Inflação: A Revanche

19 de janeiro de 2017

A moda é tuitar!


Eu estava imaginado que a quantidade de notícias sobre a posse de Trump terminaria amanhã, mas eu me enganei. O “Já-Presidente”, Donald Trump, está imprimindo uma nova forma de governar. Faz parte de seu estilo usar o Twitter constantemente dando recados de toda espécie.

Do ponto de vista psicológico, não resta dúvida que ele se encaixa como narcisista e, porque não, psicopata; esse último parece estar associado a inúmeros Presidentes, como se fosse um dos pré-requisitos para o cargo. O Twitter atende seus anseios pessoais e, por ser um empresário “raposa”, também fico em dúvida se tem algum interesse nessa empresa, visto que a companhia não vai muito bem ultimamente; veja a seguir como caiu o tempo nesse aplicativo.


Podem se acostumar, durante os próximos 4 anos postará diariamente, e quiçá 8 anos, visto sua intenção de concorrer a reeleição em 2020 com o slogan “We continue to make American Great”. Se a moda pega e além dele outros Presidentes e CEO de Companhias resolvem se comunicar diretamente pelo Twitter, o mundo ficara conectado, pois é inegável a rapidez e acessibilidade dessa ferramenta. A Bloomberg e o Wall Street Journal que se cuidem, pode mudar drasticamente a maneira de transmitir informações. Pensando melhor, por que não seria assim, se a tendência mundial caminha nessa direção de juntar “produtor” ao “consumidor” diretamente? Talvez Trump esteja na dianteira nesse ponto!

Mas na maneira de gerir o país e principalmente sobre economia não é seu forte. Ontem, comentei que a declaração de Trump sobre o dólar fez com que essa moeda caísse. Também observei que teria que combinar com o FED. Pois bem, seu secretário de comércio declarou que mudanças importantes devem ser feitas no acordo NATA – North American Free Trade Agreement. Isso colocou mais lenha na fogueira, com o peso mexicano e dólar canadense sofrendo forte desvalorização após o anúncio, agindo contrariamente a sua intenção, ao fortalecer o dólar.

O próximo gráfico mostra os principais parceiros comerciais dos EUA, com seus respectivos valores de importação, exportação e o saldo da balança comercial. Notem que a China, México e Canada são os que têm maiores volume de transações mas não necessariamente os maiores déficits. Nesse último quesito, a Alemanha e o Japão aparecem em segundo lugar, depois da China. Em outras palavras, mexer no acordo da NATA não faz sentido, pois Canada e México podem programar sanções que diminuam também as exportações americanas para esses países.


A professora Yellen proferiu um discurso no Commonweath Club em São Francisco e reafirmou sua intenção de normalizar a taxa de juros. Veja os principais pontos:


Não deu outra, o gráfico a seguir do índice do dólar publicado pela Bloomberg , mostra que a moeda americana deu meia volta e retornou ao ponto que estava antes da declaração de Trump.



Samba do crioulo doido!

Para finalizar, ontem foi publicado o índice de inflação – CPI, que está agora acima de 2%, tanto o índice que exclui gasolina e alimentos, bem como o cheio. É interessante notar que a inflação de 2,1% no ano de 2016 se distribui de forma diferente entre seus componentes. Observem que os serviços ficaram em níveis relativamente elevados quando comparado ao CPI. Já alguns produtos e serviços relacionados à tecnologia sofreram deflação.


No post politicos-mantem-o-vicio, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” entre US$ 1.170 – US$ 1.200 o metal já deveria dar mostras de reversão, onde posso entrar com um trade de compra. Porém, o ouro poderá continuar caindo e anotei no gráfico um intervalo que não deveria romper caso eu esteja certo – reversão da queda. Esse intervalo é entre US$ 1.140 – US$ 1.120. Se mesmo assim, depois de atingir esse último intervalo, continuar caindo, ficarei muito desconfiado da minha previsão de alta” ....


No dia 18/12, o ouro atingiu a mínima de US$ 1.122, dentro do intervalo acima apontado. Passou pela minha cabeça “Ah, se eu estivesse na ativa, teria comprado”. Mas, do que adianta esse pensamento? Só para massagear o ego. Não sei o que eu teria feito! O importante é que o ouro respeitou com dignidade o intervalo que apontei.

Estou apresentando o próximo gráfico de forma um pouco diferente da usual para poder apontar alguns fatos relevantes.


Incialmente, notem que houve 4 tentativas de rompimento para cima e 4 para baixo contidas entre as retas em rosa. Foi somente na última que  o ouro rompeu para cima. É bastante comum em movimentos terminais essa configuração onde os preços ficam contidos até que haja o rompimento. Depois disso, atingiu a máxima de US$ 1.360, e logo em seguida, voltou a testar novamente a reta anterior ao rompimento – destacado no gráfico em azul claro. Em seguida voltou a subir e encontra-se atualmente em US$ 1.200.

- David, bonito relato, impressionante. E daí!
Obrigado, espero que o elogio seja sincero! Hahaha .... Minha intenção foi mostrar a importância dessa reta neste caso.

Agora estamos com o seguinte dilema: ou o rompimento foi um false break e o ouro ainda está no seu caminho de baixa, ou esta baixa mais recente foi um “last Kiss” e o movimento de alta estaria em curso. Como saber? Espere o mercado dizer – “ Let the market speak” .

Acima de US$ 1.250 aumentam as chances da segunda hipótese e abaixo de US$ 1.160, da primeira. Por enquanto, ficamos de observadores.

O SP500 fechou a 2.263, com queda de 0,36%; o USDBRL a R$ 3,1962, com queda de 1,07%; o EURUSD a 1,0662, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.204, com alta de 0,10%.
Fique ligado!

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