Inflação: A Revanche

16 de junho de 2017

O FED está desacreditado?


Depois da última reunião do FED, onde a autoridade monetária reafirmou sua intenção de normalizar a política monetária, poucos foram os movimentos no mercado neste sentido.

Em economia existe uma teoria muito conhecida com Taylor rule. Sua lógica diz que, quando o mercado de trabalho fica apertado, a inflação tende a subir. Esse modelo estima qual deveria ser os juros para evitar a alta da inflação. O gráfico a seguir assinala que os juros deveriam estar próximos de 4% a.a. ao invés de 1% a.a., uma diferença de mais de 3% a.a!

 
A professora Yellen, na secção de perguntas e respostas, disse que o FED acompanha e utiliza essa ferramenta no estabelecimento da política monetária. Disse também, que a inflação mais baixa observada recentemente é consequência de fatores idiossincráticos existentes na redução de custo das linhas dos celulares e dos remédios. O gráfico abaixo compara a inflação excluindo esses itens com a publicada.


O mercado de trabalho está realmente apertado, com uma taxa de desemprego beirando os 4% ninguém pode contestar. Mas esse aperto está vindo muito mais pela diminuição de pessoas procurando trabalho do que pelo aumento no número de vagas. O gráfico a seguir não deixa dúvidas sobre isso.


 Muito se tem dito sobre a diminuição do particpation rate. Onde estão os John? A ilustração a seguir assinala os motivos dessa redução. Sendo a principal causa a aposentadoria, não se pode esperar que essas pessoas retornem ao mercado de trabalho.


Em termos de atividade econômica, tenho observado resultados contraditórios, por exemplo, o surprise index está uma draga, e como quer mostrar a comparação abaixo, a bolsa se desconectou desse indicador mais recentemente. Se essa relação passada for mantida um dos dois terá que se ajustar.


Num mundo abarrotado de liquidez as relações econômicas podem estar sendo afetadas por essa razão. E mesmo com o FED diminuindo suas injeções, o mesmo acontecendo com o ECB, o BOJ continua injetado sem parar, mais que compensando essas reduções.


Estou bem confuso ultimamente sobre o curso dos juros nos EUA. É verdade que o FED vem errando consistentemente nestes últimos anos, mas será isso suficiente para projetar que continuará errando? É uma aposta bem arriscada, pois os juros estão tão baixos que parece pouco provável que ele pare antes de atingir 2% a 2,5% a.a. Mesmo assim, os juros reais estariam próximos de 0%.

No post theresa-mayday-ou-maydie, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” acredito que está em desenvolvimento um triângulo, que é esperado numa correção deste tipo. Se estiver correto, vou fazer uma aposta de compra de juros – apostando que irão baixar – ao nível aproximado de 2,37%, conforme tracei em cinza acima. Também tenho consciência que em correções se pode esperar de tudo” ...


Pois bem, nem o anuncio do FED fez com que houvesse algum movimento neste sentido. Depois da publicação do post citado acima, os juros chegaram à mínima de 2,10% a.a., e agora a 2,15% a.a. Ora, basta observar a tabela do FED publicada no último post e verificar que já em 2019 os juros de curto prazo estariam em 3% a.a. Como poderia o título de 10 anos render tão pouco?

Bem, esse é um problema para os fundamentalistas, com a visão da análise técnica, não se pode afirmar que o movimento de queda terminou.


A ideia do triângulo imaginada acima, fica cancelada. Eu trabalho agora com 2 hipóteses marcadas no gráfico acima. A primeira seria que o movimento de alta já está em curso, ou na pior das hipóteses uma correção da queda recente; a segunda, que uma nova mínima aconteceria ao redor de 2% a.a., para em seguida reverter e voltar a subir.


Como podem notar, eu trabalho com um cenário terminal de queda dos juros só não existindo ainda nenhum sinal de reversão. Sendo assim, ficamos de observador.


O SP500 fechou a 2.433, sem variação; o USDBRL a R$ 3,2925, com alta de 0,37%; o EURUSD a 1,1197, com queda de 0,17%; e o ouro a US$ 1.253, com queda de 0,48%.
Fique ligado!

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