2018: Vestibular Político

5 de dezembro de 2018

Diagnóstico duvidoso



A conta corrente de um país é um indicador largamente acompanhado pela comunidade internacional. É através dele que se analisa a fragilidade ou robustez das finanças de um país, além de influenciar de forma importante sua taxa de câmbio contra as outras moedas.

Neste ano observamos dois países que sofreram um ataque especulativo contra suas moedas oriundos da fraqueza desse indicador. Tanto a Argentina, como a Turquia, possui déficits em conta corrente, aliados a uma grande dívida em moeda estrangeira e com baixa reserva. Sendo assim, foram alvos clássicos de um ataque. Para os especuladores, quando a situação internacional de liquidez se altera, como ocorre atualmente, atacar a moeda de países com essas características é moleza, a chance de ganho é enorme. Para que o leitor entenda, o pais que está sendo atacado não tem como se defender, pois, não emite dólares, só resta pedir apoio a autoridades como o FMI.

Para complementar, vale uma ressalva. Como o dólar é considerado como moeda de troca, os EUA é o único país que pode defender de um ataque deste tipo, bastando para tanto, emitir dólares para pagar seus compromissos. Lógico que essa atitude tem efeitos colaterais que são indesejados, como uma elevação dos juros através dos mercados de títulos.

Dito isso, um estudo de longo prazo, elaborado sobre o saldo em conta corrente de diversos países e regiões do Universo, mostram uma figura diferente da que aparenta. A impressão que se tem é que a China é a grande responsável pelos déficits em conta corrente, quando na verdade os dados indicam para outro lugar. Vejam a seguir quem é quem.

Antes da crise financeira global, a economia mundial experimentou um período de crescentes desequilíbrios globais, onde um grupo de países viu seus superávits aumentarem rapidamente, enquanto, do outro lado, um grupo de países aumentou seus déficits. Esses padrões foram parcialmente relacionados à hipótese do "excesso de poupança" proposta por Ben Bernanke para explicar o declínio nas taxas de juros reais globais de longo prazo. Foi também o caso de alguns dos países deficitários (em particular na periferia do euro) se encontrarem em uma grande crise após 2008.

Este trabalho oferece uma atualização dos últimos dez anos. Hoje, o mundo apresenta desequilíbrios menores do que no pico de 2008, mas o que é mais interessante é a extensão em que o reequilíbrio ocorreu entre diferentes grupos de países.

Vamos começar com a visão global. A figura abaixo mostra os saldos das contas correntes em % do PIB mundial para algumas regiões ou grupos de países. Os dados remontam a 1980, embora estejam faltando dados para alguns países antes de 1995.


No período 1998-2008 (período de desequilíbrios globais), assistimos os crescentes excedentes dos países produtores de petróleo, China, Ásia avançada (incluindo Japão, Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan) e o resto do mundo (ROW, muitos desses países são mercados emergentes). A área do euro permaneceu bastante equilibrada (mais sobre isso abaixo) e o único país deficitário nesta figura são os EUA, absorvendo todos os excedentes gerados pelos outros países [claro, os EUA não era o único país deficitário. Alguns dos países da área do euro tiveram déficit, bem como alguns dos países do resto do mundo].

Desde 2008, testemunhamos:

A China está caminhando rapidamente para uma conta corrente equilibrada (as previsões do FMI sugerem que a conta corrente da China será equilibrada nos próximos 2 anos).

Os produtores de petróleo avançaram em direção a uma conta corrente equilibrada com pequenos déficits em 2015-2016 como resultado do declínio no preço do petróleo.

A área do euro deslocou-se maciçamente para um grande excedente (o maior entre as regiões excedentárias)

A Ásia avançada manteve ou aumentou seu excedente em relação aos anos anteriores.

Os EUA continuam a ser o país que absorve a maior parte dos excedentes. O déficit dos EUA é menor do que em 2008, mas lembre-se que isso é medido como uma razão entre o PIB mundial e não o PIB dos EUA (em relação ao PIB dos EUA, o declínio seria menos pronunciado).

Enquanto em 2008 muitos mercados emergentes eram poupadores, em 2018 todos os países superavitários são economias avançadas (euro e Ásia). Alguns países emergentes aparecem sob o resto do mundo absorvendo alguns desses fluxos de capital.

A seguir, alguns detalhes sobre as duas maiores fontes de excedentes hoje.

O que aconteceu entre os países avançados da Ásia?

A figura abaixo mostra que o Japão foi dominante neste grupo nos primeiros anos. Mas nos últimos anos, o aumento dos excedentes na Coréia, Taiwan e Cingapura significa que os três juntos têm um superávit maior do que o Japão. O tamanho total é semelhante ao anterior quando medido em relação ao PIB mundial. Se fôssemos medidos contra o seu próprio PIB, veríamos um aumento ainda superior nos excedentes.


E finalmente a área do euro.

Pode-se dividir a área do euro em três grupos: Alemanha, Euro Déficit, e Euro Superávit. Os dois últimos grupos são decididos observando o padrão da conta corrente dos membros do euro (excluindo a Alemanha) durante o período 2000-2008. Os países que apresentaram déficits consistentes estão no primeiro grupo, enquanto os outros estão no segundo.


Podemos ver o grande aumento de superávits na Alemanha na década de 2000, enquanto o grupo de países deficitários aumentou maciçamente seus déficits. Depois de 2008, assistimos um rápido reequilíbrio dos países deficitários em direção a um superávit enquanto a Alemanha mantém (medido como % do PIB mundial) ou aumenta (em relação ao seu próprio PIB) o superávit em conta corrente.

Uma análise global aponta que depois de 2008, a conta corrente dos países sofreu alterações importantes, quando medidas em relação ao PIB mundial. Os EUA diminuem substancialmente seu déficit ocasionado pela queda do preço do petróleo além da produção interna; A China diminui substancialmente seu superávit, que foi substituído por outros países da Ásia; a Europa passou por uma mudança profunda, com exceção da Alemanha que continuou apresentando um superávit crescente.

Sendo assim, se os EUA conseguirem chegar num acordo com a China, e diminuir suas importações desse país, vai faltar dólares para financiar o mundo, uma vez que, o petróleo é negociado em dólares. Para que fique mais claro, se os americanos têm déficits, os mesmos emitem dólares para pagar suas contas, se esse déficit cai, o volume de dólares também cai. Como os países importadores de petróleo iriam se financiar? A liquidez ficaria muito apertada, o que poderia gerar uma crise.

Por outro lado, a China, que passara de credora para devedora em conta corrente, ao pagar esse déficit terá que se desfazer de sua carteira de títulos composta em sua grande maioria por bonds americanos. Esse movimento deveria pressionar as taxas de juros.

Será que alguém mostrou essa situação para o Trump? Será que ele entendeu?

No post o-psicopata, fiz os seguintes comentários sobre o ouro:   ...” Como se pode verificar abaixo, o ouro está indeciso. Entretanto, se observa um comportamento nesse curto prazo, que beneficia mais, para quem está comprado” ... ...” não vou ficar surpreso se cair daqui em diante, nem se subir” ... ...” Tracei duas linhas divisoras que poderiam dar uma indicação melhor da direção que o ouro pretende. Acima de U$ 1.260 fica encorajador e calculo que U$ 1.360 seja o novo objetivo. Caso contrário, abaixo de U$ 1.180, poderemos estar rumando para testar U$ 1.130” ...


Certa vez, quando fazia um voo de Nova York para Los Angeles, ao desembarcar nessa cidade, peguei o ônibus do aeroporto para me levar ao escritório da locadora de automóvel. Naquele momento, tinha uma posição comprada em ouro, sem o usar o stoploss. Recordo que o preço do ouro estava ao redor de U$ 500. Estava tranquilo sentado no banco, quando ouvi pelo rádio do ônibus que o ouro tinha caído U$ 50. Minha primeira reação foi achar que tinha entendido mal, não podia ser! Mas foi isso mesmo, em 5 horas uma queda de 10%.

Não é o caso atual, nessas duas semanas que separam esses posts, o metal subiu U$ 15, acumulando uma alta de 1,22%. Que diferença! No gráfico as seguir, anoto uma linha que denominei de “ Mini Teste”. O ouro está próximo e precisar romper esse nível para eventualmente atingir U$ 1.260. Muito prognóstico, para pouco lucro!


Definitivamente o ouro está estável. E como diria um dos participantes da reunião da Rosenberg “é isso não é bom? ” Para o Mosca não é! Hahaha ...

Hoje o mercado de bolsa ficou fechado em função do funeral do ex-presidente George W. Bush; o USDBRL fechou a R$ 3,8693, com alta de 0,44%; o EURUSD a 1,135, sem variação; e o ouro a U$ 1.236, com queda de 0,13%.

Fique ligado!

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