Quando o lucro lidera #SP500

 


São incontáveis os posts e relatórios que, nos últimos meses, antecipam um colapso iminente da bolsa americana. A maioria recorre a comparações históricas — múltiplos elevados, exuberância dos preços, paralelos com a bolha de 2000. A narrativa é sedutora. Mas desta vez algo estruturalmente diferente está acontecendo, e ignorar esse fato pode ser o erro mais caro do ciclo.

A precificação de ações segue uma lógica simples: projeção de lucros futuros multiplicada por um coeficiente considerado justo nas condições presentes. É um critério discutível? Talvez. Mas quando todos os participantes do mercado o adotam, ele se torna a realidade com a qual se precisa operar. Atualmente, um múltiplo em torno de 20 vezes o lucro projetado é considerado razoável para o conjunto do mercado — com desvios para baixo em antecipação a recessões e desvios para cima em setores com crescimento excepcional, como os semicondutores.

O que diferencia o momento atual é a origem do movimento. Ed Yardeni, um dos analistas de mercado mais respeitados dos Estados Unidos, introduziu a distinção entre dois fenômenos que costumam ser confundidos.

O primeiro é o “FOMO” — o medo de ficar de fora. Nesse regime, investidores compram ações simplesmente porque sobem, expandindo os múltiplos sem respaldo nos fundamentos. O P/L infla, os lucros ficam para trás, e a estrutura se torna frágil.

O segundo é o “FEMO” — impulso fabuloso dos lucros. Nesse regime, os analistas revisam as estimativas de resultados para cima porque os dados concretos e os próprios guidances das empresas justificam. O preço sobe porque o L do P/L cresce — não porque o P foi inflado pela euforia.

A distinção importa. No acumulado deste ano, o índice subiu 9,2%, enquanto o lucro projetado dos próximos doze meses avançou 14,4%. O múltiplo, ao contrário, recuou 4,6%. A valorização inteira foi puxada pelos resultados, não pela expansão de valuation. Esse é exatamente o perfil do "FEMO".



Os dados do Yardeni reforçam o argumento em várias dimensões. O lucro projetado por ação do índice atingiu um novo recorde de 358,82 dólares. As estimativas para 2026 e 2027 seguem sendo revisadas para cima — 337 e 390 dólares, respectivamente.



A margem de lucro projetada chegou a 15,5%, a mais alta já registrada, com expectativa de 16,1% para 2027. Mais revelador ainda: 85,6% das empresas do índice apresentam crescimento de lucro projetado em termos anuais, e 89% mostram crescimento de receita. A melhora não está concentrada nas sete maiores — está disseminada.


O setor de tecnologia, puxado principalmente pelos semicondutores, concentra a maior expectativa de crescimento de longo prazo: 34,9% ao ano, contra 21,9% do índice geral. Esse número está acima do pico da bolha de 2000, o que pode parecer alarmante à primeira vista. Mas há uma diferença fundamental: em 2000, eram os investidores que expandiam os múltiplos na esperança de lucros que nunca chegaram. Hoje são os analistas que revisam as estimativas para cima com base em resultados que já estão chegando. Previsões otimistas se revisam. Múltiplos esticados quebram.



Existem muitos fatores que poderiam interromper esse ciclo — uma deterioração inesperada do cenário macro, uma virada brusca nas tarifas, uma decepção nas margens no segundo semestre. Nenhum desses riscos é visível no horizonte imediato. O que o mercado está precificando não é euforia: é resultado. E resultado, por enquanto, continua chegando.

 

Análise Técnica

No post "Gráfico não tem opinião" fiz os seguintes comentários sobre o S&P 500:

"Resolvi dar nome aos bois e estabelecer que estamos na onda (2) vermelha. Notem que a coloração em relação às ondas do gráfico acima e do gráfico a seguir se modifica em função dessa definição feita"



Ao ler minha colocação acima, percebi que cometi um erro — não o de assumir que a onda (2) vermelha estava em curso, o que poderia até ocorrer, mas que ainda não tinha nenhuma confirmação dessa hipótese. Somos humanos e, às vezes, o emocional atropela.

Ao escrever este post, o mercado ainda não havia aberto, mas os futuros já indicavam alta. A hipótese anterior ainda pode ser válida? Sim, desde que 7.517 não seja ultrapassado.

Fiz uma nova alteração nas ondas de prazo mais curto (laranja) e, nessa condição, observo uma área de congruência entre 7.590 (+1,6%) / 7.632 (+1,9%) — nada que justifique uma sugestão de trade.

Como última observação: caso se confirme, vale a área destacada para a correção da onda (2) vermelha.



— David, bateram a sua carteira! Hahaha. Saiu cedo demais. Existe alguma chance de não acontecer essa correção e o mercado continuar subindo sem descanso?

Só para sua informação: se ocorrer a reversão no nível acima, saímos 3% abaixo. É uma pena, mas não faltarão outras oportunidades.

Respondendo à sua pergunta: sempre é possível — talvez não que ocorra uma correção, mas que ela possa ser menor do que apresentei. O conteúdo do post de hoje vislumbra um período muito positivo para as bolsas americanas e algumas emergentes. Vamos ver!

O S&P 500 fechou a 7.519, com alta de 0,61%; o USDBRL a R$ 5,0419, com alta de 0,50%; o EURUSD a € 1,1632, sem variação; e o ouro a U$ 4.509, com queda de 1,32%.

Fique ligado!

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