destaco o volume de e-mails: 150 milhões por minuto!


No post quem-tem-medo-de-bicho-papão, fiz os seguintes comentários sobre a Bovespa: ...” Por outro lado, não consigo ainda responder que tipo de correção se desenha: pequena, média ou grande. O máximo que consigo neste momento é traçar alguns níveis de acompanhamento” ...


Eu continuo com a expectativa de que o mais provável será uma correção “média (2) ”, uma queda entre 54.000 – 51.000. Para que isso ganhe credibilidade, é necessário que o Bovespa negocie abaixo de 58.000, o que ainda não aconteceu.


- Puxa, David, mas a bolsa precisa cair bem antes de atingir os seus parâmetros.
É verdade, para o primeiro intervalo 12% de queda e para o segundo 18%. A situação política está pior agora que há 30 dias, pois cada dia que passa e a economia não reage, o governo Temer perde cacife e no exterior tanto o dólar como os juros continuam numa trajetória ascendente, o que não contribui também.


Em relação ao primeiro ponto os leitores do Mosca sabem que sempre fui cético em relação ao que esse governo iría conseguir fazer, os motivos elenquei no post Temer-ou-nao-temer: ...” mas como venho repetindo, resolver o estado caótico em que o Brasil se encontra, é quase uma missão Impossível”.... Já em relação ao exterior, minha previsão é de alta nos dois indicadores – dólar e juros.

O SP500 fechou a 2.191, com queda de 0,35%; o USDBRL a R$ 3,4867, com alta de 2,54%; o EURUSD a 1,0658, com alta de 0,69%; r o ouro a US$ 1.171, sem variação.
Fique ligado!

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