Inflação: A Revanche

16 de dezembro de 2016

Euro: Uma ideia de Jerico!


Ontem foi publicado o índice de inflação CPI e, de agora em diante, passa a ser um indicador com maior importância, visto que o FED iniciou o ciclo de normalização dos juros. No post inflaçâo-revanche, tracei um cenário negativo no longo prazo para a inflação americana, onde essa poderia avançar acima das intenções do FED.

O dado publicado ontem mostra uma tendência da inflação se dirigir à meta traçada de 2% a.a., e nada até o momento indica maior preocupação. Por outro lado, existe um alívio pelo fato de não mais indicar deflação.

 
No passado expliquei a importância de analisar a curva de juros, um conceito que permite concluir se o mercado vê com bons olhos os movimentos feitos pela autoridade monetária. Recomendo a leitura do post juros-101. No momento, estamos interessados em saber qual deveria ser a curva esperada num processo de alta de juros. No post acima, fiz o seguinte comentário: ...” Considerando o que o FED deseja normalizar os juros num espaço de 2-3 anos, seria razoável assumir uma curva de juros normal, e se tivesse que acelerar as altas, "Steep".... Só para lembrar, anexei abaixo como são essas curvas.


Porém, não é o que vem acontecendo nos últimos meses, mesmo com alta importante observada nos juros de 10 anos. Para ficar mais claro, o gráfico a seguir mostra a diferença entre os juros de 30 anos contra o de 7 anos, ambos de títulos do governo. O motivo deste intervalo é verificar se existe expectativa em investimentos de mais longo prazo. Porém, o que se observa é um achatamento nessa curva, ou seja, os juros mais curtos subiram mais que os mais longos.

A implicação prática é que o mercado espera que a economia tenha uma aceleração no curto prazo, mas que não se sustentaria no médio prazo. O FED teria que interromper o ciclo de alta em algum momento. Essa conclusão vem em desacordo com a minha visão técnica, e caso o mercado esteja correto em relação ao crescimento da economia no futuro, o meu cenário técnico só se concretizará com uma alta substancial da inflação.

Estamos entrando muna fase de incerteza sobre o futuro. Aconselho a não ter uma posição rígida e observar principalmente o que o troglodita fará, o que não necessariamente é igual ao que ele diz.

Quando a moeda única foi introduzida em 1999, os europeus acreditavam que seria algo muito bom para todos eles. Os italianos ficaram felizes da vida, pois para um país que convivia com juros altos, agora poderiam comprar produtos financiados com juros equivalentes ao que os alemães praticavam. Viajar pela Europa sem ter que a cada país converter a lira, que era muito desvalorizada, em outras moedas. La Dolce Vitta!

Só se esqueceram de avisar que para tudo isso dar certo, os italianos teriam que buscar a produtividade dos alemães, e como isso não aconteceu, o seu déficit público começou a crescer de forma ininterrupta, até que o mercado percebeu que investir em euros em qualquer país da Europa não era a mesma coisa. Os juros não podiam ser “one interest fit all”; parafraseando a expressão “one size fits all”.

Agora, grande parte dos europeus gostaria de cair fora do euro, pois se tivessem sua moeda própria poderiam buscar a produtividade através da desvalorização cambial. Eu não acredito na eficiência do sistema de câmbio fixo e a história é cheia de casos de insucesso ao usar este modelo. O euro foi uma ideia de jerico!

O último mercado a ser coberto está semana de análises de longo prazo é o euro. Estamos com uma posição vendida na moeda, com objetivo inicial de atingir o nível de 1,00. Mas o que poderá acontecer depois disso? Vejamos o gráfico a seguir.


Antes de qualquer coisa, vejam que eu enfatizei com a linha azul clara o movimento do euro desde o início de 2009. Acredito que até quem não entende muito de gráficos já sabe identificar uma correção, o que é o caso. A moeda única estaria a caminho de completar essa correção de 7 anos, e existem grande chance de se encerrar quando atingir na paridade.

E se não terminar? Como frisei acima, o mundo atravessa um período de mudanças e na minha opinião o ECB está na maior contramão do mundo, excluindo o Japão que nunca saiu dela. Acho que não vai demorar muito tempo para que a Europa mostre que está entrando nos trilhos e que sua inflação também não caminha mais para resultados negativos. Assim, o Super Mário já deveria ter interrompido as injeções de liquidez. Se eu estiver certo, em algum momento terá que reverter de forma brusca seu programa, e isso poderá alterar muito o euro.

Mas, como vocês bem sabem, análise técnica não se baseia em avaliações subjetivas ou fundamentalistas; somente nos gráficos. Então, respondendo à pergunta, anotei em rosa quais seriam esses próximos níveis de queda, 0,85 e 0,75 epor último 0,65.

Não sei se perceberam, mais eu projeto que o euro vai reverter em algum momento, ou seja, voltara a subir. A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante.

Hoje encerro os posts de 2016 e devo voltar à normalidade em 16 de janeiro do próximo ano. Desejo boas festas aos leitores e uma ótima entrada de ano. Aproveito para agradecer a confiança com o aumento significativo de leitores durante esse ano. Minha responsabilidade aumenta. Obrigado!

- David, espera aí, como nós vamos fazer com as posições em aberto? Vai deixar largado?

Hahaha ... sabia que você iria terminar o ano com alguma cobrança, mas não se preocupe, eu vou atualizando durante esse período; continue verificando no seu acesso o Mosca!


O SP500 fechou a 2.258, com queda de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,3915, com alta de 0,67%; o EURUSD a 1,0456, com alta de 0,42%; e o ouro a US$ 1.133, sem variação.
Fique ligado!

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