Inflação: A Revanche

9 de dezembro de 2016

Alto risco


Ontem na reunião mensal do ECB sobre política monetária, era para decidir se continuaria a farra dos helicópteros, ou o Super Mário colocaria uma pausa. Os menbros decidiram ir em frente propondo apenas uma pequena redução no volume mensal que passou de 80 bilhões de euros para 60 bilhões, por outro lado estendeu o prazo para dezembro de 2017 com possibilidade de continuar caso julgue necessário.

Uma outra tecnicidade foi a permissão para o ECB comprar títulos com vencimento de 1 ano, mesmo que seja inferior a taxa mínima que ele estabeleceu. Em outras palavras, uma empresa emite um bond e vende para o ECB, com esse dinheiro deposita no ECB a uma taxa superior (o processo está simplificado é apenas ilustrativo). Free Money!

A primeira reação do euro foi de alta, os apressadinhos só leram a primeira frase que expunha a redução do montante. Depois de alguns minutos mergulhou em queda livre e agora se encontra próximo da mínimas, pois o programa é nitidamente na direção de dar mais incentivos para os bancos emprestarem às empresas.  

O gráfico a seguir apresenta a projeção de inflação para a zona do euro divulgada pelo ECB. Acho incrível como um banco central de tamanha importância pode apresentar um indicador tão importante induzindo uma precisão que não existe. Basta observar que segundo seus cálculos a inflação permanecerá estável até 2019 em 1,6% a.a. Ah, desculpe, vai cair de 1,7% a.a.


Eu decidi o tema do Mosca para 2017 e seu título será, “Inflação: A revanche”. Vou deixar para o post da próxima semana os argumentos que permeram minha escolha. Mas, posso adiantar que houve uma reversão na minhas expectativa sobre a inflação, e daqui em diante, devemos tomar cuidado e nos precaver contra uma alta indesejada. Nos EUA, o mercado já caminha nessa direção. Se isso acabar acontecendo, ou até mesmo seu nível normalizar, como pode o ECB arriscar, sugerindo que a inflação é um problema inverso, sugerindo que a inflação vai ficar muito baixa? Acho um erro, pois se minha desconfiança se confirmar, em algum momento, essa política vai imputar um enorme prejuízo ao mercado e principalmente aos bancos.

A alternativa do ECB é ficar behind the curve, que é o termo usado quando um banco central não toma providências de elevar os juros quando é projetado que a inflação está em ascensão. É verdade que a situação da Europa ainda é muito delicada, o nível de desemprego é elevado; porém, como o gráfico abaixo mostra, está declinando e dentro do objetivo de 2017 do ECB.


Uma economia que está surpreendo dentro da Europa é a da Espanha, ela foi fortemente afetada pela crise de 2008, por estar muito concentrada na área imobiliária. Veja abaixo a virada que promoveu substituindo seu crescimento desse setor para o externo.


A Gavekal, uma respeitada empresa de consultoria econômica, algum tempo atrás afirmou que a Espanha seria a Alemanha do futuro; parece que vão acertar.

Falando sobre mercados emergentes, as saídas que se intensificaram nas semanas que precederam a eleição americana recuaram na última semana. Resta saber se foi uma pausa ou retomam seu fluxo de entrada. Eu não estou muito confiante.



Embora tenha comentado sobre o euro recentemente, parece que a hora de agir está chegando. No post tchau-tchau-banbino, fiz os seguintes comentários: ...” identifiquei um movimento que pode estar indicando uma recuperação mais consistente da moeda única para algo em torno de 1,10. Ainda é cedo para estabelecer as condições do trade, mas fiquem de olho, pois devo fazê-las nos próximos dias” ... ...” Por outro lado, o que posso afirmar com mais certeza é que caso 1,05 seja rompido para baixo, vamos à venda”...


Ontem o euro negociou na máxima a 1,0872 e esse pode ter sido o ponto de reversão, veja que grifei o pode, e vocês verão a seguir o porquê. Agora está negociando a 1,0563 e vou deixar uma sugestão de trade para vender a 1,05 caso seja esse o fechamento de NY, com um stop a 1,065 buscando atingir a paridade.


- David, larga de ser c#@ão, vende agora!
Opa, amigo, nem esperou eu dar a explicação, você é que está muito afoito!

Os meus leitores, que, diga-se de passagem, vem aumentando de forma exponencial, ontem foram 535 visitas ao blog, um recorde histórico! – Obrigado pela confiança! Uma das ferramentas técnicas que uso é Elliot Waves e, dentro de um movimento de correção, uma das “ondas” mais destruidoras de lucros é a B.  Normalmente violenta, seu movimento é contrário ao movimento maior que prevalece. Veja a seguir uma possibilidade que pode estar acontecendo nesse caso.


O gráfico acima é num intervalo mais curto que o anterior e tracei uma possibilidade que poderia levar o euro até 1,1 antes de começar a cair. Além do mais, se vendesse agora, teria muita dificuldade de colocar um stoploss, tecnicamente seria esse mesmo 1,1. Não estou a fim de arriscar tanto.

- David, não entendo nada de suas maluquices de A,B,C; parece aula de jardim da infância! Então me diga, como o euro poderia subir tanto agora?

Não adianta ficar nervoso, você sabe bem que em análise técnica as coisas não funcionam assim. Eu projeto um movimento e vou buscar os argumentos para materializar essa ideia. Isso pode ser chamado de adivinhação. Mas, só para lembrar, na semana que vem tem reunião do FED. Eu até espero que o resulatdo seja negativo para o euro: tem-gato-no-telhado, mas quem sabe o que eles vão decidir?


O SP500 fechou a 2.259, com alta de 0,59%; o USDBRL a R$ 3,3770, sem variação; o EURUSD a 1,0558, com queda de 0,50%; e o ouro a US$ 1.157, com queda de 1,12%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário