Inflação: A Revanche

31 de janeiro de 2017

EUA X O "resto"


Dou minha palavra que estou me policiando para não comentar sobre as atuações do Trump, mas não está dando. A cada minuto, um novo movimento é noticiado. Ontem foi a advogada geral da União, Sally Yates, que reviveu os tempos de Trump no programa Aprendiz e foi Fired, com F maiúsculo. Isso, porque ela desafiou a ordem do chefe de proibir a entrada de imigrantes dos países considerados de risco.

Hoje pela manhã o espectro de ações cruzou o Atlântico, quando o assessor para assuntos de comércio, Peter Navarro, acusou a Alemanha de usar o euro “grosseiramente desvalorizado para explorar os EUA e seus parceiros da Europa”. Imediatamente após o anúncio, o euro subiu 0,5%. Mas, será que através das palavras o novo governo poderá influenciar um mercado tão grande quanto o de câmbio, que negocia diariamente US$ 5,0 trilhões? Não acredito, o que acabou acontecendo hoje tem outras explicações.

Incialmente, eu gostaria de comentar os dados do PIB americano publicado na última sexta-feira, onde o resultado de 1,9% ficou abaixo das expectativas.



Um dos motivos dessa piora é a queda das exportações americanas, conforme se pode verificar a seguir.
 
O motivo dado é a alta do dólar e, nesse quesito, o mercado está expressivamente posicionado a favor da moeda americana. A ilustração a seguir dá uma dimensão desse volume.



O novo governo tem a intenção de desvalorizar o dólar, pois sabem que com uma moeda fraca, ficará mais fácil para as empresas americanas aumentarem suas exportações. Acontece que da forma como Trump está agindo será muito difícil que os outros países não busquem fazer o mesmo.

No mercado de câmbio, se uma moeda se valoriza é sempre em relação a outra; não dá para ambas se desvalorizarem ao mesmo tempo.

Na batalha mercadológica, o dólar está em vantagem, ou seja, mais propenso a se valorizar. Enquanto os EUA estão no processo de normalizar sua taxa de juros, com elevações já previstas pelo mercado – veja a seguir a probabilidade de elevação de 0,25% já na próxima reunião do FED –, os outros países, entenda-se Euro, Japão e Inglaterra, não se encontram nessa posição. Na noite passada, o BOJ reafirmou sua política de manter os juros negativos, além de policiar o mercado de títulos de 10 anos para que seu juro não suba mais que 0,10% a.a.


Ainda nesse campo, ontem foi publicado o índice de inflação, o PCE, medida que o FED utiliza para definir sua política monetária e, como se pode verificar abaixo, está em alta e se aproxima do outro dado usado pelo mercado, o CPI. Com essa equipe no FED, não acredito que deixarão de subir os juros com os dados que foram publicados recentemente.


Acredito que a situação do dólar em queda nos últimos dias seja uma questão de posicionamento. Assim que as posições diminuírem, deve voltar a subir. Isso, claro, se o Trump não inventar mais uma de suas traquinagens; o que é bem possível.

No post shit-happens: fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” Parece que o índice Bovespa está pronto para atingir novas altas e o cenário “Let´s go” acima poderá se concretizar. Assim, vou colocar uma sugestão de trade caso o índice feche acima de 66.000 com um stop a 62.000; tudo indica que isso é o mais provável, mas é importante que ultrapasse essa marca” ...

Porém fiz uma observação adicional: ...” O post de hoje trata de eventos não prováveis que acabam acontecendo e, no caso do índice Bovespa, seria uma nova rodada de queda que colocaria esse ativo nos meus parâmetros anteriores” .... Muito bem, vejamos o que aconteceu depois disso. No dia 23/01 esse índice rompeu a barreira dos 66.000, o que foi suficiente para entrarmos no trade. Tudo estava indo bem, até ontem quando sofreu uma queda mais significativa.


Para quem conhece Elliot Waves, vai entender a interrogação que coloquei no gráfico acima. A onda 5 terminou quando atingiu 65.000 em outubro ou na última quinta-feira, quando atingiu 66.600?

- Epa David, não vem jogar para cima de nós sua angústia! Quero saber, o que vai acontecer?
Pois bem, o que vai acontecer nós vamos observar nos próximos dias. Mas, posso adiantar algumas coisas; se for o primeiro caso, o nosso stoploss deverá ser suficiente para conter uma pequena correção; agora se for o segundo, a queda pode ser maior onde o Ibovespa poderia atingir entre 54.000/51.000.

Quando existem rompimentos de pontos importantes, três situações podem acontecer: a primeira, o mercado não dá bola e segue em frente sem retornar ao ponto de ruptura, um touro, como se diz; a segunda, volta ao redor dá ruptura, e em seguida sobe, o que se chama de last kiss; e por último, tenta romper e não consegue, o que se denomina de false break. No caso atual do Ibovespa, estamos entre o segundo e o terceiro.

Vocês já devem ter passado diversas vezes aqui no Mosca situações como essa, mas estou intrigado por ter incluido o texto destacado acima. Por que desta vez? Talvez já estivesse com uma pulga atrás da orelha!

Agora, só resta observar os próximos dias e verificar em qual caso estamos. Só para adiantar, se for o false break, acredito que se trata de uma correção mais longa. E uma possibilidade pequena, de que esse movimento de alta reverta - o que comentei no post de final de ano SP500-céu-azul: ... “Não espere por mim” – Nesse caso, a correção ainda estaria em curso e, como vocês bem sabem, não se pode estimar sua duração nem quais os níveis, pois dependerá do seu formato – triângulo, flat o etc... O que eu posso dizer é que no limite poderia voltar a 30.000, porém entendam que isso não é uma previsão” ...

- David, você me deixou tonto!

Relaxa, vamos passo a passo, e não se preocupe, sempre tem o stoploss que evita uma grande perda!

O SP500 fechou a 2.278, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1507, com alta de 0,81%; o EURUSD a 1,0795, com alta de 0,94%; e o ouro a US$ 1.209, com 1,51% de alta.
Fique ligado!

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