Inflação: A Revanche

2 de dezembro de 2016

E se...

Dados recentemente publicados confirmam a melhora das principais economias desenvolvidas. Para começar, o ISM da indústria nos EUA, que é o segmento que sofre bastante com a concorrência externa, ficou em 53,2 acima da expectativa dos analistas.


Na Europa não foi diferente. O PMI da Itália e Espanha também aponta para melhoras e ficou acima da barreira de 50, que indica expansão. A seguir, o resultado da Itália registrando 52,2.


O próximo gráfico apresenta o mesmo indicador da Espanha, que notadamente é o país da Europa que teve a melhor recuperação depois da grande recessão, aproximando-se das máximas dos últimos anos com uma marca de 54,5.



Passado algum tempo desde a surpreendente vitória de Trump, alguns analistas se questionam se o otimismo vivido neste último mês será compatível com a realidade. Muitos têm questionado se o plano de elevação dos gastos públicos, através de projetos de infraestrutura, causará uma alta do PIB em termos reais; o que aconteceria seria um crescimento do PIB em termos nominais oriundos de uma inflação mais alta, sem que haja um acréscimo real.

Vamos imaginar que é isso que acabe acontecendo, restaria saber como o FED agiria em termos de política monetária. Naturalmente, falta saber qual seria esse nível de inflação. Estamos falando de 2% - 3% a.a. ou algo mais salgado superior a 5 % a.a? No primeiro patamar, é razoável supor que a taxa de juros de 10 anos esteja ao redor de 5% a.a., isso se o mercado não ficar desconfiado que a inflação subirá mais no futuro. Os títulos de renda fixa com esse mesmo prazo sofreriam uma queda de 20% comparados aos níveis atuais. Já no segundo caso, acredito que os juros dos títulos de 10 anos estariam mais perto de 7% a.a. Neste caso, a queda equivalente dos títulos de renda fixa seria de expressivos 35%!

Agora, e se o FED resolver ser agressivo para evitar que no segundo cenário a inflação não se torne algo incontrolável? Nós, aqui no Brasil, conhecemos bem esse problema, com juros reais na casa dos 6% a.a. Não é fácil rentabilizar qualquer projeto. Para vocês ficarem com um número simples na cabeça, a cada elevação dos juros de 1% a.a., os títulos de 10 anos perdem aproximadamente 8 %. Não é pouca coisa para um mundo que há pouco tempo investia nesse mesmo horizonte para receber zero!

Eu resolvi publicar abaixo a evolução das dívidas dos países emergentes nos últimos 5 anos, ocasionada pelas baixas taxas de juros. Como podem notar, a China lidera com folga esse ranking.


Talvez no próximo gráfico fique mais evidente o explosivo crescimento do crédito dos países emergentes em relação ao PIB e a relevância da China nessa estatística.


No início da minha carreira profissional, vivi um período de aumento expressivo dos juros internacionais. Eu ainda era muito jovem e, naquela época, as economias não eram ainda tão integradas. Mas, não esqueço o dia que meu chefe me chamou e mostrou um contrato de financiamento a clientes do banco para que eu visse a taxa da Libor. Era de 20% a.a., e não estou dizendo que a moeda era em cruzeiro, cruzados, ou sei lá o que; mas, em dólares! “ Olhe bem para esse número, você não verá mais esse nível por muitos anos” . Ele tinha razão, nos 35 anos seguintes os juros só caíram.

Entretanto, como tudo na vida é cíclico, talvez estejamos chegando ao final desse e o novo ciclo de alta poderá durar mais 20 a 25 anos. Ninguém que trabalha nesse setor viveu algo parecido, não tendo a menor experiência nessa situação. Talvez os traders brasileiros levem alguma vantagem, pelo menos nisso!

Com o troglodita a frente da maior economia do mundo tudo é possível, pois para uma pessoa com fortes características psicopáticas, não é impossível imaginar a repetição da história do imperador Nero, um reinado associado à tirania e extravagância. É recordado por execuções, incluindo a sua mãe, além de ser um implacável perseguidor dos cristãos. Uma das explicações sobre o fogo que devastou Roma era que ele queria construir um complexo palaciano, e como o senado havia indeferido seu pedido, colocou fogo na cidade. Então, alguma semelhança?

No post dólar-pede-passagem, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” As altas destes últimos dias mostram uma formação sem muita convicção, o que em análise técnica se define como divergente dos instrumentos de momentum. Em outras palavras, pode acontecer uma realização a qualquer momento” ...


Para contrapor a visão de curto prazo, estou publicando um gráfico com maior alcance temporal. Por enquanto, nada de mais grave se pode associar a esse índice. Depois de uma forte reação após a vitória de Trump, o mercado está dando indicações que busca novas altas. Porém, tudo está bem desde que a área apontada em verde não seja penetrada.



O nível apontado é entre 2.140 – 2.100. Caso isso venha acontecer, será classificado pelos analistas técnicos como um false break; ou seja, se o mercado não teve forças de subir, vai cair. Mas, ainda existe uma boa distância dos níveis atuais, algo como 5%. Por outro lado, não existe ainda nenhuma indicação técnica muito importante que sugira uma grande ameaça. Por tudo isso, ainda prefiro não fazer nada nesse mercado e aguardar maiores evidências.


O SP500 fechou a 2.191, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,4750, com queda de 0,34%; o EURUSD a 1,0669, sem alteração; e o ouro a US$ 1.176, com alta de 0,41%.
Fique ligado!

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