Inflação: A Revanche

13 de junho de 2017

Quando qualquer coisa é melhor que dinheiro


Minha carreira profissional foi muito rica em termos de vivencias econômicas. Nos anos 80, o Brasil vivia um descontrole monetário ímpar, a inflação atingia níveis que beirava a hiperinflação, se é que não estava. Pouco antes de Fernando Collor ser eleito Presidente da República em 1990, a inflação estava em 80% a.m., o equivalente a 123.000% a.a.!

As pessoas comuns perdiam um valor incrível de seu poder de compra, o salário pago no primeiro dia do mês, se não usado imediatamente, comprava muito menos produtos com o passar o tempo. Para quem possuía recursos já não era tão grande a perda, pois a existência de títulos indexados à inflação protegia parcialmente. Só para terem uma ideia, a BTN da época rendia inflação + 80% a.a.

Uma dúvida surge de imediato para quem não viveu naquela época, qual o motivo de juros tão elevados nesses títulos? A razão era que parte desses juros servia para compensar a defasagem da inflação. Esses títulos, que se chamavam NTNS, pagavam a inflação do mês anterior mais juros. Acontece que a variação da inflação de um mês para o outro chegava a 10%. Era um momento na vida financeira que saber fazer conta fazia a diferença, e muita.

Com a total perda da noção de valor da moeda, os bancos lançavam produtos criativos. No BFB criamos um investimento interessante para nossos clientes. Era um CDB onde se podia optar por ‘X” gramas de ouro, calculada no dia da aplicação ou receber CZ$ 34.000, para cada CZ$ 1.000 aplicados depois de 6 meses, o maior dos dois. Foi um sucesso, depois de algum tempo foi copiado por diversos bancos. Mas não durou muito, pois quando Collor assumiu a Presidência, indicando para do Banco Central Ibrahim Eris, o plano implementado desabou a inflação ocasionado pelo congelamento dos recursos.

Essa pequena introdução serve como exemplo de como em situações dramáticas como essa o dinheiro queima na mão, qualquer coisa é melhor que ver a moeda desvalorizar a taxas estratosféricas.  Até comprar carro era um bom negócio!

Nós temos acompanhado pelo noticiário a deterioração nos últimos anos que ocorre na Venezuela. Um país que poderia estar numa situação boa, pois tem grande quantidade de petróleo e uma indústria turística promissora, foi colocado nessa situação por governos desastrosos, com um viés populista.

Tudo começou com Hugo Chaves, um homem descontrolado que jogou seu país na miséria. Seu sucessor Nicolás Maduro, que já está tão podre que nem urubu comeria seus restos, continuou com as mesmas políticas de seu mentor.

A hiperinflação está em pleno andamento naquele país. Sem produtos básicos nos supermercados, e a revolta dos cidadãos assistidas quase que diariamente na mídia, a sua moeda, o bolívar, está em queda livre. Em situações como essas, ninguém menciona a taxa de câmbio oficial, não serve para nada! O que vale é o mercado Black.


À primeira vista, se eu perguntasse para um Guru em finanças, se recomendaria comprar ações num cenário macroeconômico de inflação alta, ela diria que não. Seu raciocínio é lógico, pois num país decente, se espera que o banco central eleve os juros com gusto. Mas não é esse o caso da Venezuela, nem sei se existe banco central por lá, e com o estado ditatorial reinante, é provável que o “Podre” define a taxa de juros.

Sendo assim, a população sabe que ficar com bolívar na conta é prejuízo na certa, então compram qualquer coisa, inclusive ações. O argumento usado é que as empresas têm ativos fixos e isso é uma proteção para o capital. Não sei se concordo muito com essa ideia, pois por outro lado o poder aquisitivo cai em progressão geométrica. Mas nesse caso especifico, o conceito é qual o menos ruim, e certamente as ações atendem este requisito.

 
Aqui no Brasil, em vários momentos de desalento, as pessoas ficam com receio que vamos virar uma Venezuela. Um exagero enorme, não estamos nem perto. Mas gostaria de alertar para esse risco que pode ocorrer em 2018, caso Lula seja eleito Presidente. Acho as chances diminutas, mas não é zero. Já avisei aqui em casa, se acontecer vou embora. 

Com Lula no Planalto, posso dar consultoria a distância de como se proteger financeiramente da desordem que reinara aqui no Brasil. E se você acha que será simples, bastando comprar dólares, pode esquecer, pois será uma das primeiras mediadas proibir os cidadãos de comprar moeda estrangeira, depois é claro, de perdermos as reservas que foram conquistadas nesses últimos anos. Eles dirão que estão combatendo os especuladores. Bem, chega! Não quero estragar meu dia com Wishfull Thinking!

No post a-ultima-bala, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” ainda acredito que o nível de 2.450 será atingido. Daí em diante mais cautela ainda. Para quem tem posição poderá adotar uma das seguintes decisões: a) vender tudo e observar; b) manter e subir o stop; c) qualquer situação intermediária, vendendo parte da posição e mantendo o restante” ...


Na última sexta-feira a bolsa teve um comportamento estranho quando comparado aos outros dias. Primeiro uma oscilação superior às outras oportunidades, depois atingiu a máxima de 2.446, praticamente o nível que eu estava aguardando, e fechou no zero a zero, linguagem coloquial de mercado quando um ativo abre e fecha no mesmo preço.

No post citado acima alertei sobre o momento atual do SP500. Também fui cauteloso para não espantar quem estivesse comprado. Não sei onde e como será a reversão do SP500, o que eu projeto é uma correção de onda 4, para quem segue Elliot Waves, e é uma 4 grande! Será um processo longo e extenso, uma queda de 20% a 25%.

Essa situação me fez lembrar uma frase dita por Ibrahim Eris, meu ex-sócio na Linear. “Sair do mercado é como sair de um escritório, não se deve levar tudo, deixe as lâmpadas para o próximo inquilino”. O único problema no mercado é que você só saberá a posteriori se deixou somente as lâmpadas ou muito mais coisas!

O SP500 fechou a 2.440, com alta de 0,45%; o USDBRL a R$ 3,3080, com queda de 0,30%; o EURUSD a 1,1206, sem variação; e o ouro a US$ 1.266, com alta de 0,10%.

Fique ligado!

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