Cara ou coroa



Percebo que o mercado está colocando muita esperança na reunião do G-20 a se realizar neste final de semana. O resultado será observado de perto pelos investidores em todas as classes de ativos - particularmente na Ásia, onde as tensões e tarifas comerciais já foram sentidas intensamente. A piora dos dados econômicos, tanto nas regiões desenvolvidas quanto nos emergentes, acrescentou um coringa aos mercados já instáveis.

O resultado depende, em parte, de uma administração norte-americana que muitos no mundo dos investimentos acharam mais difícil prever do que seus predecessores.

Analistas da China dizem que o melhor resultado do G-20 envolveria promessas de Pequim de comprar mais dos EUA e continuar abrindo seus mercados para investidores internacionais. Mas eles estimam menos de 10% de chance de ocorrer.

Em comparação, colocaram uma probabilidade de 25% em nenhum acordo e ameaças contínuas de novas tarifas, o que, segundo eles, levaria a uma correção acentuada nos mercados. Seu caso central é de um cessar-fogo parcial por 6-12 meses, no qual nenhuma nova tarifa seria imposta, exceto potencialmente aquelas que já foram anunciadas.

No início desta semana, Trump disse que era "altamente improvável" que ele adiasse seus planos atuais de aumentar as tarifas de US $ 200 bilhões das importações chinesas, e que se nenhum acordo viesse da reunião, ele pediria cobranças adicionais a outros produtos chineses.

Apesar dos comentários de Trump, é provável que isso faça parte de uma estratégia de negociação semelhante à sua escalada à frente de um acordo norte-coreano em junho. De acordo com Edward Park, gestor do fundo Brooks Macdonald, quando se trata de Pequim e Washington, "ambas as partes têm interesse em orquestrar um cessar-fogo", disse Park.

Estrategistas da Nomura dizem que um compromisso é provável. Nesse caso, projetam uma alta das ações no Japão, Europa e mercados emergentes. Os rendimentos dos bônus de 10 anos nos EUA podem subir de volta para 3,25%, à medida que os investidores saem dos títulos do tesouro para ativos mais arriscados, como as ações.

Mas outros analistas têm sido persistentemente desapontados pelas escalações, tendo julgado que ambas as partes tinham os incentivos certos para chegar a um acordo.

Sem uma reversão repentina, 25% das tarifas sobre US $ 200 bilhões das exportações chinesas para os EUA entrarão em vigor no início de 2019. “Essa reversão parece extremamente improvável”, disse Rob Martin, economista do UBS. "Parece haver tempo insuficiente entre hoje e 1 de janeiro para fazer um cronograma de tarifas alternativas".

Mesmo que a China garanta um acordo, enfrenta outros desafios. Mark Williams, economista-chefe para a Ásia na Capital Economics, disse que as pressões domésticas reduziriam os lucros corporativos mais do que os mercados esperam no próximo do ano, mesmo que não haja mais tarifas. Sem um acordo, ele disse que Pequim deixaria o yuan enfraquecer além de 7 para o dólar - um nível que a moeda não quebrou em mais de uma década.

Uma análise mais pragmática deveria levar em conta alguns fatores de lógica. Do lado Chinês, os movimentos feitos por Trump durante esse ano impactaram esse país, basta observar a performance da bolsa chinesa comparada com outras bolsas de valores.


O governo Chinês sabe disso, pois essa situação compromete a estratégia de longo prazo chinesa, que não esperava por essa mudança de rumo. Para manter seu crescimento em níveis significativamente elevados, quando comparados ao resto do mundo, é fundamental que suas exportações continuassem crescendo.

Os americanos estavam numa posição mais confortável, com a economia dando sinais claros de recuperação apresentadas no início de 2018, aliados a um mercado de trabalho a pleno emprego, o impacto das medidas de Trump seriam positivos para as empresas americanas, com um pequeno risco de elevar a inflação. Tanto era verdade que, as bolsas americanas tiveram uma performance muito superior as de outros países desenvolvidos. Porém, no curto prazo, dois problemas caíram no colo do Presidente Trump, primeiro a derrota nas últimas eleições no Congresso e a queda do SP500.

Usando somente a lógica, seria razoável supor que os dois países deveriam selar algum tipo de acordo, de tal forma que, cada qual anunciasse como uma vitória. Porém, existem dois fatores que transcendem a racionalidade: primeiro no caso Chinês, é sabido que sua honra é algo maior, e em favor dela, se vai até a morte; segundo, se Trump realmente está usando a balança comercial para enfraquecer a China evitando que se torne a maior potência mundial, os argumentos lógicos apontados acima estariam em segundo plano.

Talvez em virtude dessas razões dispares, o resultado dessa reunião é imprevisível. A importância dada pelo mercado seria a de perceber se o que se busca é um acordo ou na verdade um desacordo. Estamos numa situação de cara ou coroa.

AS projeções de crescimento mundial, mesmo sem saber os resultados dessa reunião, não são muito promissores. Na ilustração a seguir fica claro a dependência do mundo em relação aos EUA, pois a partir de 2019, sem os estímulos de diminuição de impostos, a queda americana impacta o crescimento global de forma sensível.


No post a-queda-de-petróleo-e-preocupante, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” O nível atual de 2.730 coloca em cheque a alternativa verde, pois como teríamos que colocar um stoploss ao redor de 2.860, o prejuízo seria razoável ~ 5%. Se uma queda mais extensa fosse o cenário básico, poderia até estudar. Mas com a perspectiva de alta no futuro, complica a estratégia” ...


 Nestas duas últimas semanas, o cenário pendeu mais para a opção vermelha. No gráfico a seguir aponto o movimento que eu espero no curto prazo, bem como uma sugestão de trade a ser executada.



O SP500 deveria ter mais um movimento de alta que levaria o índice dentro do intervalo que denominei de “zona de venda”, especificamente entre 2.810 – 2.870, onde 2.840 seria o nível mais provável para se esperar uma reversão. Minha sugestão é de vender 50% a 2.810 e o restante a 2.840, com um stoploss a 2.880. Caso seja executado, colocamos em risco 2% de perda para um potencial ganho de 12%, pois espero uma queda para o nível aproximado de 2.500.

Agora, só falta combinar com Trump e Xi! Hahahaha ...

O SP500 fechou a 2.743, com alta de 2,30%, depois que o Presidente do Fed disse durante a tarde, que a taxa de juros americanas está próximo da taxa neutra. Para bom entendedor, os juros estariam próximos do teto, ou uma pausa mais longa. Não podemos esquecer que, daqui a duas semanas tem reunião do Fed; o USDBRL a R$ 3,8481, com queda de 0,69%; o EURUSD a 1,1371, com alta de 0,75%; e o ouro a U$ 1.222, com alta de 0,63%.

Fique ligado!

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