Inflação: A Revanche

20 de junho de 2017

A falta de um visionário


Os leitores mais antigos sabem que meu smart phone não é da Apple. Anos atrás, fiz algumas análises técnicas sobre essa companhia que acabaram não acontecendo, é verdade também que parei de acompanhar suas ações. Hoje saiu uma matéria no Wall Street Journal que acredito ser de interesse dos leitores. 

Na matéria econômica, nada está acontecendo. Além do mais, está próximo o início do período de férias no hemisfério Norte, onde existe uma desaceleração natural.

A grande “tacada” da Apple foi inventar o smart phone através do lançamento do iPhone em 2007, revolucionando a maneira como as pessoas trabalham e se socializam. Também transformou a companhia de tal forma que nem seu fundador, Steve Jobs, poderia imaginar.

Depois de 10 anos, o iPhone é um dos produtos que mais venderam na história, com um total de 1,2 bilhões de vendas, gerando uma receita de aproximadamente US$ 740 bilhões. Isso levou a Apple para estratosfera, abrindo novos mercados e gerando grandes negócios na área de serviços, o que conduziu essa empresa a se tornar a mais valiosa companhia no mundo.

Mas o sucesso do iPhone ofuscou seus outros produtos, fazendo com que a companhia dependa 2/3 de suas vendas. Isso implica que qualquer escorregão pode ser calamitoso.

O sucesso do iPhone pode ser bem refletido na China, onde uma combinação de um bom timing e uma marca forte fez da Apple uma das companhias americanas mais próspera no país mais populoso do mundo.

Em 2006, a região da Ásia – Pacífico, exceto o Japão – computava 7% das receitas da Apple. No ano passado, somente a China representava 23% das vendas, contabilizando um montante de US$ 48,5 bilhões, o que supera o total das vendas da Coca-Cola no mundo!


Com o crescimento das vendas, a companhia contratou 100.000 funcionários num período de 10 anos. Construiu uma nova sede, num formato de navio, no valor de US$ 5,0 bilhões.

O crescimento explosivo da Apple ficou nos ombros de Tim Cook, que sucedeu a Steve Jobs, falecido em 2011. Sua gestão buscou preservar a cultura única da Apple através de um enfoque mais inclusivo que seu antecessor, ouvindo mais opiniões da equipe, e sempre afirmando o mantra de Jobs “o principal objetivo é fazer grandes produtos”.


No meio tempo, a pressão se intensifica no intuito de fazer cada novo iPhone melhor que o anterior. Mas em 2016 as receitas declinaram pela primeira vez, e sua participação no mercado Chinês caiu. O Presidente da Apple disse aos analistas que a única forma de recuperar essa perda é inovar como loucos.

A Apple possui a maior percentagem de fidelidade entre os consumidores de smart phones, com um índice de 90% na troca para um produto mais recente. Contudo, não sei se isso será suficiente para manter o crescimento demandando pelos seus acionistas.

Qualquer gestor de uma companhia sabe que depender muito de um só cliente, ou um só produto, é extremante arriscado. Talvez seja essa a razão para a Apple estar estudando entrar no mercado automobilístico.

O smart phone, como qualquer produto inovador, atinge um ponto de maturidade, onde a taxa marginal de consumo desacelera dramaticamente, e parece que é onde esse mercado está adentrando. Lógico que existem outros mercados a serem conquistados e expandidos, como a própria China, Índia e África. Mas, diferente do início, o número de competidores é bem superior.

As inovações hoje em dia são muito pequenas para justificar trocas frequentes de aparelhos. Um produto bastante caro ainda incentiva a entrada de novos concorrentes, que poderão abocanhar os clientes marginais.

Além disso, o sistema Android tem se mostrado superior ao IOS e, ao contrário do que ocorria antes, a Samsung lança produtos e aplicativos que são copiados pela Apple.

Mas o que falta para a Apple manter o rumo explosivo de crescimento do passado? O seu gênio e visionário criador, Steve Jobs! Esse poderia dar novos rumos para a Apple, pois foi dessa forma que essa companhia se destacou; não brigando pelo market share de um produto existente que tende a “comoditização”.

No post o-impacto-do-retorno, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” conforme anotado no gráfico, e para quem seguiu minhas indicações, obteve oportunidades de compra na semana passada, com uma pequena retração do dólar até o nível de R$ 3,2550. Eu imagino um target para o movimento em curso ao redor de R$ 3,43 – R$ 3,47 –R$ 3,50” ...


Por enquanto, nada inspirador aconteceu; o dólar encontra-se contido num intervalo de negociação restrito, nos últimos dias, entre R$ 3,25 – R$ 3,30. Porém, com uma característica de alta - isso acontece de maneira que a cada pequena queda se dá num nível acima da anterior, assim como cada alta - higher low, higher high (pontos em verde)


Eu indiquei uma área compreendendo os níveis de R$ 3,20 – R$ 3,40, onde tudo pode acontecer. O que eu quero dizer com isso é que o dólar poderá continuar nesse ritmo de sobe mais do que cai, atingindo, por exemplo, R$ 3,37. Nesse momento, seriamos levados a imaginar que agora vai, e, de repente, cai novamente para o nível de R$ 3,20.

Resumindo, por enquanto a direção é de alta, mas é necessário que rompa com o nível de R$ 3,41. Até lá, ficaremos a mercê dos xingamentos recíprocos entre Temer e Joesley, ou alguma surpresa vinda do exterior.

O SP500 fechou a 2.437, com queda de 0,67%; o USDBRL a R$ 3,3114, com alta de 1,47%; o EURUSD a 1,1125, com queda de 0,21%; e o ouro a U$ 1.242, sem alteração.
Fique ligado!

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