Inflação: A Revanche

17 de março de 2015

K.I.S.S. III

KISS é o acrônimo de“Keep It Simple, Stupid!” (mantenha-o simples, estúpido!), um princípio que defende a simplicidade de um projeto, evitando complexidade e complicações. Isso me remete a uma situação do passado quando eu trabalhava no Banco Tendência, um certo dia presenciei um colega dando ordens de compra no contrato de prata. Naquela época eu não tinha muita familiaridade com commodities, e como ele estava executando com convicção, eu perguntei.
- David: Por quê você está comprando tanta prata?
- Colega: O motivo é que, como a taxa de juros nos USA deve cair, sempre que isso acontece, a prata sobe muito mais. 
Como eu não entendia do assunto, fiquei quieto por alguns minutos, mas não me contive.
- David: Se são os juros que cairão, por quê não vende o próprio
- Colega: Porque na prata, eu ganho mais proporcionalmente!
- David: Então vende "mais" juros!
Nessa situação, acabou não dando certo, os juros caíram mas a prata não subiu. Este caso, mostrou-se que a correlação entre estes dois ativos era espúria correlação-espúria!

Os mercados de ações da Europa e Japão vêm alcançando altas, quase que diárias. Mas, esses ganhos, são iguais para quem vive no país e para os estrangeiros que decidiram investir?  Nossa análise é para o segundo caso. O primeiro gráfico apresenta o retorno na bolsa japonesa, para quem investiu e fez um hedge desse investimento vendendo yens (linha preta). A ideia é que esse investidor não quer correr o risco de variação do dólar contra o yen, enquanto estiver com sua posição de ações japonesas. Já a linha em azul, corresponde ao investidor que simplesmente investiu em yens e não fez cobertura, notem que o gráfico transforma em dólares seu ganho. E por último, a variação do yen contra o dólar nesse mesmo período (linha vermelha).
A seguir o mesmo raciocínio aplicado à bolsa Européia.
Eu preparei uma tabela com um resumo dos retornos explícitos nos gráficos acima.
Não teria sido mais fácil e menos trabalhoso, comprar o dólar e vender essas moedas, ao invés de, analisar que empresas comprar, avaliar um portfólio e etc ...? K.I.S.S! Hahaha ...

Amanhã, ao término da reunião do FED será publicada a tão esperada minuta. Todos os olhos se voltarão para esse documento, a fim de saber, se será ou não tirada a tão comentada palavra patient. Além de possíveis dicas de quando a autoridade monetária pretende subir os juros, se é que pretende.

Os últimos dados não têm ajudado em nada, basta ver a seguir, o macro surprise index, publicado pela Blommberg.
É o pior começo de ano dos últimos dez anos! Será que a recuperação é tão sólida como os analistas estão sugerindo?

No post pênalti-sem-goleiro, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...Existem dois pontos de interesse anotados no gráfico, o primeiro ao redor de 1,05 e o outro a 0,99 (on sale?). Teria que ficar por aí, pois abaixo de 0.95, vou rever minhas premissas... Os indicadores de momentum encontram-se vergonhosamente baixos, para ser honesto, não me recordo de ter visto algo assim. Isto significa que não tem ninguém na face da terra, que acredite que o euro vai subir...A moeda única atingiu a cotação mínima de 1.0460, e desde então, ensaiou uma recuperação. 
Do ponto de vista técnico, parece que ainda deveria ter uma queda abaixo da mínima, explicitada acima. Pode ser um pouquinho, limitando-se ao patamar de 1.05, ou mais um "poucão" referente ao segundo ponto, 0.99. Com essa quantidade de vendidos na moeda, não dá para se aventurar na venda. Também não vou dar uma de sabichão e propor comprar. O que eu sei, é que, se com um euro a 1.40 a Alemanha era o grande exportador, a 1.05 será um enorme exportador.

O SP500 fechou a 2.074, com queda de 0,33%; o USDBRL a R$ 3.2392, sem variação; o EURUSD a 1.0597, com alta de 0,32%; e o ouro a US$ 1.148, com queda de 0,52%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário