Inflação: A Revanche

30 de janeiro de 2017

China: A hora da decisão

Já dizia o grande estadista Francês, Charles De Gaulle, “O difícil não é escolher a melhor alternativa entre duas, e sim, entre duas opções péssimas”. Parece que a China está chegando rapidamente a um ponto onde terá que optar por entre dois caminhos. As duas opções são complexas e simples: continuar observando saídas de recursos, ou acompanhar as mais modernas economias e se transformar permitindo o fluxo sem restrições através da liberação da taxa de câmbio.

Henry Fernandez, CEO da MSCI – uma companhia que publica o índice da maioria das bolsas internacionais, sugeriu que a China adotasse um câmbio livre. Esse país vem desejando que sua bolsa seja incluída no índice MSCI Emerging Markets. Está inclusão poderia canalizar trilhões de dólares em seu mercado acionário e provar que de fato a China é moderna e uma economia global.

A China vem tentando mostrar ao mundo que sua economia é aberta, transparente e segura, mas a MSCI disse que está perto, mas ainda faltam alguns passos.

Nos últimos meses, o yuan vem caindo mais rápidamente, ritmo que não é visto desde 1994. A causa desse declínio é a desaceleração do crescimento econômico, e também, porque os chineses estão tirando seu dinheiro do país. Só em dezembro foram US$ 82 bilhões.

 
Esse movimento não é do interesse dos líderes chineses que desejam que sua população esteja hábil a comprar produtos – de ter uma economia baseada no consumo como a americana. Desta forma, o governo instituiu uma série de medidas para controlar o capital com o objetivo de estancar as saídas.


A MSCI está pedindo para a China afrouxar os controles de capital e parar de restringir a “porta de saída”. De fato, o que os investidores não querem é colocar seus recursos numa economia e não terem a possibilidade de retirar quando desejarem.

É possível que ao tirar os controles de capital incentive uma onda de saídas por parte de sua população, e isso acarretará em mais quedas de sua moeda o yuan. Este ciclo vicioso a China está tentando evitar.

Por outro lado, eles precisam atrair capitais, e não somente manter suas reservas da forma atual. Mas isso parece difícil sem a confiança da sua população e de instituições como o MSCI. A China precisa decidir se continua numa batalha perdida de estancar a saída do dinheiro, ou arrisca o aumento da volatilidade e ter uma economia que possivelmente atrairá recursos.

Nesse meio tempo, o investimento direto no país está em declínio; investidores externos estão enviando cada vez mais recursos de volta a seus países. Segundo o banco Societe Generale, a China não terá opção, o fluxo irá induzir essa opção! Segundo esse banco, “depois de um certo nível, o controle de capitais não evitara prejuízos no fluxo comercial e, por consequência, na economia”.


Essa situação se contrapõe ao discurso proferido pelo Presidente Chinês, Xi Jinping, no fórum econômico de Davos ...“gostando ou não, a economia global é um enorme oceano que você não pode escapar”... Embora Todos saibam que essas palavras foram dirigidas às ameaças de Trump.

Nas condições atuais, com o fluxo negativo, seria muito difícil liberar o câmbio, uma liberação poderia causar uma aceleração das saídas. As pessoas entrariam num estado de tensão, projetando que a moeda entraria em queda livre. Imagino que as autoridades chinesas não querem lembrar da tentativa testada em agosto de 2015, onde o mercado entrou em pânico ao ser pego de surpresa com o aumento da banda de flutuação diária do yuan.

Essa liberação seria mais recomenda quando o fluxo estivesse neutro, ou até levemente positivo, e isso parece distante do momento atual. A China está usando as ferramentas clássicas para minimizar essa queda: a elevação dos juros e o controle de capitais. Ao mesmo tempo, esperam (rezam?) que em algum momento esse movimento se reverta.


No post olhando-no-espelho, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” ao analisar vários aspectos técnicos, fiquei em dúvida sobre o que fazer caso o dólar rompa o nível de R$ 3,11. Vender, é isso o que eu deveria fazer, contudo, ao imaginar onde deveria colocar o stoploss, algumas considerações me fizeram refletir. O primeiro nível que surgiu seria ao redor de R$ 3,30, um risco de 6% para um ganho potencial entre 7% - 11%, nada espetacular. Em seguida, imaginei que poderia apertar mais e indicar R$ 3,25; nesse caso o stoploss seria de 4%, o que parece melhor” ...


Depois dessas palavras, “abrindo meu coração”, e não é papo de autoajuda, decidi por uma sugestão de trade: ... Vou optar por essa última e colocar um trade correspondente a ¼ das ordens normais. Venda de dólar a R$ 3,11 no fechamento de NY, com um stoploss a R$ 3,25. Qualquer mudança de opinião, acompanhe o Mosca como de costume” ...

Dos 2 cenários apresentados no gráfico acima, parece que a opção 1 em azul se aproxima. Tudo indica que o dólar deva romper o nível de R$ 3,11, caminhando para o próximo nível de R$ 2,90, nível esse que apontei a um bom tempo. É verdade que, em novembro, quando o dólar subiu até R$ 3,50, imaginei que o movimento de alta estaria iniciando. Do ponto de vista técnico, faltou um elemento importantíssimo que seria uma nova alta acima de R$ 3,50 – ilustrado no gráfico abaixo.


E foi essa a razão da minha aposta, ficando comprado em dólar. Mas, não foi o que acabou acontecendo e fomos stopados. Estou frisando essa situação, pois espelha bem como as coisas podem acontecer em análise técnica. Se eu fosse um fundamentalista nato, provavelmente estaria agora buscando justificar a minha posição e, quiçá, ainda comprado, amargando prejuízos. Até que em algum momento abandonaria o barco. Falar em mudar de ponta, jamais! Como poderia me explicar.


Usando a análise técnica, tenho as seguintes vantagens: Não estou preso a nenhuma direção, somente aos movimentos; limito minhas perdas; não estou sempre envolvido com posições, busco momentos interessantes. E vocês, preferem qual estratégia de investimento?

O SP500 fechou a 2.280, com baixa de 0,60%; o USDBRL a R$ 3,1255, com baixa de 0,46%; o EURUSD a 1,0692, sem alteração; e o ouro a US$ 1.195, com alta de 0,34%.
Fique ligado!   

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