Quando o lucro lidera #SP500
São incontáveis
os posts e relatórios que, nos últimos meses, antecipam um colapso iminente da
bolsa americana. A maioria recorre a comparações históricas — múltiplos
elevados, exuberância dos preços, paralelos com a bolha de 2000. A narrativa é
sedutora. Mas desta vez algo estruturalmente diferente está acontecendo, e
ignorar esse fato pode ser o erro mais caro do ciclo.
A precificação de
ações segue uma lógica simples: projeção de lucros futuros multiplicada por um
coeficiente considerado justo nas condições presentes. É um critério
discutível? Talvez. Mas quando todos os participantes do mercado o adotam, ele
se torna a realidade com a qual se precisa operar. Atualmente, um múltiplo em
torno de 20 vezes o lucro projetado é considerado razoável para o conjunto do
mercado — com desvios para baixo em antecipação a recessões e desvios para cima
em setores com crescimento excepcional, como os semicondutores.
O que diferencia
o momento atual é a origem do movimento. Ed Yardeni, um dos analistas de
mercado mais respeitados dos Estados Unidos, introduziu a distinção entre dois
fenômenos que costumam ser confundidos.
O primeiro é o “FOMO”
— o medo de ficar de fora. Nesse regime, investidores compram ações
simplesmente porque sobem, expandindo os múltiplos sem respaldo nos
fundamentos. O P/L infla, os lucros ficam para trás, e a estrutura se torna
frágil.
O segundo é o “FEMO”
— impulso fabuloso dos lucros. Nesse regime, os analistas revisam as
estimativas de resultados para cima porque os dados concretos e os próprios guidances
das empresas justificam. O preço sobe porque o L do P/L cresce — não
porque o P foi inflado pela euforia.
A distinção
importa. No acumulado deste ano, o índice subiu 9,2%, enquanto o lucro
projetado dos próximos doze meses avançou 14,4%. O múltiplo, ao contrário,
recuou 4,6%. A valorização inteira foi puxada pelos resultados, não pela
expansão de valuation. Esse é exatamente o perfil do "FEMO".
O setor de tecnologia, puxado principalmente pelos semicondutores, concentra a maior expectativa de crescimento de longo prazo: 34,9% ao ano, contra 21,9% do índice geral. Esse número está acima do pico da bolha de 2000, o que pode parecer alarmante à primeira vista. Mas há uma diferença fundamental: em 2000, eram os investidores que expandiam os múltiplos na esperança de lucros que nunca chegaram. Hoje são os analistas que revisam as estimativas para cima com base em resultados que já estão chegando. Previsões otimistas se revisam. Múltiplos esticados quebram.
Existem muitos
fatores que poderiam interromper esse ciclo — uma deterioração inesperada do
cenário macro, uma virada brusca nas tarifas, uma decepção nas margens no
segundo semestre. Nenhum desses riscos é visível no horizonte imediato. O que o
mercado está precificando não é euforia: é resultado. E resultado, por
enquanto, continua chegando.
No post "Gráfico
não tem opinião" fiz os seguintes comentários sobre o S&P 500:
"Resolvi dar
nome aos bois e estabelecer que estamos na onda (2) vermelha. Notem que
a coloração em relação às ondas do gráfico acima e do gráfico a seguir se
modifica em função dessa definição feita"
Ao ler minha
colocação acima, percebi que cometi um erro — não o de assumir que a onda
(2) vermelha estava em curso, o que poderia até ocorrer, mas que ainda
não tinha nenhuma confirmação dessa hipótese. Somos humanos e, às vezes, o
emocional atropela.
Ao escrever este
post, o mercado ainda não havia aberto, mas os futuros já indicavam alta. A
hipótese anterior ainda pode ser válida? Sim, desde que 7.517 não seja
ultrapassado.
Fiz uma nova
alteração nas ondas de prazo mais curto (laranja) e, nessa condição, observo
uma área de congruência entre 7.590 (+1,6%) / 7.632 (+1,9%) — nada que
justifique uma sugestão de trade.
Como última
observação: caso se confirme, vale a área destacada para a correção da onda
(2) vermelha.
— David, bateram
a sua carteira! Hahaha. Saiu cedo demais. Existe alguma chance de não acontecer
essa correção e o mercado continuar subindo sem descanso?
Só para sua
informação: se ocorrer a reversão no nível acima, saímos 3% abaixo. É uma pena,
mas não faltarão outras oportunidades.
Respondendo à sua
pergunta: sempre é possível — talvez não que ocorra uma correção, mas que ela
possa ser menor do que apresentei. O conteúdo do post de hoje vislumbra um
período muito positivo para as bolsas americanas e algumas emergentes. Vamos
ver!
O S&P 500
fechou a 7.519, com alta de 0,61%; o USDBRL a R$ 5,0419, com alta de 0,50%; o
EURUSD a € 1,1632, sem variação; e o ouro a U$ 4.509, com queda de 1,32%.
Fique ligado!
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