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EM=ET #IBOVESPA

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Ontem foi um "dia de reversão" e o mercado comemorou como se fosse vitória. O CPI de junho caiu 0,4% — maior queda mensal em seis anos — e a inflação anual recuou a 3,5%. Só que essa "boa notícia" teve ajuda de um personagem que não merece crédito nenhum: o petróleo. Horas antes, Trump anunciou uma taxa de 20% sobre navios no Estreito de Ormuz e revogou a medida em menos de 24 horas — o tipo de bagunça que derruba o preço do barril por um dia e some no seguinte. Sem esse tropeço pontual de energia, não haveria reversão alguma para comemorar. Kevin Warsh, no primeiro depoimento como presidente do Fed, teve a lucidez de não cair na armadilha e recusou o "missão cumprida" que Wall Street queria ouvir — mas o mercado de swaps já apostou a mão: pela primeira vez desde a eleição de 2024, a inflação implícita de um ano caiu abaixo da meta de 2%, o mercado comemorando a vitória antes do apito final. É a mesma euforia seletiva que fez Wall Street embolsar o melhor ...

Quando a euforia manda, vai tomar um café #SP500

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O assunto bolha virou manchete recorrente, e isso sempre acontece quando um ativo — ou um grupo de ativos — sobe de forma intensa. Primeiro foram as Sete Magníficas, depois o setor de energia, e mais recentemente os semicondutores, esse último com um vigor particular. A maioria dos analistas justifica a alta pelo nível de lucros, muito acima do esperado. Está tudo pronto para aceitar que não é bolha. Mas nem todos concordam: alguns apontam que a bolha, na verdade, está nos lucros — e que a taxa de aceleração que sustenta essas expectativas não é repetível indefinidamente. Do ponto de vista do investidor, o fator emocional separa o mercado em dois grupos: quem está posicionado e quem não está — e pior, quem vendeu com o único argumento de que "subiu muito". O ser humano é movido pela emoção e pela razão, forças que entram em conflito justamente quando a primeira se torna extremada e vira euforia. Nessa condição, qualquer pessoa — eu incluído — tende a procurar apenas as notíci...

Indefinido até segunda ordem #USDBRL

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A pergunta de um milhão de dólares — devo atualizar o valor para os padrões de hoje, confesso que dá vontade de rir — é o que será do mercado de trabalho daqui a cinco anos. A dúvida não é gratuita. De um lado, a maioria dos economistas projeta cortes expressivos de vagas à medida que a inteligência artificial se espalhar pelas empresas, e os argumentos fazem sentido quando lidos isoladamente. De outro, os números disponíveis até agora contam uma história bem menos dramática, e o detalhe mais intrigante é que as companhias que mais usam IA são justamente as que mais estão contratando. Um analista europeu comentou recentemente, citando dados do Financial Times, que empresas com adoção intensa de inteligência artificial viram seu quadro de funcionários crescer cerca de 10% nos dois anos seguintes à adoção, com um salto ainda maior, perto de 12%, nas vagas de entrada. A leitura que ele propõe é provocativa: em vez de destruir postos de trabalho, a IA parece estar funcionando, nessas compa...

IA: sem folego nos últimos 100 metros #SP500

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Tem um ditado nas pistas de atletismo que descreve bem o que vejo hoje na disputa das gigantes de inteligência artificial pelo mercado acionário: quem lidera os primeiros trezentos metros nem sempre é quem cruza a linha de chegada. E é essa a pergunta que ronda a corrida bilionária, ou melhor, a corrida trilionária, entre OpenAI e Anthropic rumo ao pregão. As duas maiores empresas de modelos de linguagem do mundo pediram, em sigilo, abertura de capital. Ambas mirando algo em torno de sessenta bilhões de dólares cada uma em captação, com valuation batendo a casa do trilhão de dólares, o que, no meu vocabulário, batizei há poucas semanas de teracórnio. Se qualquer uma das duas confirmar esse valor de mercado, entrará confortavelmente entre as vinte empresas mais valiosas do planeta, ombro a ombro com nomes que levaram décadas para chegar lá. Só que a corrida das teracórnios de inteligência artificial tem um detalhe incômodo: elas estão sendo espremidas dos dois lados ao mesmo tempo, e is...

O novo pregão é o restaurante #USDBRL

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Sempre acompanhei análise fundamentalista, mas a base da minha decisão sempre foi a análise técnica, não o balanço trimestral ou o múltiplo de lucro. Quando os dois se alinham, a confiança na tese aumenta. Mas nas condições atuais de mercado, confesso que a técnica me parece mais útil do que o fundamento para identificar padrões e mudanças de regime. Um conjunto de dados que vi recentemente, produzido por uma das maiores mesas de execução do mundo, reforça essa convicção: quem está realmente apertando o gatilho das compras e vendas do dia a dia mudou, e essa mudança pesa mais na formação de preço do que qualquer P/L. Primeiro ponto, o mais conhecido: a concentração da bolsa americana bateu novo recorde. As dez maiores empresas já respondem por quase 40% do S&P 500. Isso não é novidade para quem acompanha o Mosca. O que chama atenção é a velocidade: os semicondutores sozinhos quadruplicaram sua fatia do índice desde 2020. Não são mais "as ações de tecnologia". São os terac...

EUA: um país que funciona #Nasdaq100 #NVDA

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Hoje os mercados ficam fechados nos Estados Unidos pela comemoração dos 250 anos da República americana, e eu aproveito a data para escrever sobre algo que me fascina há décadas: como aquele país se tornou a principal potência do mundo. Não concordo com tudo que acontece por lá, longe disso, mas sou fã confesso da engrenagem que produziu esse resultado. E garanto a vocês que não foi de graça, como se diz na gíria. O Deutsche Bank publicou um estudo extenso sobre o assunto, chamado "US at 250", e ali estão números que valem mais que qualquer opinião. Desde a fundação do país, a população americana ultrapassou Alemanha, Reino Unido e França ainda no século 19, e o PIB seguiu na mesma toada. Mas o que mais me chama atenção não é o tamanho, é a consistência: os Estados Unidos nunca passaram por um episódio de hiperinflação em toda a sua história, o que não se pode dizer da Alemanha de Weimar nem da França de outras épocas. Moeda que mantém valor ao longo de séculos é sinal de ins...

A bomba japonesa #OURO #GOLD #EURUSD

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A retórica contra o dólar sossegou por enquanto. Os economistas que vinham martelando o tema da desvalorização estrutural da moeda americana mudaram o alvo: agora falam do déficit fiscal dos Estados Unidos. A trajetória e o nível de endividamento preocupam, mas não me parece um problema para o próximo trimestre. A outra incógnita que pairava sobre o mercado era saber como Kevin Warsh se portaria à frente do Fed. Suas últimas aparições públicas, inclusive a de ontem em Sintra, confirmaram o viés que eu já esperava: conservador, disposto a subir os juros se a inflação insistir em ficar acima da meta de 2%. O quadro americano, por ora, está razoavelmente definido. O problema é que, enquanto todos os olhos seguem fixos em Washington, do outro lado do mundo pode estar se desenhando algo mais sério. Estou falando do Japão. Qualquer economista com um mínimo de bagagem sabe que aquele país carrega uma dívida pública de 240% do PIB há décadas. Financiar esse monstro sempre foi possível porque o...