Inflação: A Revanche

23 de janeiro de 2017

Olhando no espelho


Depois de um fim de semana de comemorações, Donald Trump não tem mais com quem reclamar, pois a bola agora está em seus pés. A sensação de depressão pós eleição deve ter se instalado. Uma rotina muito diferente da de um empresário é a nova realidade do novo Presidente. Daqui em diante saberemos se vai implementar aquilo que prometeu, e isso não depende só dele, mas também da aprovação do Congresso americano.

Uma pesquisa feita pelo Bank of America aponta como maior risco uma eventual guerra comercial de políticas protecionistas, conforme o gráfico a seguir. Notem que no período de um ano o foco mudou radicalmente, onde o maior risco anteriormente era a deflação e eventuais quebras de bancos. Dá para fazer apostas de longo prazo e esquecer?

 
No quesito mão de obra, grande bandeira defendida por Trump, os dados não apontam para tanto otimismo. Ao se deparar com os custos por hora, comparativo entre EUA, México e China, não existe nenhum argumento racional para que um empresário desmonte suas fábricas nesses locais a fim de atender a um pedido (ameaça) do novo Presidente. Só se houvesse outros benefícios que não o discurso “We are going to make America Great!”. Esse movimento seria no mínimo inflacionário.


O mercado financeiro já aponta para essa possibilidade – elevação da inflação. Um indicador usado é o cálculo da inflação implícita nos títulos de renda fixa, comparando os de juros nominais contra os indexados. O resultado pode ser visto a seguir.

Aqui no Brasil a discussão permanece no nome que irá substituir o Ex-Ministro Teori na lavajato. A Presidente do STF, Carmen Lúcia, deve indicar um nome em breve, porém, independente de quem seja, o processo sofrerá atraso e isso poderá ter consequências financeiras importantes para Odebrecht que já está com a corda no pescoço.

Embora os resultados do final de ano ainda foram ruins quando comprados com do ano anterior, já existe algum alento no horizonte. Isso pode ser constatado através da expectativa dos empresários em relação ao futuro.

 
Outra observação que se nota é o elevado grau de otimismo dos investidores estrangeiros que veem o Brasil como uma boa oportunidade.

Eu iria comentar sobre o SP500, porém o dólar poderá oferecer uma oportunidade proximamente, e eu gostaria de deixar um trade na lista. No post lições-de-vida, fiz os seguintes comentários: ...” Não consigo dar nenhuma sugestão no momento apontando para uma alta ou baixa, embora a maior possibilidade é de baixa. Se alguém quiser se aventurar na venda de dólar sugiro um stoploss curto ao redor de R$ 3,30 – 3,35. Uma segunda estratégia seria esperar atingir esse nível – R$ 3,30/3,35, para vender, e por último, esperar romper para cima de R$ 3,50 e comprar, ou abaixo de R$ R$ 3,12 para vender” ...


Ao analisar vários aspectos técnicos, fiquei em dúvida sobre o que fazer caso o dólar rompa o nível de R$ 3,11. Vender, é isso o que eu deveria fazer, contudo, ao imaginar onde deveria colocar o stoploss, algumas considerações me fizeram refletir. O primeiro nível que surgiu seria ao redor de R$ 3,30, um risco de 6% para um ganho potencial entre 7% - 11%, nada espetacular. Em seguida, imaginei que poderia apertar mais e indicar R$ 3,25; nesse caso o stoploss seria de 4%, o que parece melhor. Mas, foi o gráfico semanal que colocou uma grande pulga atrás da minha orelha. Veja a seguir.


As 3 semanas apontadas com as flechas em azul são chamadas em análise técnica como “triple bottom”. Antes que meu amigo pergunte, vou explicar. Observe que nessas 3 ocasiões o mercado negociou uma mínima durante a semana, porém fechou no preço máximo, ou próximo dele. Este é um indicador considerado de reversão de tendência, que não necessariamente acontece. Foi por causa dessas constatações que eu sugeri um trade de compra de dólar em dezembro passado.

Por outro lado, outros indicadores que sigo apontam uma boa oportunidade de venda de dólar. O que fazer? Ou nada ou uma posição pequena. Vou optar por essa última e colocar um trade correspondente a ¼ das ordens normais. Venda de dólar a R$ 3,11 no fechamento de NY, com um stoploss a R$ 3,25. Qualquer mudança de opinião, acompanhe o Mosca como de costume.


 O SP500 fechou a 2.265, com baixa de 0,27%; o USDBRL a R$ 3,1639, com queda de 0,15%; o EURUSD a 1,0744, com alta de 0,42%; e o ouro a US$ 1.215, com alta de 0,51%.
Fique ligado!

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