Inflação: A Revanche

7 de dezembro de 2016

"Rutspuh"


Meus pais eram poloneses de origem judaica e além da língua materna, eles falavam um dialeto, o Yiddish, que era uma mistura de várias línguas com forte influência alemã. Em casa, eles se falavam nesse dialeto e acabei aprendendo algumas palavras. Uma delas que ficou marcada, e da qual nunca mais me esqueci, pronuncia-se “rutspuh”. Seu significado é semelhante à cara de pau, mas com um teor mais forte: é quando alguém toma uma atitude completamente fora do que se é esperado; tão inesperado que os outros ficam chocados.

Para dar um ótimo exemplo de rutspuh, basta ver o que Renan Calheiros fez ontem, ao se acomunar com os membros do Senado e simplesmente desobedecer uma ordem do STF. Qualquer explicação é inútil, pois caso contrário, para que existe a lei? Ele acha que está acima da lei! O que impressiona também é como os outros senadores tiveram a coragem de assinar o documento justificando sua atitude. Só existe um motivo, todos tem o rabo preso!

A bola está com a Carmen Lúcia, Presidente do STF, e não sei ainda o que será decidido, mas não tem outra solução a não ser destitui-lo do cargo. Independente do que cada membro possa achar, agora é hora de mostrar que as regras têm que ser obedecidas. Não gosto também do Ministro Marco Aurélio, mas ele está lá e devemos respeitar suas decisões, somente o próprio STF pode questiona-lo, não o Renan. Além disso, acho que a ordem deve ainda vir com um adendo frisando que a atitude tomada pelo Senado não é correta; um pito!

Se no último final de semana, nas manifestações de rua, Renan era a bola da vez, depois do que fez, vai torna-lo ainda mais odiado e caso seja destituído, e quem sabe rume a uma saída, como seu par Eduardo Cunha, será motivo de festa nacional.

No Hemisfério Norte, o troglodita continua em sua guerra contra as empresas que não são “patriotas”, definidas com aquelas que transferem suas fábricas dos EUA para outros países. Hoje foi o dia da Boeing, que sofreu ameaças de retaliação pela manhã. Acontece que os resultados de eficiência das empresas americana não são animadores. O gráfico a seguir dá uma boa ideia do custo unitário naquele país.

 
O próximo gráfico é consequência do que está mostrado acima, onde se pode notar a produção por hora de todos os trabalhadores. Nitidamente uma tendência estruturalmente declinante.


O Presidente de um país não pode se meter nas decisões das empresas, ou pior ainda, ameaça-las. O motivo é simples, o CEO é cobrado por resultados e se para isso tem que estabelecer suas fábricas em outro país, deve fazê-lo. A partir do momento que existe esta ingerência, ou o governo fornece subsídios para compensar as desvantagens locais ou o preço de venda terá que ser elevado para manter a lucratividade.

Coloco um assunto ao Sr. Trump, a quem também cabe a definição de rutspuh, tal qual Renam, mas por motivos diferentes. É sabido que os robôs vêm substituindo o trabalho dos humanos de maneira ameaçadora. O gráfico a seguir dá um mostra de como caminha a passos largos, e observem que o país que mais vem acelerando é a China, onde o problema de criar empregos é muito maior que o dos americanos.


Eu tenho uma perguntinha ao troglodita rutspuh: se as empresas americanas que querem seguir os conselhos do novo Presidente, e manter suas fábricas nos USA, resolvem demitir seus funcionários e substitui-los por robôs, tudo bem? Ou ele também vai criar uma taxa para quem usa robôs? E dou mais uma lambuja, os bichinhos são made in USA! Imagino que é isso que irá acontecer no tempo caso essa política de se meter em negócios alheios continuar. Os EUA irão acelerar esse movimento e o tiro vai sair pela culatra!

Como prometido hoje o assunto é juros, e não adianta ficar animadinho, são os juros americanos. Por aqui, o mercado entendeu a mea culpa do Ilan. Ele indicou na ata publicada hoje que 50 pontos de queda estão garantidos para janeiro. O mercado está trabalhando com uma taxa ao final de 2017 de 10,75% a.a., agora tudo isso é válido se no exterior não estragarem nossa festa por aqui, e infelizmente essa chance existe.

O Mosca vai entrar de férias de 19 de dezembro até 16 de janeiro e como sempre vou ficar ligado publicando caso seja necessário. Se tiver posição em aberto, também atualizo. Na próxima semana, como de costume, vou fazer contra a vontade as previsões dos principais ativos para 2017, aguardem.

No post mudança-de-360, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” A análise num gráfico de curto prazo mostra a dificuldade, pelo menos temporária, desse ativo ultrapassar o nível de 2,40% - 2,45%. Esse nível é de real importância do ponto de vista técnico, pois, se ultrapassado, não existe grandes obstáculos até a marca de 3,0%” ...


Parece que uma correção está em andamento e os pontos onde eu acredito que possa haver uma reversão estão anotados no gráfico acima em rosa – 2,30%/2,20%/2,10%. No primeiro, não faria nenhuma aposta, só vai reverter nesse ponto se realmente a alta de juros estiver muito, muito forte; no segundo, a 2,20%, é meu palpite mais firme e é nesse nível que eu recomendo uma posição na alta dos juros e, finalmente, 2,10% deveria ser o máximo para conter a queda. Minha sugestão para o stoploss é de 2% a.a.

Vou deixar essa sugestão na minha lista, mas provavelmente sua administração será durante minha viagem, farei publicações específicas. Claro, se o trade se concretizar.

Eu ainda não escolhi o tema para 2017, mas já escolhi o que vamos acompnhar diariamente: os juros de 10 anos. Esse será o ativo mais importante durante 2017, e através dele que teremos pistas para onde irão os outros ativos. Não quero assustar vocês, mas não vejo com bons olhos o que pode acontecer nesse ativo. Em todo caso, não vai ser do dia para noite, tudo tem um processo.

O SP500 fechou a 2.241, com alta de 1,32, recorde histórico!; o USDBRL a R$ 3,3825, com queda de 0,73%; o EURUSD a 1,0749, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.173, com alta de 0,30%.
Fique ligado!

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