Inflação: A Revanche

13 de dezembro de 2016

SP500: Céu azul


Hoje a análise é sobre bolsas, o SP500 e o Bovespa. Porém, antes de começar, vou compartilhar dois gráficos que considero interessantes, sendo que o primeiro mostra como o mercado já corrigiu a distância que existia entre a projeção do FED para a taxa de juros e o que está implícito nos contratos futuros.


Praticamente estão iguais, quando algum tempo atrás, os de mercado estavam bem abaixo. Amanhã é dia da reunião do FOMC e todo o mercado estará de olho nessas novas projeções.

O gráfico a seguir apresenta uma estatística sobre a importação americana. Verifica-se entre 250 produtos a percentagem de importados de um determinado país. Se o troglodita resolver impor condições de restrições às importações chinesas, o impacto sobre os preços desses produtos poderá ser importante. Notem que o México também tem uma participação elevada.


No final de 2014, o SP500 flertou com a marca dos 2.000 pontos e desde então entrou num intervalo de negociação compreendido entre 1.850 e 2.200; ora indicando que poderia romper para baixo, ora indicando o contrário. Contudo, foi definitivamente após a vitória de Trump que começou um movimento mais decisivo.

Meus leitores devem se recordar que mencionei algumas vezes o posicionamento do mercado antes das eleições, anotando que o mercado estava com posições pequenas, ou tinha feito operações no sentido de se proteger de uma eventual vitória do Trump. O mais interessante é que a avaliação de uma grande parte do mercado estava errada, pois acabou acontecendo a razão de sua proteção, só que com resultado inverso.

Depois disso, e em poucas horas, a bolsa americana iniciou o movimento de alta e a cada dia atinge novos recordes históricos. O Trump foi a “maçã que caiu na cabeça do mercado”!

A condição técnica mencionada foi um dos motivos que resultou na alta dos últimos dias. Comenta-se que, no dia 07/12, uma operação equivalente a US$ 1,8 bilhão de volume, no mercado futuro do SP500, feita por um investidor desconhecido, ou melhor não revelado, foi o que acelerou o movimento.


Este é mais um caso que corrobora o meu entendimento de que é muito difícil fazer previsões baseado em datas. Imagine aquele analista que no final de 2015 estimou que o SP500, ou melhor, o mais emblemático Dow Jones ultrapassaria a barreira dos 20.000. Até 30 dias atrás, seus seguidores estariam céticos de que isso seria possível, mas não foi o que acabou acontecendo! É por esta razão que prefiro me ater aos níveis ao invés das datas.

O SP500, ao romper a resistência de 2.200, abriu caminho para novas altas, conforme mencionei no post a-ilógica-financeira. O gráfico a seguir, com preços trimestrais, verifica-se claramente que após 2009 a bolsa está num canal de alta que nunca foi violado (linhas verdes). O próximo objetivo é 2.500 e se ultrapassado, irá rumo ao 2.950.


Trabalho com o primeiro nível de 2.500 como o mais provável, depois disso uma correção mais importante deveria levar o SP500 a 2.150 ou até 1.950, para depois subir novamente rumo a novos recordes; mas isso é assunto para outros finais de ano.

Confesso que nestes últimos anos fiquei sempre bastante desconfiado de que poderíamos estar na iminência de uma queda mais forte; o ambiente econômico justificava esse temor. Mas, a análise técnica nunca confirmou esse receio, porque sempre que a bolsa caiu, nunca ameaçou os níveis mais importantes. Deixo a vocês a conclusão da utilidade dessa ferramenta.

Já que o assunto é bolsa, vou completar minha análise com o Bovespa. Como mencionei diversas vezes, esse é um ativo que não acompanho com muita frequência e só comecei a fazer de um tempo para cá.

A análise de mais longo prazo deixa ainda dúvidas se ainda o Bovespa está numa correção, ou em um novo movimento de alta mais consistente. O problema é que para dirimir essa dúvida o intervalo é enorme entre 30.000 e 75.000!

Vou traçar as 2 possibilidades para o Bovespa no longo prazo vistos de hoje.

Let´s go” – Acompanhando a alta de seu tio mais rico, o SP500, o Bovespa estaria num movimento de alta de mais longo prazo, o que poderia leva-lo a níveis de 80.000 e posteriormente 105.000, sendo esse último o mais provável.


“Não espere por mim” – Nesse caso, a correção ainda estaria em curso e, como vocês bem sabem, não se pode estimar sua duração nem quais os níveis, pois dependerá do seu formato – triângulo, flat o etc... O que eu posso dizer é que no limite poderia voltar a 30.000, porém entendam que isso não é uma previsão.


- David, estava indo tudo bem, mas essa agora do Bovespa deixou a gente sem rumo!
Não concordo, se você é um assíduo leitor do Mosca, em algum momento essa dúvida será esclarecida. O que eu não consigo dizer hoje é quanto tempo ainda vai demorar para que o índice brasileiro rompa os 75.000. Enquanto isso, faremos investidas mais oportunistas.


Quero frisar que o nível longínquo de 30.000 não pode ser violado, caso isso aconteça são enormes as chances que a alta que eu vislumbro não irá acontecer. Por outro lado, só consigo imaginar isso acontecendo se a situação interna se deteriorar absurdamente, o que não parece ser o caso.  Mas fica o alerta!

O SP500 fechou a 2.271, com alta de 0,65%; o USDBRL a R$ 3,3345, com baixa de 0,10%; o EURUSD a 1,0620, com baixa de 0,11%; e o ouro a US$ 1.158, com baixa de 0,32%.
Fique ligado!

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