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A guerra acabou? #S&P 500

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  Nos últimos dias, o noticiário tem sido dominado por dois temas que se retroalimentam: as negociações — ou a falta delas — no Golfo Pérsico, e o debate sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz. Viramos, da noite para o dia, especialistas em geopolítica do Oriente Médio e, de quebra, em logística marítima internacional, avaliando com toda a convicção do achismo se o fluxo de petróleo vai ou não se normalizar. O problema é que, enquanto a mídia e os comentaristas de plantão se perdem nessa espiral de incertezas, os mercados financeiros estão mandando uma mensagem bem diferente — e muito mais objetiva. O mercado já deu o seu veredicto: a guerra, na prática, acabou. O índice S&P 500 recuperou integralmente as perdas acumuladas desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Isso num cenário em que o bloqueio do Estreito de Ormuz segue vigente, as negociações entre americanos e iranianos permanecem travadas, e os preços do petróleo ainda operam em patamares elevados. Mesmo assim,...

Direto na jugular #USDBRL

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  A rodada de negociações realizada neste fim de semana em Islamabad terminou sem acordo. Vinte e um horas de conversas; o encontro de maior nível entre Washington e Teerã em quase cinco décadas; e o único ponto que não avançou foi justamente o que mais importa: o programa nuclear iraniano. Tudo o mais, ao que tudo indica, estava praticamente encaminhado. Mecanismos de monitoramento, canais de comunicação, cronogramas escalonados de retirada. A arquitetura de um acordo existia. Faltou a pedra angular. Segundo análise do observador Shanaka Anslem Pereira, os Estados Unidos entregaram uma proposta de 15 pontos ao Irã via o chefe do Exército paquistanês, no final de março. Os iranianos responderam com uma contraproposta de 10 pontos, divulgada pela mídia estatal no dia 8 de abril. Cada exigência central de um lado era o espelho invertido da exigência do outro. Os americanos querem o fim total do enriquecimento de urânio em solo iraniano; os iranianos exigem o reconhecimento do enriq...

O que fazer com os juros #nasdaq100 #NVDA

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  Nas últimas semanas, imagino que o presidente Trump nem esteja pensando nos juros. Sua ideia fixa de que eles só podem cair persiste, mas espero que um pouco de bom senso prevaleça. Depois da guerra em que se envolveu — e que fez os derivados de petróleo subirem de forma significativa —, não parece ser o momento de reduzir os juros. O conflito no Golfo, com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, introduziu um choque de energia de magnitude ainda incerta, mas já suficiente para alterar o quadro inflacionário global. Powell permanece no comando do Fed até que a ação judicial imposta a ele se resolva, e um senador já sinalizou que não aprovará o nome do próximo presidente — Kevin Warsh — enquanto o caso não for encerrado. Essas duas evidências indicam que a transição não ocorrerá no prazo inicialmente previsto. O Comitê de Política Monetária, portanto, continuará sob a liderança atual por mais tempo do que o mercado imaginava há poucas semanas. Ontem, o Bureau of Economic Anal...

O Irã vai instalar SemParar em Hormuz #OURO #GOLD #EURUSD

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  Como investidor, você precisa entender assuntos que jamais imaginou serem relevantes para suas decisões. Posicionar-se hoje exige uma opinião fundamentada sobre conflitos geopolíticos, suas consequências sobre a energia global e, em especial, sobre o destino do preço do petróleo. É exatamente esse o tema que me ocupa agora. O conflito entre os Estados Unidos e o Irã — que durou 38 dias — encerrou-se com um cessar-fogo de duas semanas negociado na semana passada. Trump anunciou "vitória total", mas aliados próximos e membros do próprio governo americano reconhecem que a expressão exagera o que é, na prática, uma trégua frágil. O regime iraniano sobreviveu. E saiu do conflito com dois ganhos estratégicos concretos: o controle sobre o estreito de Ormuz e um novo poder de dissuasão contra ataques de larga escala por parte de seus adversários históricos. O estreito de Ormuz é a artéria mais importante do comércio energético mundial. Por ali passa cerca de 20% de todo o petró...

Alta por osmose #IBOVESPA

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  Antes de qualquer análise, vale explicar o título. Uso a metáfora para descrever um movimento passivo, sem mérito intrínseco, conduzido por uma força externa: a pressão dos vendidos que precisam cobrir posições. O mercado não sobe por convicção profunda ou melhora estrutural. Ele sobe por osmose. Todos sabemos que se instalou um cessar-fogo de duas semanas entre Irã, Estados Unidos e Israel, com a reabertura do Estreito de Ormuz. As condições, porém, estão longe de serem favoráveis. A contraproposta iraniana revela um acordo que prioriza ganhos imediatos para Teerã, mas deixa o horizonte carregado de incertezas.   Os Estados Unidos não tinham margem para prolongar o impasse. Trump precisava de uma vitória concreta antes das eleições de meio de mandato e, pela legislação americana, após 60 ou 90 dias de conflito seria obrigado a buscar autorização formal do Congresso. O prazo imposto forçou a aceleração. O otimismo que vemos agora não nasce de uma solução definitiva. ...

O futuro dos sem Carteirinhas #S&P 500

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  A expectativa global hoje se concentra no prazo final dado pelo presidente Trump ao Irã para aceitar um acordo. A bola está com Teerã e, observando de fora, o regime demonstra pouca disposição para avançar. Caso o limite não seja cumprido, as declarações mais duras de Trump, inclusive a ameaça de “destruir o país em 24 horas”, sinalizam que a paciência americana se esgotou. As próximas doze horas são críticas. O poderio militar dos Estados Unidos é avassalador, mas o Irã detém reservas significativas de urânio e, possivelmente, capacidade nuclear. Qualquer erro de cálculo pode levar ambos os lados a decisões perigosas e não racionais. Enquanto o Oriente Médio vive essa tensão, outro movimento silencioso e profundo avança: a adoção da inteligência artificial pelas empresas. O relatório da Goldman Sachs de março de 2026 revela que a taxa de adoção geral permanece praticamente estável em 18,9% nos últimos três meses. À primeira vista, o número pode parecer decepcionante, mas o det...