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Nunca se apaixone por um investimento #IBOVESPA

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  Ao longo de décadas acompanhando os mercados, aprendi que as piores decisões financeiras raramente nascem da ignorância — nascem da emoção. Lembro de situações em que me deixei conduzir por entusiasmo, por uma narrativa sedutora, por aquele sentimento de que "dessa vez é diferente". Em todas elas, sem exceção, a conta foi paga com prejuízo. Quando o mercado se voltava contra minha posição, em vez de acionar um "stop" e encerrar a história, eu buscava justificativas para permanecer. A tese original já não existia mais, mas eu insistia — estágio clássico da negação. Joe Wiggins, do blog Behavioural Investment, comentou recentemente um estudo acadêmico de enorme relevância para qualquer investidor que se leve a sério. A pesquisa, conduzida por Elroy Dimson, Kuntara Pukthuanthong e Blair Vorsatz, analisou o desempenho de 13 categorias de ativos colecionáveis ao longo de até 110 anos, comparando-os com portfólios líquidos de risco equivalente. O resultado é inequívoc...

A matemática da euforia #S&P 500

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  Toda grande onda tecnológica carrega consigo uma característica invariável: os números projetados pelos protagonistas desafiam qualquer parâmetro histórico. Não é arrogância — é a natureza da narrativa. Para levantar capital, atrair talentos e intimidar concorrentes, as empresas precisam vender um futuro grandioso. O problema é quando os investidores confundem a grandiosidade da narrativa com a probabilidade do sucesso. A inteligência artificial generativa é o epicentro dessa dinâmica hoje. Desde que a OpenAI lançou o ChatGPT no final de 2022, o setor entrou em modo de corrida armamentista. Bilhões são investidos em infraestrutura, chips e centros de dados. As projeções de crescimento que emergem desse ambiente são, para dizer o mínimo, ambiciosas. A OpenAI, em meados de 2025, projetou receitas de 145 bilhões de dólares para 2029. Sua receita em 2024 foi de 3,7 bilhões de dólares. Isso implica uma taxa de crescimento composto anual de 108% por cinco anos consecutivos. ...

O mercado continua errado #USDBRL

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  Desde o ano 2000 acompanho com atenção especial o mercado de moedas internacionais. Foi naquele ano que o dólar iniciou um ciclo de forte desvalorização que se estendeu pelos anos seguintes — e do qual me beneficiei de maneira expressiva. O euro, por exemplo, saiu de € 0,85 e chegou à máxima histórica de € 1,60, uma valorização de quase 100%. Naquele período, as manchetes não poupavam palavras: a moeda americana estava condenada. Havia quem decretasse seu fim com a segurança de quem conhece o futuro. Aprendi, porém, uma lição que poucos investidores de longo prazo conseguem internalizar: o movimento das moedas de países estabilizados é cíclico. Diferente das bolsas de valores, que podem subir indefinidamente enquanto os lucros das empresas crescerem, as moedas oscilam dentro de regimes que se alternam ao longo do tempo. E o dólar, apesar de todas as crises, profecias e narrativas de colapso, continua sendo a moeda de troca do mundo. Todas as tentativas de liquidá-lo falharam. ...

Unicórnio virou banal #nasdaq100 #NVDA

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Minha esposa, junto com suas filhas, tem uma empresa que vende produtos femininos (bolsas, óculos) pela internet: a Eclé . Certo dia, num almoço, ela fez o seguinte comentário: "daqui a algum tempo a Eclé vai virar um unicórnio". À primeira vista, fiquei surpreso — acompanho de perto a evolução do negócio e sabia que faturar o suficiente para atingir uma avaliação de R$ 1 bilhão, partindo de vendas em torno de R$ 100 mil por mês, seria um salto monumental. Entrei nos detalhes: perguntei como seria possível chegar a esse valor. Aí entendi que o desejo dela se referia a vendas de R$ 1 milhão por mês — o que já seria um excelente resultado —, mas, mesmo assim, para alcançar uma avaliação de R$ 1 bilhão aplicando um múltiplo conservador de cinco vezes o faturamento anual, seria necessário faturar R$ 200 milhões por ano. Sugeri um estágio intermediário: um mini unicórnio, com avaliação de R$ 100 milhões. Ela comprou a ideia. Essa conversa de mesa me veio à cabeça ao ler as aná...

Fed: sob nova direção #OURO #GOLD #EURUSD

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  A sabatina de Kevin Warsh no Senado americano rendeu mais espetáculo do que substância — e talvez fosse exatamente isso o que se esperava. Warsh, indicado por Trump para presidir o banco central mais poderoso do mundo, chegou ao Capitólio munido de críticas ao modelo atual e de visões que, em outro contexto, poderiam ser consideradas ambiciosas. Já mencionei esse roteiro familiar em outros artigos. Todo novo executivo — não importa o setor — passa por quatro fases: a primeira, cheia de ideias e energia, quando tudo parece transformável; a segunda, frustrante, quando a realidade do dia a dia impõe seus limites; e só na terceira, se tanto, as ideias encontram o terreno para germinar; na quarta fase fica-se de saco cheio buscando um novo desafio. Warsh parece ainda bem instalado na primeira fase. O ponto de partida já é revelador: sua indicação esbarra em obstáculo concreto antes mesmo de ele se sentar na cadeira. O senador Thom Tillis declarou que não votará pela confirmação enqu...