Inflação: A Revanche

18 de janeiro de 2017

Jogando na defesa


O mercado aguarda ansiosamente a posse do “Já-Presidente” Donald Trump, o motivo é duplo: movimentos contrários à Trump, organizam planos de protestos por todo país com a possibilidade de distúrbios. Sua popularidade é uma das mais baixas para o início de um governo; do ponto de vista do mercado, fica a expectativa de alguma menção em seu discurso de posse em relação ao comércio com a China, esta é a maior preocupação do momento.

Como citei ontem, o Presidente Chinês deu seu recado em Davos, mas imagino que eles - os chineses - não estão de braços cruzados. Fico pensando qual seria o seu plano B. Uma ação que pode ameaçar os EUA e porque não todo mercado financeiro é o volume de títulos americanos detidos pela China. São trilhões de dólares que se colocados à venda, de forma maciça, forçaria a taxa de juros a subir de forma descontrolada, provavelmente levando a economia mundial à recessão.

Mas não acredito que usem essa arma de imediato, talvez ameaças nesse sentido caso o troglodita tome medidas que possam afetar a China de forma mais profunda. Entre um extremo e outro, o mercado ficará muito atento nas próximas semanas. O mais provável é que a China jogue na defesa, aguardando possíveis ações dos americanos.

Na verdade, o protecionismo já vem crescendo nos últimos anos. O país que mais implementou medidas nessa direção foi o EUA, como se pode verificar na figura abaixo.


O futuro assessor do Presidente americano, Anthony Scaramucci, reforçou as palavras de Trump referente ao dólar. De forma a não apontar os culpados, disse que um dólar forte é ruim para as empresas americanas. Será que o novo governo intensificará a guerra cambial? Se isso acontecer falta combinar com o FED! Por sinal, imagino que seus membros devem estar apreensivos.

Mas como estão reagindo os mercados chineses? A moeda traça uma trajetória compatível com as das principais moedas, que recentemente passa por uma apreciação.



Já a bolsa de valores não acompanhou o movimento das outras e vem caindo desde o anuncio de Trump, num movimento que tecnicamente indica baixa.


Já o mercado imobiliário, depois de um período de valorização que se iniciou em 2015, encontra-se estabilizado num patamar ainda elevado de apreciação.

 
Diferentemente do México onde a moeda está em queda livre desde a vitória de Trump (gráfico a seguir invertido), os ativos chineses não sofreram esse impacto de forma mais clara. Mas isso poderá mudar nas próximas semanas. Por outro lado, os mercados estão relativamente complacentes e de certa forma animados com as mudanças que imaginam serão adotadas pelo novo governo. Se houver alterações não “Market friendly” os preços serão impactados.


O euro não conseguiu romper a barreira de 1,05 e agora se encontra próximo a 1,07. No post alto-risco, propus o trade para venda da moeda única quando estivesse abaixo de 1,05. Isso acabou acontecendo no dia 15/12 e na sequencia atingiu a mínima de 1,034 em duas ocasiões conforme apontado no gráfico abaixo.


Mesmo tendo sido estopado minha visão não se modificou, ainda espero novas quedas para o euro. O gráfico a seguir, com uma visão de mais médio prazo, mostra a reação das últimas semanas. Uma parte desse movimento se deve ao excesso de posições vendidas que acabaram sendo liquidadas com as recentes declarações do “Já- Presidente” sobre o dólar.



No momento não tenho nada a sugerir, e apenas indicativamente, se o euro ultrapassar 1,09, o processo de queda será postergado. Por outro lado, uma queda abaixo de 1,05 deverá desta vez levar o euro para a paridade, ou quem sabe, abaixo disso. 

Quero enfatizar que a moeda única se encontra numa fase madura de queda e que em algum momento deverá ocorrer uma reversão, ocasionando altas conforme mencionei no post no final do ano passado euro-uma-ideia-de-jerico: ...”eu projeto que o euro vai reverter em algum momento, ou seja, voltara a subir. A moeda única se encontra em seu último estágio de queda, frisando que essa é uma afirmação com uma visão de longo prazo. Aviso aos navegantes, vamos comprar euro em algum momento, e ele vai subir bastante” .... Nunca percam esse ponto de vista.

O SP500 fechou a 2.271, com alta de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,2307, com alta de 0,60%; o EURUSD a 1,0630, com baixa de 0,76%; e o ouro a US$ 1.204, com queda de 1,02%.
Fique ligado!

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