Inflação: A Revanche

28 de junho de 2017

Tudo azul


Muito se tem comentado sobre a possibilidade de a economia americana entrar em recessão. Dentro dos motivos mais elencados o amadurecimento deste ciclo é o mais cotado. O racional deste argumento diz que as economias se movem por ciclos de tal forma que, depois de alguns anos, é esperado que entre numa recessão. No caso americano, estatisticamente, isso acontece a cada 8 anos. Esse período estaria próximo de ser adentrado.

Este critério tem a desvantagem de impor uma data “fixa” o que nem sempre se mostra real. Alguns ciclos são mais extensos e outros mais curtos.

O banco Goldman Sachs elaborou um estudo recente a fim de identificar quais fatores poderiam alertar a eminencia de tal evento.

Para identificar os motivos estudaram as 33 recessões desde 1853. Mais de 60% delas ocorreram antes da II Guerra Mundial, quando as economias entravam mais frequentemente em recessão.

 
O que se pode extrair dessa coleta é que, o fator mais frequente na história recente é o aperto monetário e o choque do petróleo, sendo que o primeiro é consequência da inflação ocasionada pelo segundo. Em segundo lugar, os movimentos impulsionados pelo sentimento entre excesso de empréstimo com elevado nível de investimento seguido de desalavancagem. Contribuiu para as duas recessões mais recentes e também desempenhou um papel nas recessões iniciais, especialmente durante ciclos de crescimento e transição do investimento ferroviário. Em terceiro lugar, enquanto o setor financeiro não foi a origem de muitas recessões americanas modernas, foi uma fonte frequente no início das recessões. Em quarto lugar, os choques da política fiscal provocaram recessões nos EUA, mas apenas no contexto das desmobilizações das principais guerras.

Já um estudo elaborado pelo FMI, que avalia todas as economias avançadas, identificou cinco principais fatores nas 122 recessões desde 1960: choque de políticas fiscais, choques de política monetária, choque de petróleo, demanda externa, e crise financeira. Essa visão global aponta alguns fatos adicionais: primeiro, choques de petróleo e aperto monetário ficaram menos frequentes; segundo, crises financeiras são um fator razoavelmente comum nas recessões mais frequentes.


Considerando essas observações qual seria a probabilidade de uma recessão hoje? A Goldman Sachs desenvolveu um modelo que quantifica esse risco – cross-country recession model. Usando dados reais e econômicos das 20 economias avançadas desde 1980, apontam os resultados abaixo: Notou-se uma elevação na probabilidade de recessão. Mesmo assim, se pode considerar moderada: 13% num horizonte de 1 ano e 24% numa janela de 2 anos. O principal fator é a baixa capacidade disponível de produção nos EUA.

 
A conclusão do Goldman Sachs é que o risco de uma recessão é moderado. Porém, quando a recessão vier, de onde virá? A análise histórica oferece três lições importantes. Primeiro, a causa dominante das recessões pós-Guerra – política monetária em resposta a elevada inflação, normalmente ocasionada por choques de petróleo, parecem bem menos ameaçadoras num mundo com expectativas de inflação bem ancoradas, bem como a extração de óleo através do shale, impôs limites no preço do petróleo. Segundo, não significa que um aperto monetário exagerado não seja um risco; ciclos de apertos no final dos anos 50 foram bem suaves, entretanto terminaram em recessão. Terceiro, os drives mais intemporais do ciclo de negócios – movimentos ocasionados por comportamentos que impactam os preços dos ativos, empréstimos e investimentos – mantém sua relevância sobre os riscos de uma recessão.

Na minha avaliação, esse estudo aponta para dois riscos possíveis no momento atual: o principal seria uma barbeiragem de algum banco central ao restabelecer as condições normais de uma economia, o qual sejam, uma taxa de juros descente com um nível de liquidez condizente. Como houveram abusos nesses dois pontos por diversos bancos centrais, é possível que algum deles acabe não conduzindo de forma adequada esse retorno; e um outro está relacionado aos impactos das mudanças estruturais que o mundo enfrenta: globalização, robotização e demografia. O que quero dizer aqui é como compatibilizar as políticas econômicas com um ambiente deflacionário ocasionado por essas mudanças.

Vou mencionar alguns posts onde comentei sobre o euro, para enfatizar o perigo ao se deixar levar por análises de prazo muito curto. Inicialmente me refiro ao post goldilocks-for-ever: ...” o euro atingiu a cotação de € 1,1260, iniciando uma pequena correção. E é nessa correção que poderemos entrar comprando a moeda única. No gráfico abaixo aponto esses pontos” ...


Eu fiquei aguardando o euro se retrair de forma decente, como é esperado nos livros texto de análise técnica. Mas a moeda única teimava em contrair somente um “troco”, o mínimo aceito, mas eu queria mais. Notem que a área anotada acima, entre € 1,11 e € 1,10, eram minhas sugestões de compra. Mas nada!

Foi quando um dia imaginei que, o euro teria traçado um false break. Enfatizei esse ponto no post fed-double-down: ...” O pontinho que anotei em verde pode fazer toda a diferença daqui em diante, isso pode caracterizar-se como um false break e ter implicações sobre minha visão da moeda única” ...


Ontem pela manhã, o “só” Mário – dei um upgrade! Hahaha ... – fez uma declaração que impulsionou a moeda única, fazendo com que as cotações ultrapassagem € 1,13. Uma análise mais detalhada das negociações nesse período que antecedeu o rompimento de ontem, apontam duas cotações próximas da que eu havia indicado para compra - € 1,1108 e € 1,1117.

Mas meu erro não foi aí, e sim, não sugerir a compra acima de € 1,13. Para falar a verdade existe uma razão por traz disso, é que o euro está se aproximando de um nível importante, que venho comentando a bom tempo.
O que acontecer nessa região pode ter impacto importante no longo prazo. Sintetizo em dois cenários
1.       Bate e volta: O euro atinge essa região busca romper o nível de € 1,16, porém dá meia volta. Nesse caso, a mínima de € 1,00 começa a entrar no radar.

2.       Sai da frente: A moeda única rompe com gosto o nível acima e caminha incialmente para a região de € 1,25 - € 1,30.

Desta forma, o euro vai entrar em território incerto. Prefiro assistir sem posições. Mas mesmo assim, poderia ter comprado com um stop curto, foi uma bobeada!

O SP500 fechou a 2.440, com alta de 0,88%; o USDBRL a R$ 3,2803, com queda de 0,97%; o EURUSD a 1,1377, com alta de 0,34%; e o ouro a US$ 1.249, com alta de 0,20%.
Fique ligado!

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